Capítulo 41 Penúltimo

Fiquei DOIS intermináveis meses no hospital até ter alta e não pense que foi fácil porque os três meses posteriores foram de fisioterapia! Felizmente meu corpo hoje pra mim pelo menos estava normal! Passei a praticar meditação e Yoga para o cotidiano e todo fim de tarde virou tradição das meninas Hudgens sair para fazer uma caminhada.


Nesses 5 meses Monique descobriu a gravidez de Chad que logo, logo chegaria para animar a turma. Chris conseguiu fazer Ashley se mudar para Dallas e agora a mesma morava ao lado do rancho de Zac. Este nos últimos dois meses vi menos. Preferimos assim até ter certeza de que estávamos pontuando nossas certezas e inseguranças com sinceridade e já que com ele perto era inevitável não nos agarrarmos e a distância permitia que nos analisássemos emocionalmente. Era real nossa necessidade de estar inteiro para o outro


- Você é louca Vanessa – Stella estava brigando comigo de novo 


- Por que? Eu preciso encerrar tudo antes de ir atrás do Zac


- Austin já está encerrado. Por que insiste em vê-lo?


- Porque não consigo mais carregar sentimentos ruins dentro de mim


- Mais foi ele que te machucou, qual sentimento ruim você tem dentro de si? – ela gesticulava irritada


- Ele sempre me disse que eu não me esforcei para tolera-lo. Que não me importei com ele. E sim no fundo o trai


- E dai Vanessa? Você não estava errada


- Stella como se sentiria se a pessoa que gostasse de você se quer lhe desse importância? O que ele fez foi errado não estou dizendo contrário. Só que Austin antes da fusão da empresa era uma pessoa diferente. Tenho comigo que parte de todo esse surto tenha ocorrido por mim


- Loucura. Você está delirando e eu vou ligar para o Dylan te examinar mentalmente. O Austin antes da fusão já articulava contra você. Lembra do Ian e do Paul? Ele vazou as fotos, te expôs. Não foi você ou por causa de você que ele está onde está.


- É difícil conversar com você


- Está sendo insensata e eu não vou deixar você em um momento de confusão procura-lo.


-Então vem comigo


- Se eu vê-lo sou capaz de devolver o tiro. Este alias que quase a matou se não se recorda – bati a mão na testa cansada da discussão e por sorte minha mãe chegou e ouviu


- Vou com você


- Pronto agora são duas que não estão em juízo


- Stella sua irmã precisa disso para seguir em frente


- Que praga mãe. Ela vai perdoar o Austin?


- Olha o vocabulário – ela olhou Stella seriamente – preste atenção não é por ele!


- Então pra que irmos até lá?


- Há então agora você vai?


- Não vou deixar vocês irem sozinhas lá


- Chega! Eu dirijo, vamos.


Durante o caminho fomos mais discutindo do que conversando e quando chegamos na penitenciaria um arrepio subiu a espinha


- Se não estiver a vontade podemos voltar outra hora – minha mãe colocou a mão sobre meus ombros e sorriu


- Vamos lá – a cena seguinte me deixou tensa. Austin apareceu com cabelo grande e barba. Só quem o conhecia sabia o tamanho de sua vaidade. Um vidro nos separava e nos comunicaríamos pelo telefone. Ele me encarou surpreso e apontou para o telefone indicando que deveria pega-lo. Respirei fundo e o fiz


- O que faz aqui? – A voz ao contrário do que imaginei estava calma, na verdade bem surpresa


- Agora que perguntou nenhum motivo parece ser bom o suficiente – suspirei sentindo a tensão percorrer meu corpo e baixei os olhos percebendo o tremor nas mãos. Descobri que não estava pronta e o medo estava ali


- Me desculpe – ele disse alto e quando subi os olhos vi que ele encarava minha mãe e Stella – na verdade não. Não tem perdão – ele me fitou abatido – você estava certa desde o início. O problema sou eu – fiquei muda assim como as duas 


- Pra minha sorte ainda bem que você é ruim de mira – disse séria e no fim suavizei a expressão – não vim falar o que sabe – ele ficou quieto – seu pai tem vindo te visitar?


- Todos os dias


- Ele é incrível Austin


- Hoje sei disso - ele apertou os lábios – foi o único que ficou do meu lado. Mesmo depois de tudo


- Soube que está tomando remédios


- Sim, no geral tenho muitos problemas


- Todo mundo tem.


- Sei que agora não faz diferença e qualquer coisa que eu disser não vai apagar o quanto te fiz mal. Estou pagando pelo que fiz e todo esse tempo preso me fez refletir sobre o que faz sentindo. Devia ter sido mais compreensivo e ter vivido minha vida quando você me deixou


-Vim até aqui porque também errei e peço desculpas. Nunca consegui ama-lo e você sempre soube disso, mas quando a exigência do casamento ocorreu e eu aceitei não devia ter te traído. Brigamos muito, só que pelo que me recordo nunca pedi desculpas oficialmente por isso 


- Obrigado


-Fica em paz – acenei e coloquei o telefone no gancho. Vi as duas me encararem – podemos ir agora


- Foi o fim? – Gina


- Foi! Agora posso seguir em frente sem culpa – nos retiramos em silêncio e no carro Stella falou


- Ainda tenho minhas barreiras quanto ao que Austin fez a você, mas devo admitir que foi incrível o que fez por ele


- Está errada. Não fiz nada por ele. A angústia que carregava por nunca ter pedido desculpa oficialmente por meus atos é que levou a tudo que passamos. Foi por mim. Agora estou leve e o fato dele ter pedido desculpas é irrelevante. Tenho passe livre para não querer ve-lo nunca mais


- Agora entendi! E qual o próximo passo?


- Seguir em frente – sorri apertando a mão de ambas


POV ZAC


Era noite quando encerrava mais um dia de trabalho na oficina. Chris tinha ido mais cedo para sair com Ashley e eu fiquei arrumando os motores de carros até tarde. A noite estava linda e ao sair de lá passei pela praça da cidade. Com a temperatura agradável vi vários casais sentados por lá. Sorri ao ver o banco onde eu e Hudgens costumávamos sentar para ficarmos juntos ali. Faz tempo que estávamos longe um do outro. Os últimos acontecimentos me permitiram vê-la e como estava linda. Estivemos juntos quando Chad nasceu a dois meses atrás e nos vimos novamente quando ela inaugurou sua empresa de bebidas em parceria com David. Este inclusive estava em um novo relacionamento com Liza a enfermeira que cuidou dele e de Vanessa no hospital. Estava sendo feliz e tinha todo direito dado a sua honestidade e simplicidade.


Dylan começou a namorar e em virtude disso meus pais voltaram para Dallas uma vez que ele não ficaria mais sozinho em New York. Vira e mexe eles me ajudavam com a oficina e estávamos passando bons momentos juntos. Fiquei sabendo que a empresa Hudgens foi fechada oficialmente e a mesma tinha recebido uma quantia exuberante por danos morais e cotas do conselho. Minha garota estava colocando a vida toda nos eixos e felizmente estava participando de tudo.


- Pai? – estranhei ao chegar para visita-lo e vê-lo sentado na capota da camionete com uma cerveja na mão


- Hey garoto! Trabalhando até tarde de novo?


- O que o senhor faz aqui fora? – ele só levantou a cerveja me mostrando


- Sua mãe estava tão insuportável hoje que vim beber aqui, quer? – dei risada


- Como ousa falar que a mãe está insuportável? - brinquei


- Casamento Zac! Vai entender que são dias e dias....


- Por que brigaram hoje? – me sentei do seu lado 


- Nem chegamos a brigar – ele riu – ela estava assistindo a um programa de culinária e eu queria ver o jogo dos Dodgers. Aqui estou!


- Já comentei que resolveríamos isso facilmente comprando outra TV. Vocês que são teimosos


- E eu perderia a chance de ficar abraçado a ela vendo qualquer coisa? De jeito nenhum! Duas Tvs são desnecessárias. Daqui a pouco ela me chama e juntos vamos assistir outra coisa


- Então por que reclama?


- Não reclamei – ele riu – você que perguntou o que estava fazendo aqui fora! – foi ele terminar pra minha mãe aparecer na varanda e grita-lo – ta vendo? Como sempre – ele levantou alegre e bateu nas calças para tirar o pó – estou entrando 


- Vou ficar mais um pouco e depois vou pra casa se importa?


- Não vai entrar?


- Vou deixar vocês se entenderem sobre o que assistir – demos risadas


- e Vanessa?


- Monique disse que ela vem pra cá esse fim de semana para ver todo mundo...


- São o casal mais complicado que já conheci


- Como assim? 


- Tempo Zachary! Vai perder mais quanto? – ele saiu me deixando ali sentando. Fiquei alguns minutos deitado na camionete vendo as estrelas até o telefone tocar. Atendi sem olhar


- Pronto


- Efron onde você está?


- Vanessa? – me levantei rapidamente


- Atendendo sem olhar de novo? – ela riu 


- Força do hábito – sorri ao ouvi-la


- Preciso de você – ficamos mudos 


- Hein?


- Real, preciso de você – ela riu – meu carro ta soltando fumaça pelo capô e não tem ninguém na estrada 


- Onde te encontro? – me levantei correndo e parei ao me virar e ver ela rindo atrás de mim


- Já encontrou – ela desligou o celular sorrindo


- Como me achou? Seu carro esta mesmo quebrado? E quem é esse ai no seu colo? – ela gargalhou e fiquei confuso


- Passei na sua casa antes de vir pra cá. Ashley e Chris me disseram que você poderia estar aqui! E não, meu carro não está quebrado, só queria ver sua reação – ela piscou pra mim – e esse aqui é o Eros! – ela levantou o doguinho filhote 


- Eros? – sorri ao pega-lo 


- Um pastor belga!


- Vai ficar com ele? – já estava brincando com ele no colo


- Nós vamos!


- Vamos?! – ela ria


- Qual é, vai ficar só nas perguntas agora? Vamos ficar com Eros, Power, Hannah e Filomena...


- Estamos falando de quantos cachorros?


- Construí um estabulo antes de ir embora. E seu sonho era ter éguas, cachorros e galinhas pelo rancho não era?! Eles devem chegar pelo fim de semana


- Esta brincando não está? – não consegui conter a animação ao imaginar


-Não – ela pegou Eros e o colocou no chão – vim até aqui para dizer que estou pronta. E se você estiver também a gente pode fazer nosso casamento acontecer


- Você veio – a puxei pela cintura nos colando


- Iria a qualquer lugar para encontra-lo – senti meu rosto sendo acariciado enquanto seus olhos estavam fixos na minha boca


-Não vai ser uma recaída né?!


- Nós nunca recaímos – rimos – só nos agarramos em horas convenientes 


- E isso aqui agora, seria uma hora conveniente?


- Não isso aqui agora sou eu perguntando se podemos ficar oficialmente juntos. Sem inseguranças, sem passado e sem ninguém no meio


- É tudo que quero – ela avançou sobre meus lábios e foi fácil retribuir, a saudade estava grande. Eros começou a latir e rimos nos separando – vamos pra casa?


- Agora

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Estamos concluindo nossa fic e agradeço a todos que tiveram paciência e acompanharam desde o início. Espero que tenha sido leve, nostálgico e divertido ler como foi para mim escrever. Nos vemos no último capítulo e obrigada :) S2



Capítulo 40

 Pov Gina 


- No dia que tiramos essa foto você fez seu pai chamar o corpo de bombeiros inteiro para montar seu balanço na árvore – sequei os olhos e guardei as fotos impressas na caixa 


- Me diverti muito quando me levaram para dar uma volta no caminhão – senti meu peito explodir e imaginei estar alucinando mais uma vez. Olhei para a cama e seus olhos estavam abertos e ela com um pequeno sorriso nos lábios – Vanessa? – perguntei com medo de ser mais um sonho 


- Oi mãe – a agarrei com toda força que tinha 


- não consigo respirar – estava chorando e não me mexia – mãe tá doendo – a apertei mais um pouco – MÃE – e saltei com o susto 


- Ai meu Deus desculpa – corri com um livro para abana-la já que estava vermelha 


- Preciso de água 


- Calma querida - peguei o copo tremendo e derramei metade sobre ela que riu fazendo caretas 


- Não consigo dizer um ponto do meu corpo que não esteja doendo 


- Vou chamar o médico. Consegue ficar acordada? – meu desespero era evidente tamanha emoção 


- Se acalme – ela sussurrou – estou aqui e pretendo estar por muito tempo viu – ela sorriu fraca 


- Tive tanto medo de te perder 


- Já passou! Logo estaremos em casa juntas. Prometo que a senhora nunca mais vai passar por isso 


- Minha menina – a abracei de novo com medo até de sair do quarto. E de fato não sai. Ela mesmo com dor teve toda paciência do mundo e soube que eu precisava desse tempo para saber que era real 


- Tudo bem mãe? 


- Sim! Agora posso ir chamar o médico de verdade – rimos um pouco – me espera ta? 


- Não vou dormir, garanto! 


Pov Vanessa 


Me ajeitei na cama e suspirei sentindo a cabeça latejar. Ainda estava meio grogue e sem noção de espaço e por isso não atrevi a me mexer 


- Vanessa!! 


- Dylan! – sorri com seu entusiasmo 


- Consegue se mexer? 


- Não muito... – demonstrei que de controle mesmo só tinha os dedos 


- Não se esforce – ele veio rápido – vou examina-la e já te explico tudo que aconteceu 


- Tudo bem obrigada – fiz teste motores, mentais, vocais e confesso que me cansei bem rápido 


- Incrível! Seu corpo respondeu a tudo muito bem 


- Mesmo? 


- Dentro das condições claro – ele sorriu terno – estamos com 6 costelas quebradas, tímpano direito perfurado. Perna direita quebrada e fora isso foram 3 tiros que ainda estão sendo cicatrizados 


- Não sei o que dizer 


- É – ele passou a mão no cabelo – e teve também ferimentos por corais venenosos. Suponho que tenha sido de quando esteve na praia 


- Isso explica o porque passei tanto mal quando acordei 


- Só não ficou pior porque seu corpo expeliu a substancia através de febre e vomito 


- e quando vou poder ir pra casa? 


- Esta brincando ? – vi ele e minha mãe rirem – vai demorar Vanessa! Estou sendo sincero 


- Preciso tomar um banho, escovar os dentes e vestir alguma coisa descente! 


- Vamos providenciar isso tudo por aqui – senti sua mão pela minha testa - e precisamos regularizar sua temperatura. Vou colocar o medicamento pela veia. Vai ser mais rápido 


- Preciso falar com seu irmão antes que durma novamente 


- Você vai precisar dormir muito até se recuperar. Seu corpo passou por um esforço descomunal. Precisa descansar e vamos estar aqui cuidando de você 


- Ia ligar para o Zac, mas Dylan achou melhor te medicar e examinar primeiro. Ele viria como um jato – minha mãe disse e eu sorri 


- Estou com medo de demorar para acordar de novo 


- Você vai ficar bem filha – minha mãe se sentou do meu lado entrelaçando nossos dedos 


- Sei que deve querer ver todo mundo. Eles também ficarão doidos quando souberem. Meu papel é garantir seu bem estar e controlar a taxa de emoção diária. Quantos abraços acha que pode suportar? 


- De verdade? Nenhum – falei com pesar 


- Desculpa meu amor – vi minha mãe com feições preocupadas 


- Relaxa. Foi uma dor boa – rimos 


- Vou chamar as enfermeiras para o seu banho 


Dormi mais algum tempo e quando acordei tinham duas enfermeiras para me levar a banheira. Confesso que me arrependi de me mexer e foi um dos banhos mais dolorosos que tive. Minha mãe ajudava e me olhava com uma ternura que me senti com 5 anos de novo. O esforço descomunal durou muito e quando me deitaram apaguei rapidamente. No dia seguinte Dylan me explicou que aconteceria com frequência até meu corpo estabilizar. 


Quando abri os olhos novamente a sala estava cheia e vi as meninas chorando 


- Ué não era para estarmos felizes? – sorri emocionada 


- Sua boba – Stella veio e me abraçou com todo cuidado – doí? 


- uhum – a olhei triste – mas não pare – a olhei – desculpe pelo susto 


- não fala – ela chorou e me segurei – só me prometa que acabou 


- Acabou – nos emocionamos. Abracei a todos, recebi flores lindas e fiquei em paz. A conversa na sala estava animada quando ouvi batidas na porta e pelo sorriso de todos soube quem era pelo clima 


- Ontem tivemos dificuldade com ele querendo invadir o hospital 


- Que dó Dylan! Poderia ter deixado ele entrar 


- Vou deixar agora – eles riram e ele surgiu na porta. 


É engraçado dizer as reações do momento. Me senti como se o encontrasse pela primeira vez. Aconteceu como Dallas. Os olhares se encontraram ele me desestabilizou e foi possível lê-lo sem precisar dizer nada. Não consigo dizer a intensidade e nem o tempo que durou só voltei ao ambiente quando meus amigos disseram 


- Vamos deixa-los a sós – se despediram e ele encostou a porta 


- Como se sente? – ele se aproximou ficando ao meu lado e percebi que tremia 


- Está tão bonito – entrelacei nossos dedos e me senti ansiosa para abraça-lo 


- Por favor não se mexa – ele tocou meu rosto e sorrimos com o contato 


- Me sinto tranquila – descansei minha bochecha em sua mão 


- Me perdoe por não estar lá – abri meus olhos e vi lágrimas descerem de seu rosto impecável 


- Não há o que perdoar, você ainda é a melhor parte de tudo isso 


- Como pode dizer isso – ele soluçou e rapidamente o puxei pra mim. Arfei com as pontadas sentidas e procurei respirar devagar para ajudar 


- Você não tem culpa de nada – enfatizei - nada mais importa 


- Tudo importa. Olha o que ele fez pra você. Foi como no dia que ele te atingiu na pousada em Dallas e eu não consegui te proteger. Aliás nunca consigo – ele ficou com a cabeça baixa, vulnerável a tudo 


- Está tudo bem – sussurro – o problema de Austin era comigo. Agora acho que resolvemos – tentei ser otimista 


- Ele te feriu, e eu ajudei – ele apertou minha mão enquanto chorava - O medo me dominou tanto que deixei as coisas chegarem a esse ponto. Abandonei você no momento em que mais precisou de alguém - ele não me olhava em momento algum e senti que ele precisava desabafar- Te ver machucada de novo acabou comigo. Fui covarde e tenho medo de continuar o sendo – o desespero me deixou angustiada e intervi antes que ele continuasse 


-Não diga besteiras Efron – subi seu queixo o encarando com um meio sorriso – obviamente doeu e muito estar lá nesses últimos dias. Não serei hipócrita quanto ao meu estado - brinquei - era para ter acontecido – falei calma - não quero que fique com a ideia de que teria sido diferente. Pelo contrário, Austin tinha a genuína intenção de te machucar e o fato de ter conseguido mantê-lo fora disso é uma vitória pra mim. Nada me machucaria mais do que não o ter 


-Uma vitória? Eu sou o homem que te deixou e que depois disso precisou se embebedar toda noite – me olhou agonizado – esperei por um coma para não sofrer e mudei de cidade para não ter risco de te encontrar. Olha no que deu – ele se levantou agitado – em todo o tempo em que esteve no hospital pedi a Deus para que tivesse a chance de voltar e agora que está aqui só posso agradece-lo, mas não me acho certo Vanessa. Fui tão egoísta - ele parou de falar e meus pensamentos eram rápidos 


-Não o vejo como egoísta. Você é o homem que escolheu abrir mão de si mesmo por mim – ele me olhou – eu não consegui fazer isso. Ao invés, assumi risco desnecessários e optei pelo caminho do conflito. Eu sequer pensei no quanto você estava sendo posto sobre pressão. Não considerei que precisasse se sentir em paz. Era tudo sobre mim. Meus relacionamentos, minhas necessidades, minhas rebeldias – fiquei quieta reconhecendo meus erros – eu só parei naquela praia porque meu lado mesquinho me levou lá 


-O que quer dizer? 


- Fui pra uma boate quando devia ter ido a uma padaria – suspirei – cedi a meus pecados e quando quis voltar atrás só não o encontrei. Fui pra praia com a intenção de sumir. Entende isso? Eu Vanessa Hudgens mais uma vez preferi sumir ao invés de tentar acertar e resolver as coisas. Culpei o mundo inteiro quando na verdade não é bem assim 


-Não é assim 


-É sim Efron – sorri cansada – Devia ter dado atenção ao temperamento de Austin lá atrás e ter me prevenido disso tudo. Devia ter conversado com meu pai ao invés de bater de frente com ele por muito tempo. Devia ter exposto meus sentimentos a minha mãe e irmã ao invés de levar tudo nas costas e devia ter dado atenção a você. - tossi sentindo dor- é uma lista grande de arrependimentos – brinquei me acalmando 


-Vou chamar o Dylan – o segurei antes que fosse 


-Não terminamos ainda 


-E nem vamos você está com dor 


-Vão me pôr para dormir e gostaria muito de nos acertamos antes disso – implorei com os olhos e ele ficou indeciso – por favor? 


-Não quero que se esforce 


-Vou ficar imóvel 


-Continue... - ele se sentou e segurou minha mão 


-Não posso mudar o que foi feito e nem curar todas as feridas que causei aos outros e a mim – ele me fitou com intensidade - só quero que saiba que com essa segunda chance vou dar importância a tudo e na minha lista de prioridades está você. Vou respeitar seu tempo e esperar que fique inteiro para que possamos seguir em frente com o relacionamento 


-Ficar inteiro? 


-Sim amor – sorri com o brilho que seus olhos refletiram ao me ouvir - ninguém pode ficar em um relacionamento onde o medo e a insegurança interferem. E me analisando também existem hábitos que quero melhorar para estar com você. 


-Não esta sendo como pensei – soube o que ele quis dizer 


-Sim – rimos – queria ter te agarrado assim que entrou no quarto. Dizer o quanto te amo e retomar nossa vida como mágica, só que – parei propositalmente fazendo suspense – cabe á nos respeitarmos nossos limites 


-Não vou sair desse quarto sem te beijar. Também não vou embora sem deixar claro que te amo e óbvio que nosso tempo será somente relacionado a contato físico amoroso pois vou estar aqui TODOS os dias – rimos – vou ficar inteiro, mas não vou perde-la de vista 


-Você é excepcional Efron! 


-Posso te beijar agora ou os lábios estão machucados? 


- Quero esse beijo de qualquer jeito e trate de caprichar tá? Não quero acelerar as coisas, mas não sabemos quando o faremos novamente – sorrimos e nos aproximamos – preciso de você 


-Amo você - minha boca foi preenchida por seus lábios carinhosos e calmos. A aceleração cardíaca demonstrava a emoção que senti ao prova-lo mais um vez e quando o ar faltava a separação era mínima para recomeçarmos. O beijo era intenso mas não deixava vestígios de despedida. Era um tempo para me recuperar, colocar as ideias em ordem e nos ajeitarmos 


-Não vou demarcar nossa viagem para o Hawaii de acordo? - ele perguntou com a boca colada na minha 


-De acordo – sorri sentindo ele aprofundar o beijo 


-Também não vou embora agora, de acordo? - nos separamos rapidamente já com os lábios vermelhos 


-De acordo Efron – ri quando ele subiu na cama do hospital e deitou-se sobre mim sem colocar peso 


-E por último de acordo em ser beijada até ficar sem fôlego? - ele sorriu de lado e me perdi com seu jeito meigo e malicioso. Ele sabia que acabava comigo – prometo que faço pausas curtas 


-Aceito até sem pausas! 


-Não é uma recaída tudo bem? É só para matar a saudades – nem me preocupei em responder e só paramos quando o pessoal entrou novamente na sala. Ouvimos piadas de tudo quanto é jeito e quando apaguei soube que foi com um sorriso gigantesco no rosto 


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Espero que gostem do capitulo acima que pra mim é especial e um dos que mais gostei de escrever. Claro ainda não é um desfecho Zanessa, mas demonstra uma parte que acredito ser bem real quanto a relacionamentos. O lance de estar inteiro e se preocupar com o limite um do outro. Na historia vai ser o crescimento dos personagens para todos os climax vividos!


Volto com o próximo rápido e obrigada por acompanharem! :)



Capítulo 39

 - Nem em meus melhores sonhos te vi tão acabada assim – aquela luz infernal que queimava minha retina de tão clara foi acessa pela milésima vez

- Chega Austin. Deixa essa porcaria acessa

- Te incomoda princesa? – ele brincava com o apagador e eu fiquei quieta de tão cansada – estou pensando nas possibilidades de te dar um banho. Sua aparência está me dando repulsa – fiquei quieta novamente, lembrando que das outras vezes em que ele entrou estava bêbado e me agrediu até com uma pequena barra de ferro. Depois dela não conseguia respirar e apaguei diversas vezes nas outras – Me responda vadia – Nem sei onde ele bateu dessa vez. Confesso que o corpo anestesiado ajudava. Não sentia quase nada com a dormência. Evitei responder e ele saiu dessa vez deixando a luz acessa.

Meus pulsos já estavam calejados e não sei por quanto tempo fiquei os forçando para afrouxar o nó, mas consegui. Assim que sai da corda fui pro chão sentindo o corpo ruir. Não tinha forças para um combate corpo a corpo quando ele entrasse novamente e nem tinha ferramentas para me proteger. Na real nem em pé conseguia ficar. Com dificuldades escutei ele gritando do outro lado da porta, mas não entendi nada. Rastejei tentando virar o corpo e senti a exaustão ao parar de barriga pra cima com as mãos na costela tentando diminuir a dor.

Ele abriu a porta e por seus olhos soube que terminaria ali.

- Você acabou com a minha vida – ele se aproximava e eu não me mexia – está feliz agora? – ele gritou e eu não respondi. No automático ele apertou meus pulsos e eu gritei – eles não vão me pegar Vanessa – ele ria descontrolado - estão procurando no lugar errado. – tirou um revolver do terno e eu esperava o fim sem conseguir me mover – Vai ser no rosto – ouvi o som do gatilho sendo carregado

- Ainda dá tempo de fazer o certo – sussurrei

- Eu vou fazer – ele suava e eu desisti. Não era agora que ele me ouviria. Fechei os olhos e ouvi outra porta sendo aberta. Quando olhei só notei Austin sendo derrubado e apanhando

- Vanessa você está bem?

- Sr. David? – duvidei da minha visão

- Querida me perdoe por tudo – vi que ele chorava e estava ofegante – a policia já está vindo

- Como pôde? – Austin veio com a barra de ferro pra cima do pai o atingindo nas costas. O grito foi alto e logo estavam no chão novamente. Foram vários socos e chutes até se separarem cansados – como me achou?

- Você teve sorte de não ter o encontrado antes – David falava tentando recuperar o folego – você precisa de tratamento Austin

- Cala boca

- Olha o que fez – ele se levantou demonstrando o quão forte era – deveria ter te quebrado ao meio quando se tornou obcecado pela Vanessa. Chega dessa loucura.

- COMO ME ACHOU?? – ele gritava ainda querendo saber e eu estava na mesma posição só ouvindo e vendo algumas coisas

- Você é meu filho – ele falou sério – te encontraria de qualquer jeito

- Seu filho? Você não perde a chance de expressar o quanto desgosto tem por mim

- Você pisa nas pessoas Austin. Sempre pisou. – ele abaixou a cabeça limpando os olhos – me arrependo tanto de não ter te parado antes. Ter te corrigido e imposto limites. Hoje você seria diferente, teria caráter. Se tornaria homem

- Seria um fracasso se fosse como você

- Antes um fracassado honesto do que um criminoso que agride mulheres. Austin ainda dá tempo de se tratar. Se olhe no espelho e veja no que se tornou. Não me obrigue a machuca-lo

- Você fala como se pudesse

A briga se tornou feia novamente e eu tentei me levantar me apoiando na parede. Com muito custo e com as pernas bambas avistei um ponto de apoio em uma mesa e fui lentamente até ela. No reflexo do espelho que o cômodo tinha via Austin enforcar o pai que começava a ficar vermelho. Nunca fui covarde ou deixei de enfrentar meus medos e dado a minha situação querer sair dali era piada. Ao atravessar a porta ele me pegaria no jardim. Peguei um vaso enorme de cerâmica e usei tudo que tinha para quebra-lo em Austin que caiu desacordado

- Desculpe David – o olhei com o rosto inchado e ofegante pelo esforço descomunal

- Vem cá – ele correu e me segurou antes que eu caísse – não apague tudo bem?

- Ele vai acordar logo

- A policia deve estar próxima. Só precisamos chegar até meu carro – nos apoiamos um no outro e tentamos caminhar devagar. Assim que os primeiros passos foram dados todos já estavam estacionando o carro na entrada da casa. Senti o peito aquecer ao ver minha família ali embaixo me gritando e chorando. Estávamos próximas do reencontro era só descer o caminho de pedras e poderíamos nos abraçar. Vi Zac furando o bloqueio e correndo em minha direção. Sorri emocionada e estranhei quando ele parou e pareceu gritar desesperado. Só me dei conta do ocorrido quando tive que soltar David sem conseguir me manter em pé. Meu ombro queimava e tudo que via era sangue. Mais uma vez, outra e tudo que ouvia eram gritos que do nada cessaram.

Perdi os sentidos. Senti minha mão sendo apertada por Zac que dizia algo que não conseguia compreender. Foi só quando ele fez menção de tirar meu corpo do chão que senti uma dor insuportável que nem gritando cessaria

- Você tem que ser forte. Precisa ficar comigo – ouvi ele sussurrando com o rosto encostado em mim

- Sinto muito – sussurrei sem folego

- Não se mexe por favor, vai ficar tudo bem

- Vai sim – cedi a exaustão e fechei os olhos

- Amor por favor fica acordada – ele me apertava e eu não conseguia responder – fica comigo

- Até parece que não me conhece Efron – sussurrei com tranquilidade – estarei sempre com você

- Me prometa – era difícil definir a situação, as lágrimas salgadas caiam sobre meu rosto e me angustiava não conseguir responder. Na verdade não consegui nem ficar acordada.

Pov Zac

O hospital estava cheio de pessoas conhecidas e o semblante de todos era de tristeza. Vanessa saiu de ambulância e foi atendida por paramédicos até ir para sala de cirurgia. O tempo pra mim estava parado desde o barulho dos tiros a acertando. Minhas roupas estavam sujas de sangue e tremia com medo do que pudesse acontecer. Ela estava tão machucada que parecia errado pedir para que fosse forte.

- David também entrou para cirurgia – Monique

- A bala o atingiu nas costas e perfurou o pulmão – senti o estomago embrulhar imaginando a dor

- Como tudo ficou tão trágico?

- A policia dominou Austin e o levou para fazer exames psiquiátricos. Não vai ser solto independente do que aconteça – Chris

- Não estou com cabeça para pensar nele. Nem pra sentir raiva. Vanessa está lá dentro tendo que lutar pela vida e eu não posso fazer nada. Stella e Gina estão inconsoláveis e mais uma vez também não posso fazer nada. No momento ele só é alguém que quero esquecer que existe – ficamos em silêncio esperando por notícias.

O tempo passava e nada. Ninguém arredava o pé de lá ou se pronunciava. Quando Dr. Lewis surgiu todos estavam apreensivos.

- O estado da Vanessa é grave – ele foi rápido nos fazendo prender o fôlego – retiramos duas balas arrojadas na parte superior do corpo e a que se encontra no abdômen não poderá ser removida até que a mesma fique estável. A perda de sangue tem sido grande e alguns ferimentos do corpo foram causados por venenos encontrados em corais marinhos. Pedi a transferência para um hospital especialista em traumas e ferimentos com arma de fogo. É nossa melhor alternativa

- Quais as chances doutor e não ouse mentir pra mim – Gina

- Não são boas – ele abaixou o olhar – ela esta sedada e assim permanecerá até ser avaliada pelo especialista. Estamos fazendo transfusões e vendo quais são os danos nos tecidos causados pelo veneno. Ela ainda está aqui – ele olhou Gina com pesar – faremos o possível.

Liguei para Dylan para ter uma referência melhor do quadro e soube que ele faria parte da equipe que atenderia a Vanessa na nova transferência. Com toda estrutura montada ela foi transferida e o acesso a informações ficou restrito somente a Gina e Stella.

Fui com meus pais para casa para um banho rápido e voltei para o hospital ficando do lado de fora quando Stella veio

- Conseguimos colocar você na nossa sala de espera

- Obrigado!

- Disseram que o veneno dos corais foi neutralizado e os ferimentos vão cicatrizar com mais facilidade. Ela tomou algumas bolsas de sangue e pela madrugada vai entrar em cirurgia para tirar a bala do abdômen

- Quanto tempo de cirurgia?

- Pelo menos 4 horas. O ortopedista vai estar junto para analisar as lesões ósseas que vão desde a costela até os pés – ela suspirou e eu engoli o nó na garganta – o estado é bem frágil Zac – ela deixou os olhos molharem e a puxei para um abraço

- Ela vai ficar bem

- Como pode ter certeza?

- Ela prometeu que não me abandonaria. E por mais que eu tenha ido – a olhei emocionado – ela pelo menos sempre cumpriu suas promessas

- Vamos sentar lá dentro. Daqui a pouco o Eric chega também e quero que a minha mãe coma alguma coisa

Dormi no sofá desconfortável de lá e a única imagem que me vinha a mente era seu sorriso. Prometi a mim que enquanto estivesse vivo faria de tudo para que ela nunca mais o tirasse do rosto.

Vanessa estava desacordada há 10 dias em coma induzido. Podíamos visita-la uma vez ao dia e neste momento estava com ela no quarto

- É engraçado que desde que entrou neste hospital não tenha feito um dia de Sol. Parece que até ele tem esperado você acordar para brilhar de novo – me sentei na poltrona do lado e segurei sua mão direita que estava com acessos e soros – há o Sr. David já esta fora de perigo – sorri imaginando ela aliviada ao ouvir – ele vai poder ir para casa logo, logo! – silêncio

- Amor – falei baixinho – sei que não posso pedir muito – respirei fundo – é que é agonizante pensar que quanto mais tempo você dorme menor a chance de acordar. Dylan tem tentando me manter otimista, mas vejo que ele também está preocupado. Quero que saiba que independente do que acontecer eu vou estar aqui segurando suas mãos e caso queira saber remarquei nossa viagem de lua de mel – a olhei e não tive nenhum sinal – vamos nos casar assim que acordar e ir para o Hawaii. Vou te ensinar a surfar lá – sorri e me endireitei com a entrada da enfermeira no quarto

- Como estamos hoje rapaz?

- Na mesma Liza! Tenho falado muito e ela ouvido!

- Os médicos trocaram a dosagem do sedativo. Ela vai acordar – me alegrei com a certeza que ela deu

- Obrigado pela forma que tem cuidado dela

- Essa menina me lembra muito minha filha! – ela abaixou os óculos e me olhou – tem muito pra viver

- Tem sim

- Quer ajudar a trocar o curativo?

- Claro – me prontifiquei aprendendo como fazer a higienização e troca

- Olha como tem cicatrizado – ela apontava para o ombro atingido pelo tiro – existe possibilidade do sinal ser mínimo

- Melhorou muito desde a última semana

- Sim e quando ela acordar você vai poder ajuda-la com isso! No abdômen ainda temos pontos e por ser recente você vai ter que limpar várias vezes durante o dia – molhei as gazes na solução que ela mostrou e fui com cuidado passando por cima do ferimento – cuidado com a força – me concentrei – isso! Agora coloca a cinta para as costelas – fiz todo o procedimento – maravilha Zac!

- Ficou bom?

- Excelente! Agora você e Gina podem fazer as trocas! Stella passou mal quanto ensinei – rimos – vou ir para o próximo quarto. Volto de tarde para refazermos o processo

- Fechado!

Fiquei o resto da visita por lá e quando fui expulso do quarto me despedi com um beijo na testa


Capitulo 38

 - Trouxe água – aquela luz que me cegava foi acessa novamente e eu já estava no limite.

- Austin, estou passando mal – falei a verdade com o corpo quase que todo dormente

- Já conversamos sobre isso. Você não vai sair daqui

- Não é encenação  – tentei segurar a ânsia e não consegui

- Que merda Vanessa – ele gritou e me chegou a faltar ar com o vômito. Com a luz acessa e o reflexo de um espelho de parede notei um corte na cabeça que pingava. Meus lábios estavam sem cor e suava frio. Não era febre e deduzi que o ferimento tivesse ocorrido entre as ondas enquanto estava desacordada. – Você vai ficar em cima disso esta ouvindo? – ele jogou o copo de água no meu rosto e saiu apagando a luz novamente.

Depois que saiu perdi a conta de quantas vezes vomitei sentindo o corpo cada vez mais fraco. Já não sabia se estava acordada ou em alguma alucinação. Vozes ecoavam na cabeça e o escuro do quarto deixava a imaginação sombria.  As forças para desamarrar as cordas eram inexistentes e sinceramente a pele viva dos braços mostravam que não podia fazer mais tentativas. Algumas lágrimas surgiram e com raiva engoli o nó na garganta. Ele não me veria chorar. Me encostei na parede tentando não desistir e torcendo para que Zac estivesse bem.

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Depois que Gina e Stella chegaram a casa foi enchendo  e logo a polícia estava lá. Ashley, Chris, Monique e Corbin também chegaram no início da noite.

- Calma cara, vamos encontra-la – Dylan

- Estou com medo – o olhei com os olhos embargados – ela não merece isso – chorei desesperado depois de voltar de mais uma busca sem notícias

- Não pense em coisas ruins – ele me abraçou – Vanessa é forte e New York inteira esta atrás dela. Ela vai aparecer.

- Cada minuto que passa ela pode estar indo mais pra longe. Ele pode estar a machucando  - comecei a falar sem parar e ele me parou

- Esses pensamentos não vão ajudar. Se concentre só em encontra-la. Austin deve ter deixado rastros

- Não consigo ficar aqui

- E vai pra onde?

- Dar um volta pelos lugares que ela já comentou, preciso me sentir útil

- Vou junto

- Dylan preciso que fique e dê apoio a Gina e Stella. Você é médico e a dona Gina esta para ter um ataque

- Então eu vou com você

- Ashley?

- Você não é o único que precisa se sentir útil. É a da minha irmã de alma que estamos falando e se Austin está com ela eu juro pra você vou até o inferno encontra-lo

- Okay, vocês podem ir, mas olhem ao redor e vejam que todos estão assim. Tenham juízo e não tornem isso mais complicado do que já é

- Te mantenho informado

- Vai com meu carro – pegamos a chave e saímos em silêncio. Ashley falava alguns pontos da cidade e verificávamos um a um atrás de alguma pista. Ficamos rodando até parte da madrugada até encostarmos

- Preciso de outra localização

- Zac já fomos em todos os lugares que conhecia – ela suspirou e eu apertei o volante com força

- merda – senti o peito arder e ela recebeu uma mensagem

- Vai para a praia Leste

- Como assim?

- Oliver chegou a cidade e passou a ultima localização do celular dela

- Mas como ele conseguiu se o celular esta desligado e se ele conseguia fazer isso por que não mandou antes?

- Ele precisava estar aqui Zac. Não me pergunte sobre essas coisas que não sei como funcionam. Só vamos até lá e depois podemos entender – dirigi rápido

- É a camionete

- Tem certeza?

- Tenho! – parei ao lado com os faróis altos acessos e descemos olhando ao redor com cuidado. A polícia já estava a caminho. – é a blusa dela

- O  carro está intacto

- É só travado – Ashley rodava o veículo

- Ela não chegou a entrar no carro, o que quer que tenha acontecido foi feito na praia, vou andar pela areia e ver se encontro alguma coisa

- Vai com cuidado Zac

- Estou com a lanterna do celular... fica com a chave do carro e qualquer coisa me espera ai dentro

- Ta bom

Fui andando beira mar e vez e outra a chamava na esperança de ouvi-la. Depois de uns 15 minutos me sentei exausto

- Por favor Hudgens... qualquer sinal – fiz uma prece olhando o céu nublado e a Ashley chegou ao meu lado

- Precisamos ir..

- Pra onde? – perguntei desanimado

- Pra casa Zac. Vamos congelar se ficarmos aqui

- Não quero ir

- Ande, nossas chances melhoraram com Oliver aqui

- Oliver – repeti amargurado – pra mim ele não vale nada. Tudo isso seria evitado se ele tivesse conseguido parar Austin antes. Não confio nele

- Sei que o momento é difícil – ela suspirou – Oliver é confiável acredite

- Como me garante? Como sabe que ele não acobertou Austin durante esse tempo todo? Quando precisávamos dele onde ele estava?

- Oliver é fiel a Vanessa. Os dois são amigos de longa data e ele é uma das poucas pessoas que coloco a mão no fogo

- Vai se queimar Ashley

- Vanessa salvou a vida de Oliver quando eram adolescentes. Foi assim que se conheceram. Oliver estava levando uma surra da galera do Austin por ser gay,  então acredite se houver um jeito honesto de coloca-lo atrás das grades ele mais do que ninguém está trabalhando nisso

- Desculpe...

- É normal duvidarmos de todos e de tudo – ela segurou minha mão – não desista

- Nunca. Só é frustrante voltar a estaca zero

- Quem foi que disse que voltamos ao zero?

- Oliver!! – ela levantou o abraçando e me perguntei de onde ele havia saído

- Vocês estavam tão entretidos que não nos ouviram chegar

- Nos? – perguntei olhando para trás e vendo várias viaturas por ali

-Você deve ser o Efron. É um prazer conhece-lo – ele ofereceu a mão e por momentos relutei em aceitar – estou do seu lado cara

- Me prove

- Vamos traze-la de volta. E temos pistas de câmeras dele a pegando desacordada aqui

- Aqui?

- Sim exatamente no ponto que você esta sentando

- Ele foi pra onde?

- Aqui é o trecho final da praia. Mais pra frente temos duas estradas velhas que ligam a um bairro local. Já estamos com as viaturas por lá. Bateremos de porta em porta até encontra-la  - ele ofereceu a mão novamente – Vanessa é um anjo na minha vida. Sei que ela não deve ter contato, mas é a madrinha dos meus filhos. Filhos estes que só pude ter por ela me salvar várias vezes de Austin – apertei sua mão selando paz

- Então me ajude a salvar os meus

- Ela está gravida? – ele ficou petrificado assim como Ashley

- Ainda não... mas só vai poder ficar se a tirarmos de lá – sorri sentindo a esperança crescer de novo

 -Feito!

Começamos as buscas pelo bairro e já havia amanhecido a um tempo. Era por volta das 09 horas quando tivemos uma noticia.

- Austin foi visto indo de barco até a ilha privada daqui.

- E agora?

- Já estão cercando a ilha. Precisamos esperar....

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Oie Ge!! Não irei embora sem terminar a fic :) Garanto e inclusive estou pensando em postar outra que encontrei em rascunhos ( por enquanto só pensando mesmo haha ) mas como sempre é otimo te-la aqui. Bjos!!

Capitulo 37

 Acordei com os olhos pesados e sem saber onde estava. Na verdade, não estava vendo nada e meu corpo estava dolorido. Tentei me mexer e não consegui. Passei um tempo tentando retomar o controle do corpo e me desesperei ao perceber que estava literalmente presa por algo. A textura era diferente da areia e aliás onde estava os barulhos das ondas?

- Fique quieta Vanessa – a voz era conhecida, no entanto o momento não permitiu a identificação. Uma luz foi acessa e precisei forçar os olhos para focar em algo – vai se machucar desse jeito

- Como vim parar aqui?! – olhei ao redor me vendo em um quarto pequeno e reconhecendo Austin meio turvo

- Tenho pessoas que ficam de olho em você e confesso que te encontrar quase morta na praia foi uma desilusão

- Me solta Austin – vi que estava presa com cordas que machucavam minha pele já ferida

- Tive que amarrar com força para garantir que estivesse segura

- Você enlouqueceu? – perguntei cansada – perdeu noção da realidade?

- Eu avisei que você não deveria se envolver mais com o Efron

- Do que esta falando? – perguntei realmente confusa e com a cabeça explodindo. Quanto mais forçava minha vista ou tentava lembrar de algo ontem o lapso mental esvaziava minha mente

- Não se finja de idiota – ele ficou em silêncio sentado a minha frente – ele está vindo atrás de você – senti um arrepio percorrer pelo corpo e fiquei quieta – como dizem, você é difícil de esquecer – engoli em seco me sentindo pela primeira vez em perigo

- Não converso com ele desde o término não sei do que está falando...

- Ele deve chegar por aqui nas próximas horas

- Quem disse que ele está atrás de mim? Zac tem a família aqui – falei atordoada, tentando me soltar de novo

- É uma hipótese – ele pareceu pensar – se for o caso você ficará em segurança

- Patético e criminoso. O que ganha me mantendo aqui? E por que as cordas?

- Garota você não entende né? – ele levantou e chegou perto do meu rosto o segurando com uma força completamente desnecessária – você me humilha de todas as formas possíveis – não consegui virar o rosto ou me proteger do tapa ardido que levei. Não foi pronunciado nenhum som e ao sentir minha pele arder só consegui o encarar com raiva

- Cuidado Austin – o olhei com repulsa sem expressar o quanto havia doído – não demonstre o quão canalha e covarde você é. É fácil me agredir quando não posso me defender. Me solte – falei fria e sem paciência. Foi terminar de falar para levar outro e ver o sangue pingar no chão. O anel da mão direita havia pego na bochecha e cortado. Fechei os olhos com força sentindo os batimentos acelerarem

- Você não está no controle Vanessa - abri os olhos quando ele pegou com força meu pescoço – depois que descobri que posso atingi-la a vida fez mais sentindo

- Deprimente – sorri com raiva – você é digno de dó – vi ele recuar e continuei – não sei se ficou doente ou se já era Austin. Só aconselho que pare antes que seja tarde – disse baixo sentindo as vistas escurecerem. Não era pelo aperto no pescoço em si, mas havia algo de errado

- Você me deixou assim

- Não – suspirei – eu não tenho nada a ver com isso.

- Lembra quando disse que não poderia me amar? Que não havia espaço para nós? É engraçado que isso só se aplique a mim. Você esteve com Ian e Paul

- Não que lhe diga a respeito, mas não aconteceu nada. Seu problema era só com Zac se lembra? – ironizei no limite de querer gritar e sentindo uma repulsa quase incontrolável no estômago

- Não me faça de palhaço – ele veio de novo e eu esperei mais uma agressão firme. Não aconteceu e para garantir não me acuei

- Sou livre Austin. Posso estar com quem quiser e quantos quiser que ninguém vai ter nada com isso. Não é me machucando ou prendendo que vai reverter isso. Eu não tenho medo

- Pois deveria ter. Já tirei seus bens e seu pai. Não me custa tirar a sua vida.

- Não ameace – o olhei fixamente – se for fazer pare com o teatro e faça – tentei soar firme mesmo tremendo por dentro – essa merda toda só me faz te odiar

- O sentimento é mútuo. E fique tranquila – ele pegou um lenço do bolso e limpou a mão que estava com sangue – ainda tenho dúvidas de que Zac tenha vindo te encontrar. Se for o caso o trarei para cá e farei você sentir medo.  – Ferrou, pensei com o corpo todo em alerta.

Ele saiu do quarto deixando tudo escuro novamente e me desesperei com a hipótese dele pegar o Zac. Me xinguei até o último por ser descuidada e por estar ali. As cordas estavam prendendo meu pulso e estavam cortando de tão apertadas. A ânsia no estomago não cessava e meu corpo tremia. Tentei respirar e entender o que estava acontecendo. Será que ele havia me drogado? Era algo tão ruim e novo que não sabia se conseguiria ficar de pé e para piorar não tinha certeza se aquele quarto era da sua casa ou de algum outro lugar, mas precisava sair dali. Gritar não seria uma opção e ainda o deixaria mais confortável com o cenário. Precisava me manter acordada para mantê-lo estável.

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POV Stella

- Mãe ela deve estar chegando

- Ela sempre me atendeu. Já liguei para todo mundo e nada Stella

- Podemos ir até a padaria e ver se alguém tem noticias – sugeri completamente preocupada  com o sumiço da Nessa. Já se passavam do 12:00 e minha mãe estava inquieta desde que acordou

Com a minha sugestão pegamos o carro e saímos com o tempo ruim a sua procura. Rodamos por todos os lugares próximos ao bairro e centro e nada. Já eram duas horas quando paramos em frente a outra padaria e questionávamos a todos os presentes se tinham a visto por ali. Sem notícias nos sentamos pedindo um café para pensarmos

- Algum problema Stella? – me virei e me surpreendi ao ver Cole por ali

- Cole pelo amor de Deus, a Vanessa veio para cá ontem e ninguém da padaria a viu – nem o cumprimentei  e já o encarei esperando alguma  noticia boa – Por favor diz que a viu por aqui

- Na padaria ela não chegou a entrar! Me encontrei com ela na frente  da Le Bain

- E onde ela está? – minha mãe levantou o intimidando

- Não sei sra... conversamos por um tempo e depois Ian e Paul estavam com ela – fiquei estática e minha mãe branca.

- Então ela não saiu?

- Stella você conhece sua irmã! Logo ela aparece – ele falou descontraído e eu tive raiva

- É justamente por conhece-la que estou aqui. Ela não voltou e não tem atendido ligações. Alguma coisa aconteceu – não sei se pelo meu tom eu pela olhada da minha mãe ele pareceu entender que algo tinha acontecido

- Desculpe... posso perguntar para o seguranças se sabem de algo

- Stella ligue para o Paul e veja se ele tem noticias e você rapaz me leve junto. É agora que acho minha filha

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- Zac que bom que veio – minha mãe me apertou  quando batia a porta . Tive tempo de avisa-la que estava vindo – você está todo molhado

- O tempo virou de repente e a geada me pegou desprevenido

- Ande vá tomar banho. Seu pai já está chegando e eu vou fazer uma sopa pra você

Não reclamei só subi e tomei uma ducha quente. Meu corpo estava pesado e soube que o resfriado seria inevitável.

- Melhor?

- Minha cabeça doí um pouco – ela colocou uma sopa quente na mesa e me sentei tomando

- Não posso descrever o quão errado é você vir sem blusa para cá! Ainda mais de moto

- Precisava vir rápido mãe

- E o que houve?

- Quero encontrar a Vanessa

- Como assim encontrar a Vanessa? Pensei que estavam junto spor lá

- Tivemos alguns contra tempos e ela precisou voltar...

- O que aconteceu? – ela baixou os óculos esperando algo mais conclusivo

- É complicado mãe, não gostaria de falar neste momento.

- Vocês brigaram?

- Terminamos

- Como é que é?? – ela elevou o tom e me fitou com os olhos cerrados

- Não foi algo que quis fazer - tentei me proteger do seu julgamento

- Ninguém termina porque não quer. Você me garantiu que se casaria,. Nos apresentou como sua noiva. A trouxe para casa e conhece as regras dessa casa – ela foi extremamente agressiva com a postura e soube que não teria para onde correr

- Não sou mais um adolescente – disse a encarando

- Então não se porte como um – ela frizou – respeito Zachary. Tudo se baseia em respeito. O que fez com a Vanessa?

- Por que insinua que fui eu?

- Conheço quando uma mulher esta amando e ela tinha em você um porto seguro . Ela não terminaria e ao menos que você queira uma guerra me conte tudo que esta escondendo – suspirei sabendo que nunca conseguiria passar minha mãe para trás. Sem opções me abri de toda situação e contei tudo que tínhamos passado até o momento. Desabafei e não me importei em parecer vulnerável.

- Vamos na polícia agora, você não pode deixar ela passar por isso sozinha

- Mãe eu estou aqui. Eu a amo de todas as formas. Entende que  doí não poder me aproximar?

- Por que não me contou antes?

- Achei que pudesse seguir em frente e resolver a situação sozinho

- Filho se o rapaz é perigoso você devia ter contado. Imagina ela agora sozinha

- Não fala isso mãe – apertei a mão sobre o peito – deixa-la foi necessário. Ele iria machuca-la se ficássemos juntos

- E os pais desse homem? Nada fazem?

- Ele é louco. Demitiu o próprio pai e a mãe não é melhor que ele...

- Todo pai sabe corrigir um filho – ela foi firme e me senti confortável com a segurança que ela passou – vocês podem crescer e serem independentes, mas todo pai sabe onde mexer quando é necessário.

- Não estou certo disso

- Acredite se a mãe não presta o pai vai corrigir! Se ele não corrigir com meu filho e minha nora é que ele não mexe

- Poxa isso pode ficar divertido no final das coisas – ri com a postura séria dela

- Sabe que mesmo velha se for necessário ainda lhe puxo a orelha

- Tenho certeza disso – entreguei com sinceridade e nos levantamos ao ouvir a campainha tocando

- Termine de comer e logo já terminamos essa conversa – ela ordenou e eu obedeci me sentando de novo

- Gina!? – ao ouvir o nome da minha sogra pulei da cadeira me aproximando

- Stella? O que estão fazendo aqui? – fui repreendido pelo olhar da minha mãe  - desculpem entrem por favor

- Zac estávamos atrás de você mesmo – Gina me olhou de forma intensa e vi em sua feição que algo estava errado

- Cadê a Vanessa?



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Gente boa noite!! Estamos com atrasos nas postagens devido minha agenda de trabalho e nessa reta final possívelmente os capitulos serão mais espaçados. Estou tentando adiantar o próximo, mas seguiremos firmes até o final da Fic :)