- Nem em meus melhores sonhos te vi tão acabada assim – aquela luz infernal que queimava minha retina de tão clara foi acessa pela milésima vez
- Chega Austin. Deixa essa porcaria acessa
- Te incomoda princesa? – ele brincava com o apagador e eu fiquei quieta de tão cansada – estou pensando nas possibilidades de te dar um banho. Sua aparência está me dando repulsa – fiquei quieta novamente, lembrando que das outras vezes em que ele entrou estava bêbado e me agrediu até com uma pequena barra de ferro. Depois dela não conseguia respirar e apaguei diversas vezes nas outras – Me responda vadia – Nem sei onde ele bateu dessa vez. Confesso que o corpo anestesiado ajudava. Não sentia quase nada com a dormência. Evitei responder e ele saiu dessa vez deixando a luz acessa.
Meus pulsos já estavam calejados e não sei por quanto tempo fiquei os forçando para afrouxar o nó, mas consegui. Assim que sai da corda fui pro chão sentindo o corpo ruir. Não tinha forças para um combate corpo a corpo quando ele entrasse novamente e nem tinha ferramentas para me proteger. Na real nem em pé conseguia ficar. Com dificuldades escutei ele gritando do outro lado da porta, mas não entendi nada. Rastejei tentando virar o corpo e senti a exaustão ao parar de barriga pra cima com as mãos na costela tentando diminuir a dor.
Ele abriu a porta e por seus olhos soube que terminaria ali.
- Você acabou com a minha vida – ele se aproximava e eu não me mexia – está feliz agora? – ele gritou e eu não respondi. No automático ele apertou meus pulsos e eu gritei – eles não vão me pegar Vanessa – ele ria descontrolado - estão procurando no lugar errado. – tirou um revolver do terno e eu esperava o fim sem conseguir me mover – Vai ser no rosto – ouvi o som do gatilho sendo carregado
- Ainda dá tempo de fazer o certo – sussurrei
- Eu vou fazer – ele suava e eu desisti. Não era agora que ele me ouviria. Fechei os olhos e ouvi outra porta sendo aberta. Quando olhei só notei Austin sendo derrubado e apanhando
- Vanessa você está bem?
- Sr. David? – duvidei da minha visão
- Querida me perdoe por tudo – vi que ele chorava e estava ofegante – a policia já está vindo
- Como pôde? – Austin veio com a barra de ferro pra cima do pai o atingindo nas costas. O grito foi alto e logo estavam no chão novamente. Foram vários socos e chutes até se separarem cansados – como me achou?
- Você teve sorte de não ter o encontrado antes – David falava tentando recuperar o folego – você precisa de tratamento Austin
- Cala boca
- Olha o que fez – ele se levantou demonstrando o quão forte era – deveria ter te quebrado ao meio quando se tornou obcecado pela Vanessa. Chega dessa loucura.
- COMO ME ACHOU?? – ele gritava ainda querendo saber e eu estava na mesma posição só ouvindo e vendo algumas coisas
- Você é meu filho – ele falou sério – te encontraria de qualquer jeito
- Seu filho? Você não perde a chance de expressar o quanto desgosto tem por mim
- Você pisa nas pessoas Austin. Sempre pisou. – ele abaixou a cabeça limpando os olhos – me arrependo tanto de não ter te parado antes. Ter te corrigido e imposto limites. Hoje você seria diferente, teria caráter. Se tornaria homem
- Seria um fracasso se fosse como você
- Antes um fracassado honesto do que um criminoso que agride mulheres. Austin ainda dá tempo de se tratar. Se olhe no espelho e veja no que se tornou. Não me obrigue a machuca-lo
- Você fala como se pudesse
A briga se tornou feia novamente e eu tentei me levantar me apoiando na parede. Com muito custo e com as pernas bambas avistei um ponto de apoio em uma mesa e fui lentamente até ela. No reflexo do espelho que o cômodo tinha via Austin enforcar o pai que começava a ficar vermelho. Nunca fui covarde ou deixei de enfrentar meus medos e dado a minha situação querer sair dali era piada. Ao atravessar a porta ele me pegaria no jardim. Peguei um vaso enorme de cerâmica e usei tudo que tinha para quebra-lo em Austin que caiu desacordado
- Desculpe David – o olhei com o rosto inchado e ofegante pelo esforço descomunal
- Vem cá – ele correu e me segurou antes que eu caísse – não apague tudo bem?
- Ele vai acordar logo
- A policia deve estar próxima. Só precisamos chegar até meu carro – nos apoiamos um no outro e tentamos caminhar devagar. Assim que os primeiros passos foram dados todos já estavam estacionando o carro na entrada da casa. Senti o peito aquecer ao ver minha família ali embaixo me gritando e chorando. Estávamos próximas do reencontro era só descer o caminho de pedras e poderíamos nos abraçar. Vi Zac furando o bloqueio e correndo em minha direção. Sorri emocionada e estranhei quando ele parou e pareceu gritar desesperado. Só me dei conta do ocorrido quando tive que soltar David sem conseguir me manter em pé. Meu ombro queimava e tudo que via era sangue. Mais uma vez, outra e tudo que ouvia eram gritos que do nada cessaram.
Perdi os sentidos. Senti minha mão sendo apertada por Zac que dizia algo que não conseguia compreender. Foi só quando ele fez menção de tirar meu corpo do chão que senti uma dor insuportável que nem gritando cessaria
- Você tem que ser forte. Precisa ficar comigo – ouvi ele sussurrando com o rosto encostado em mim
- Sinto muito – sussurrei sem folego
- Não se mexe por favor, vai ficar tudo bem
- Vai sim – cedi a exaustão e fechei os olhos
- Amor por favor fica acordada – ele me apertava e eu não conseguia responder – fica comigo
- Até parece que não me conhece Efron – sussurrei com tranquilidade – estarei sempre com você
- Me prometa – era difícil definir a situação, as lágrimas salgadas caiam sobre meu rosto e me angustiava não conseguir responder. Na verdade não consegui nem ficar acordada.
Pov Zac
O hospital estava cheio de pessoas conhecidas e o semblante de todos era de tristeza. Vanessa saiu de ambulância e foi atendida por paramédicos até ir para sala de cirurgia. O tempo pra mim estava parado desde o barulho dos tiros a acertando. Minhas roupas estavam sujas de sangue e tremia com medo do que pudesse acontecer. Ela estava tão machucada que parecia errado pedir para que fosse forte.
- David também entrou para cirurgia – Monique
- A bala o atingiu nas costas e perfurou o pulmão – senti o estomago embrulhar imaginando a dor
- Como tudo ficou tão trágico?
- A policia dominou Austin e o levou para fazer exames psiquiátricos. Não vai ser solto independente do que aconteça – Chris
- Não estou com cabeça para pensar nele. Nem pra sentir raiva. Vanessa está lá dentro tendo que lutar pela vida e eu não posso fazer nada. Stella e Gina estão inconsoláveis e mais uma vez também não posso fazer nada. No momento ele só é alguém que quero esquecer que existe – ficamos em silêncio esperando por notícias.
O tempo passava e nada. Ninguém arredava o pé de lá ou se pronunciava. Quando Dr. Lewis surgiu todos estavam apreensivos.
- O estado da Vanessa é grave – ele foi rápido nos fazendo prender o fôlego – retiramos duas balas arrojadas na parte superior do corpo e a que se encontra no abdômen não poderá ser removida até que a mesma fique estável. A perda de sangue tem sido grande e alguns ferimentos do corpo foram causados por venenos encontrados em corais marinhos. Pedi a transferência para um hospital especialista em traumas e ferimentos com arma de fogo. É nossa melhor alternativa
- Quais as chances doutor e não ouse mentir pra mim – Gina
- Não são boas – ele abaixou o olhar – ela esta sedada e assim permanecerá até ser avaliada pelo especialista. Estamos fazendo transfusões e vendo quais são os danos nos tecidos causados pelo veneno. Ela ainda está aqui – ele olhou Gina com pesar – faremos o possível.
Liguei para Dylan para ter uma referência melhor do quadro e soube que ele faria parte da equipe que atenderia a Vanessa na nova transferência. Com toda estrutura montada ela foi transferida e o acesso a informações ficou restrito somente a Gina e Stella.
Fui com meus pais para casa para um banho rápido e voltei para o hospital ficando do lado de fora quando Stella veio
- Conseguimos colocar você na nossa sala de espera
- Obrigado!
- Disseram que o veneno dos corais foi neutralizado e os ferimentos vão cicatrizar com mais facilidade. Ela tomou algumas bolsas de sangue e pela madrugada vai entrar em cirurgia para tirar a bala do abdômen
- Quanto tempo de cirurgia?
- Pelo menos 4 horas. O ortopedista vai estar junto para analisar as lesões ósseas que vão desde a costela até os pés – ela suspirou e eu engoli o nó na garganta – o estado é bem frágil Zac – ela deixou os olhos molharem e a puxei para um abraço
- Ela vai ficar bem
- Como pode ter certeza?
- Ela prometeu que não me abandonaria. E por mais que eu tenha ido – a olhei emocionado – ela pelo menos sempre cumpriu suas promessas
- Vamos sentar lá dentro. Daqui a pouco o Eric chega também e quero que a minha mãe coma alguma coisa
Dormi no sofá desconfortável de lá e a única imagem que me vinha a mente era seu sorriso. Prometi a mim que enquanto estivesse vivo faria de tudo para que ela nunca mais o tirasse do rosto.
Vanessa estava desacordada há 10 dias em coma induzido. Podíamos visita-la uma vez ao dia e neste momento estava com ela no quarto
- É engraçado que desde que entrou neste hospital não tenha feito um dia de Sol. Parece que até ele tem esperado você acordar para brilhar de novo – me sentei na poltrona do lado e segurei sua mão direita que estava com acessos e soros – há o Sr. David já esta fora de perigo – sorri imaginando ela aliviada ao ouvir – ele vai poder ir para casa logo, logo! – silêncio
- Amor – falei baixinho – sei que não posso pedir muito – respirei fundo – é que é agonizante pensar que quanto mais tempo você dorme menor a chance de acordar. Dylan tem tentando me manter otimista, mas vejo que ele também está preocupado. Quero que saiba que independente do que acontecer eu vou estar aqui segurando suas mãos e caso queira saber remarquei nossa viagem de lua de mel – a olhei e não tive nenhum sinal – vamos nos casar assim que acordar e ir para o Hawaii. Vou te ensinar a surfar lá – sorri e me endireitei com a entrada da enfermeira no quarto
- Como estamos hoje rapaz?
- Na mesma Liza! Tenho falado muito e ela ouvido!
- Os médicos trocaram a dosagem do sedativo. Ela vai acordar – me alegrei com a certeza que ela deu
- Obrigado pela forma que tem cuidado dela
- Essa menina me lembra muito minha filha! – ela abaixou os óculos e me olhou – tem muito pra viver
- Tem sim
- Quer ajudar a trocar o curativo?
- Claro – me prontifiquei aprendendo como fazer a higienização e troca
- Olha como tem cicatrizado – ela apontava para o ombro atingido pelo tiro – existe possibilidade do sinal ser mínimo
- Melhorou muito desde a última semana
- Sim e quando ela acordar você vai poder ajuda-la com isso! No abdômen ainda temos pontos e por ser recente você vai ter que limpar várias vezes durante o dia – molhei as gazes na solução que ela mostrou e fui com cuidado passando por cima do ferimento – cuidado com a força – me concentrei – isso! Agora coloca a cinta para as costelas – fiz todo o procedimento – maravilha Zac!
- Ficou bom?
- Excelente! Agora você e Gina podem fazer as trocas! Stella passou mal quanto ensinei – rimos – vou ir para o próximo quarto. Volto de tarde para refazermos o processo
- Fechado!
Fiquei o resto da visita por lá e quando fui expulso do quarto me despedi com um beijo na testa
O AUSTIN FOI PEGO, NÃO ACREDITO 🎉🎉🎉🎉🎉
ResponderExcluirEsperei tanto por isso 😭😭💜
Que dor, a Vanessa sofreu até na hora de se livrar do embuste, o que me conforta é saber que os machucados estão cicatrizando. Espero que ela acorde 😢, ela merece muito ser feliz com o Zac.
Muitas emoções nesse capítulo, o pai do Austin realmente foi decisivo, ir contra o filho daquela forma e arriscar a própria vida...bem heróico!
Ansiosa pelo final🙌🏾