Capítulo 30

 Manhã de Terça chuvosa e fria. Acordei com um cheiro maravilhoso de café pela casa. Coloquei um roupão no corpo e desci encontrando uma mesa farta que continha de donuts a panquecas com mel.

- Nossa o cheiro esta divino!!

- Bom dia meu amor – ela sorriu com duas xicaras de café na mão e me deu um beijo – acordei inspirada!

- Precisa de ajuda?

- Não, já podemos comer! – tomamos café na maior paz e depois arrumei a cozinha

- Quer fazer algo lá fora ou ficaremos o dia na preguiça?

- Lá fora claro – ela sorriu – colocamos uma capa de chuva as galochas e está tudo certo!

- Entusiasmante!

- Tenho que aproveitar sua companhia! Um luxo você em casa em dia de semana!

- Lembrando que um dos motivos de ter ficado é que precisamos conversar em?!

- Teremos tempo – ela me olhou e subiu para se arrumar

O dia foi produtivo e divertido mesmo com o clima ruim. Instalei todas as lâmpadas no estábulo, Vanessa tinha terminado as divisórias das cocheiras com as madeiras. Quando finalizamos as tarefas internas fomos arar a terra para semear sementes para uma horta maior.

- Tudo pronto!! – Me estiquei tentando estralar as costas

- Isso ai! Somos uma bela dupla!

- Merecemos um banho agora – ri quando olhamos um para o outro e vimos lama até a canela

- Verdade! Com a chuva não vou fazer nada no jardim

No fim da tarde já estávamos de pijama com a lareira ligada e ela toda linda concentrada em um livro qualquer

- Você não tem ideia do quão sexy fica lendo – ela riu e me fitou

- Sexy? O livro é de meditação, estou tentando parecer concentrada

- Toda vez que te vejo com um livro lembro da nossa primeira vez! Naquele dia estava lendo Jane Austen

- Incrível!! Se lembra até da autora – ela ficou boquiaberta e eu ri

- De todos os detalhes – me aproximei deitando sobre ela – tão cheirosa – beijei seu pescoço e senti seu arrepio – podemos conversar agora? – a olhei com atenção vendo seus olhos fixos em mim

- hum... podemos namorar primeiro?

- Hoje não – sorri com o espanto – sinto que está evitando o assunto – permaneci quieto na mesma posição a esperando

- É estou mesmo

- Vamos lá não é difícil – incentivei

- Fácil falar quando parece que saiu de um filme de princesas

- O que quer dizer?

- Que você não tem um conflito com as escolhas que fez no passado e as frustações

- Claro que tenho – sorri me arrumando no sofá – todo mundo tem frustações e mesmo sendo quieto também tive minhas experiencias

- Acho que não em – ela suspirou – pelo menos não na mesma intensidade

- Amor, se te magoa significa que não está curado. Não tenha medo de me contar

- Você respeitaria se eu não quisesse?

- Com toda certeza – garanti sincero – só que antes de decidir sufocar esse assunto pense se o seu medo é para não me magoar ou para não te lembrar que a cicatriz ainda está aberta. Essa chave ou o que ela possa significar não foram enviados para mim.

- Profundo – ela me olhou triste – já se sentiu como se fosse seu próprio inimigo?

- Várias vezes!

- Não quero que nosso relacionamento seja embasado por resoluções de conflitos. Cansei de ser a problemática da história

- Nossa com um argumento desses você me preocupa. Já considerou que os motivos que a levaram a guardar essa chave por tanto tempo ainda existam? e se caso existirem quais os efeitos que eles ainda têm sobre você?

- Não é segredo o que tem lá ... quer dizer o que teve lá... só não me sinto confortável falando

- Então tudo bem – aceitei que não era hoje que ela desabafaria e com um suspiro ela chegou perto

- Só te prometo que não vou deixar acontecer o mesmo conosco

- O mesmo?

- Naquela sala abri mão de tudo que queria para me moldar conforme a necessidade do conselho. Encerrei ciclos e envolvimentos problemáticos. Naquela altura pensei ter sido madura para arcar com toda a mudança, mas vi que já estava sendo manipulada a tempos

- Butler – ela acenou que sim

- Preciso vê-lo Zac

- O que? – me senti tonto com a informação inesperada

- Se existe algo em aberto descobri ontem. Foi ele e quero tirar a história a limpo

- Amor – fiquei sem saber o que dizer

- Vou hoje e volto com Ashley na Quinta – ela sugeriu

- Não quer que eu vá?

- Não. Chega de te jogar em cima dos meus problemas por não saber resolve-los. Não vou dividir o que não é nosso e nos transformar em um casal estilo terapeuta. Meu relacionamento contigo é saudável e quando conversamos que ele tem que funcionar a dois é sobre isso. Preciso resolver o antes de você.

- Existe algo que possa fazer para te fazer mudar de ideia?

- Não

- Então pelo menos se abra comigo – falei atordoado

- Ninguém se envolve com alguém que tenha interesses fora do comum. Errei muito com meus envolvimentos casuais e por não ser fiel a nada me vi em uma situação delicada. Para que você tenha noção da proporção envolve um trisal, um acidente e um ex- amigo do meu pai magnata do petróleo

- Trisal – tremi em saber das experiencias que ela mencionou

- Não quero te contar por que é sujo. Foi um envolvimento sem honra e a pessoa que está com você hoje não é nada parecida com quem já fui. Por favor não me faça conversar de uma versão minha que desprezo – ela pediu triste e me senti estranho

- Sinto que tenho que te conhecer de todas as formas para que sejamos plenos no nosso compromisso

- Quando foi para New York e viu Austin com todas as mulheres, o que sentiu?

- Nojo

- Não era melhor que ele quando tinha essa chave – gelei e perdi a postura incomodado e assim que ela percebeu se agachou e me olhou – passado é passado.

- É diferente Vanessa – falei abatido – estou sentindo que realmente não te conheço – ela abaixou o rosto – é errado me sentir inseguro?

- É errado sim – os olhos dela estavam molhados – sou honesta e transparente com tudo. Estou falando de um momento delicado com você porque honro o que nós temos e você sugere uma insegurança?

- Espera – me apressei para arrumar vendo que a machuquei – são só as brechas que o Butler tem usado para me deixar confuso

- Não é o Butler que te deixa confuso. São suas dúvidas sobre mim que geram essa situação toda. O medo e essa imagem que você tem de pessoas melhores. O problema sou eu – ela concluiu e o desespero bateu. Quando tudo mudou?

- Amo você – foi o que consegui dizer– amo com tudo que sou Hudgens – a encarei tentando demostrar a mesma transparência que via em suas expressões

- Eu sei e também te amo por inteiro Zac. Só não – a interrompi

- Não fala nada. Está tudo bem! Não preciso saber e você estava certa, não deveria ter forçado você a contar. O que viveu antes não pode nos afetar – ela ficou quieta e pela primeira vez o silêncio entre nós incomodou

- Já afetou – ela me olhou e me lançou um sorriso triste – desculpe

- Por que?

- Por não conseguir convence-lo com a minha personalidade. Por deixa-lo em perigo e pelos estragos que aconteceram na sua vida depois que me conheceu. Não posso pedir que confie em mim, mas juro que fiz tudo para mostrar que é o único que tenho e amo.

- Me convenceu. Não tenho dúvidas – falei desesperado – Só não desista

- Eu prometi lembra? És a minha pessoa e sinto muito mesmo por coloca-lo no meio dessa guerra com Austin. Pode me perdoar?

- Nada disso é culpa sua. Não se desculpe por isso

- É sim – os olhos que pela manhã brilhavam estavam tristes e sem vidas

- Como pode ser? – a puxei pra mim tentando quebrar o muro que senti entre nós

- Minhas decisões Zac. Magoei muitas pessoas com meus envolvimentos e por mais raiva que tenha de Austin ele só é alguém que está ferido. Quer dizer que foi ferido por mim – ela chorou e eu só puder aperta-la

- Não fala assim - sussurrei em seu ouvido – não é dessa forma.

- Meu pai quando anunciou a fusão de empresas estava certo. Não conseguiria sozinha e era só ter me mantido quieta que nada disso teria acontecido

- Amor pare por favor – ela enchia minha camisa com lágrimas e soluços e eu só conseguia me lembrar no dia do mirante. A agonia era igual. Por mais amor que tivéssemos nesse momento era como se fosse perde-la – Seu pai errou, assim como todos erram. Veja ele hoje. Austin é doente e você não pode culpar-se por isso. É como você me disse, amar é liberdade e por mais que tenha doido perder uma pessoa como você a vida segue minha princesa. Ele não quer que você seja feliz. Não é mágoa é orgulho – subi seu rosto através do queixo e com seus olhos chocolates em mim terminei – Você pode ir até ele, eu mesmo posso leva-la

- O que?

- Se é a forma de colocar um ponto final nisso tudo e você ficar bem vamos fazer. E me desculpe pelo medo. Você é meu sonho Vanessa. E sou tão grato que vivo negando que sou merecedor. No fundo percebi agora que também sou culpado por suas mágoas. Suas e do Butler. Você estava noiva quando nos envolvemos e o errado fui eu – ela ficou em silêncio e o coração começou a ficar tranquilo sentindo que a tinha ali sem barreiras de novo – na sala quando conversei com ele foi a primeira coisa que ele disse. Se ela fez comigo por que acredita que contigo seja diferente? Quem trai um trai dois....

- Preciso me defender disso? – me olhou cansada

- Não – frisei com toda certeza do mundo – eu te seduzi, provoquei Butler com tudo que tinha e tomei decisões erradas para tê-la. Viu só como também agi sem honra? – sorri – de príncipe eu só tenho os olhos tá? – vi um sorriso meigo e continuei – o problema não é você

- Tem certeza?

- Tenho sim – a beijei devagar e com muito carinho – entendidos?

- Estamos sim! Posso ir com seu carro?

- Pode sim – coloquei suas mechas atras da orelha – a viagem é longa não quer dividir a direção? Posso pedir para Monique ir com você

- Não. Quero ir só – ela coçou os olhos

- Tudo bem. Então nos vemos na Quinta?

- Na Quinta – ganhei um beijo na bochecha, ela subiu para arrumar uma mala simples e aproveitei para pedir para que Chris viesse para cá depois que fechasse a oficina.

- O carro está com tanque cheio. Me liga hora que chegar?

- Com certeza! Chris está chegando?

- Deve estar – sorri

- Não deixei nada pronto para jantar

- Vá em paz princesa! Posso cozinhar ou pedir comida – fechei o porta malas e abri a porta do motorista para que ela se senta-se – vai devagar, se sentir sono pare

- Fique tranquilo – ela me beijou e entrou

- Eu – me interrompeu

- Te amo! – sorrimos e ela se foi. Suspirei preocupado.

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Boa tarde!! Capítulo postado e neste fim de semana estou me programando para postar outro. Falta pouco para finalizarmos espero que estejam gostando 🙏


Um comentário:

  1. Até eu fico frustada com essa omissão da Vanessa, o passado dela pode ser muito ruim, mas se o Zac quer passar o resto da vida com ela, precisa realmente saber. Melhor saber por ela do que por outros, como o próprio Austin. Desse jeito os fantasmas do passado vão atormenta-la por muito tempo.

    Bom, eu não sei como eu me sentiria no lugar do Zac, provavelmente estaria com muita raiva kkkkkkkkk. Só espero que a Vanessa saiba o que está fazendo, o Austin não é só uma pessoa machucada com quem ela vai ter uma conversinha, ele é doente, é perigoso.

    Esse clima pesado entre o casal 💔, mas não é por menos né. Cheirinho de reta final, estou adorando!

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