Pov Gina
- No dia que tiramos essa foto você fez seu pai chamar o corpo de bombeiros inteiro para montar seu balanço na árvore – sequei os olhos e guardei as fotos impressas na caixa
- Me diverti muito quando me levaram para dar uma volta no caminhão – senti meu peito explodir e imaginei estar alucinando mais uma vez. Olhei para a cama e seus olhos estavam abertos e ela com um pequeno sorriso nos lábios – Vanessa? – perguntei com medo de ser mais um sonho
- Oi mãe – a agarrei com toda força que tinha
- não consigo respirar – estava chorando e não me mexia – mãe tá doendo – a apertei mais um pouco – MÃE – e saltei com o susto
- Ai meu Deus desculpa – corri com um livro para abana-la já que estava vermelha
- Preciso de água
- Calma querida - peguei o copo tremendo e derramei metade sobre ela que riu fazendo caretas
- Não consigo dizer um ponto do meu corpo que não esteja doendo
- Vou chamar o médico. Consegue ficar acordada? – meu desespero era evidente tamanha emoção
- Se acalme – ela sussurrou – estou aqui e pretendo estar por muito tempo viu – ela sorriu fraca
- Tive tanto medo de te perder
- Já passou! Logo estaremos em casa juntas. Prometo que a senhora nunca mais vai passar por isso
- Minha menina – a abracei de novo com medo até de sair do quarto. E de fato não sai. Ela mesmo com dor teve toda paciência do mundo e soube que eu precisava desse tempo para saber que era real
- Tudo bem mãe?
- Sim! Agora posso ir chamar o médico de verdade – rimos um pouco – me espera ta?
- Não vou dormir, garanto!
Pov Vanessa
Me ajeitei na cama e suspirei sentindo a cabeça latejar. Ainda estava meio grogue e sem noção de espaço e por isso não atrevi a me mexer
- Vanessa!!
- Dylan! – sorri com seu entusiasmo
- Consegue se mexer?
- Não muito... – demonstrei que de controle mesmo só tinha os dedos
- Não se esforce – ele veio rápido – vou examina-la e já te explico tudo que aconteceu
- Tudo bem obrigada – fiz teste motores, mentais, vocais e confesso que me cansei bem rápido
- Incrível! Seu corpo respondeu a tudo muito bem
- Mesmo?
- Dentro das condições claro – ele sorriu terno – estamos com 6 costelas quebradas, tímpano direito perfurado. Perna direita quebrada e fora isso foram 3 tiros que ainda estão sendo cicatrizados
- Não sei o que dizer
- É – ele passou a mão no cabelo – e teve também ferimentos por corais venenosos. Suponho que tenha sido de quando esteve na praia
- Isso explica o porque passei tanto mal quando acordei
- Só não ficou pior porque seu corpo expeliu a substancia através de febre e vomito
- e quando vou poder ir pra casa?
- Esta brincando ? – vi ele e minha mãe rirem – vai demorar Vanessa! Estou sendo sincero
- Preciso tomar um banho, escovar os dentes e vestir alguma coisa descente!
- Vamos providenciar isso tudo por aqui – senti sua mão pela minha testa - e precisamos regularizar sua temperatura. Vou colocar o medicamento pela veia. Vai ser mais rápido
- Preciso falar com seu irmão antes que durma novamente
- Você vai precisar dormir muito até se recuperar. Seu corpo passou por um esforço descomunal. Precisa descansar e vamos estar aqui cuidando de você
- Ia ligar para o Zac, mas Dylan achou melhor te medicar e examinar primeiro. Ele viria como um jato – minha mãe disse e eu sorri
- Estou com medo de demorar para acordar de novo
- Você vai ficar bem filha – minha mãe se sentou do meu lado entrelaçando nossos dedos
- Sei que deve querer ver todo mundo. Eles também ficarão doidos quando souberem. Meu papel é garantir seu bem estar e controlar a taxa de emoção diária. Quantos abraços acha que pode suportar?
- De verdade? Nenhum – falei com pesar
- Desculpa meu amor – vi minha mãe com feições preocupadas
- Relaxa. Foi uma dor boa – rimos
- Vou chamar as enfermeiras para o seu banho
Dormi mais algum tempo e quando acordei tinham duas enfermeiras para me levar a banheira. Confesso que me arrependi de me mexer e foi um dos banhos mais dolorosos que tive. Minha mãe ajudava e me olhava com uma ternura que me senti com 5 anos de novo. O esforço descomunal durou muito e quando me deitaram apaguei rapidamente. No dia seguinte Dylan me explicou que aconteceria com frequência até meu corpo estabilizar.
Quando abri os olhos novamente a sala estava cheia e vi as meninas chorando
- Ué não era para estarmos felizes? – sorri emocionada
- Sua boba – Stella veio e me abraçou com todo cuidado – doí?
- uhum – a olhei triste – mas não pare – a olhei – desculpe pelo susto
- não fala – ela chorou e me segurei – só me prometa que acabou
- Acabou – nos emocionamos. Abracei a todos, recebi flores lindas e fiquei em paz. A conversa na sala estava animada quando ouvi batidas na porta e pelo sorriso de todos soube quem era pelo clima
- Ontem tivemos dificuldade com ele querendo invadir o hospital
- Que dó Dylan! Poderia ter deixado ele entrar
- Vou deixar agora – eles riram e ele surgiu na porta.
É engraçado dizer as reações do momento. Me senti como se o encontrasse pela primeira vez. Aconteceu como Dallas. Os olhares se encontraram ele me desestabilizou e foi possível lê-lo sem precisar dizer nada. Não consigo dizer a intensidade e nem o tempo que durou só voltei ao ambiente quando meus amigos disseram
- Vamos deixa-los a sós – se despediram e ele encostou a porta
- Como se sente? – ele se aproximou ficando ao meu lado e percebi que tremia
- Está tão bonito – entrelacei nossos dedos e me senti ansiosa para abraça-lo
- Por favor não se mexa – ele tocou meu rosto e sorrimos com o contato
- Me sinto tranquila – descansei minha bochecha em sua mão
- Me perdoe por não estar lá – abri meus olhos e vi lágrimas descerem de seu rosto impecável
- Não há o que perdoar, você ainda é a melhor parte de tudo isso
- Como pode dizer isso – ele soluçou e rapidamente o puxei pra mim. Arfei com as pontadas sentidas e procurei respirar devagar para ajudar
- Você não tem culpa de nada – enfatizei - nada mais importa
- Tudo importa. Olha o que ele fez pra você. Foi como no dia que ele te atingiu na pousada em Dallas e eu não consegui te proteger. Aliás nunca consigo – ele ficou com a cabeça baixa, vulnerável a tudo
- Está tudo bem – sussurro – o problema de Austin era comigo. Agora acho que resolvemos – tentei ser otimista
- Ele te feriu, e eu ajudei – ele apertou minha mão enquanto chorava - O medo me dominou tanto que deixei as coisas chegarem a esse ponto. Abandonei você no momento em que mais precisou de alguém - ele não me olhava em momento algum e senti que ele precisava desabafar- Te ver machucada de novo acabou comigo. Fui covarde e tenho medo de continuar o sendo – o desespero me deixou angustiada e intervi antes que ele continuasse
-Não diga besteiras Efron – subi seu queixo o encarando com um meio sorriso – obviamente doeu e muito estar lá nesses últimos dias. Não serei hipócrita quanto ao meu estado - brinquei - era para ter acontecido – falei calma - não quero que fique com a ideia de que teria sido diferente. Pelo contrário, Austin tinha a genuína intenção de te machucar e o fato de ter conseguido mantê-lo fora disso é uma vitória pra mim. Nada me machucaria mais do que não o ter
-Uma vitória? Eu sou o homem que te deixou e que depois disso precisou se embebedar toda noite – me olhou agonizado – esperei por um coma para não sofrer e mudei de cidade para não ter risco de te encontrar. Olha no que deu – ele se levantou agitado – em todo o tempo em que esteve no hospital pedi a Deus para que tivesse a chance de voltar e agora que está aqui só posso agradece-lo, mas não me acho certo Vanessa. Fui tão egoísta - ele parou de falar e meus pensamentos eram rápidos
-Não o vejo como egoísta. Você é o homem que escolheu abrir mão de si mesmo por mim – ele me olhou – eu não consegui fazer isso. Ao invés, assumi risco desnecessários e optei pelo caminho do conflito. Eu sequer pensei no quanto você estava sendo posto sobre pressão. Não considerei que precisasse se sentir em paz. Era tudo sobre mim. Meus relacionamentos, minhas necessidades, minhas rebeldias – fiquei quieta reconhecendo meus erros – eu só parei naquela praia porque meu lado mesquinho me levou lá
-O que quer dizer?
- Fui pra uma boate quando devia ter ido a uma padaria – suspirei – cedi a meus pecados e quando quis voltar atrás só não o encontrei. Fui pra praia com a intenção de sumir. Entende isso? Eu Vanessa Hudgens mais uma vez preferi sumir ao invés de tentar acertar e resolver as coisas. Culpei o mundo inteiro quando na verdade não é bem assim
-Não é assim
-É sim Efron – sorri cansada – Devia ter dado atenção ao temperamento de Austin lá atrás e ter me prevenido disso tudo. Devia ter conversado com meu pai ao invés de bater de frente com ele por muito tempo. Devia ter exposto meus sentimentos a minha mãe e irmã ao invés de levar tudo nas costas e devia ter dado atenção a você. - tossi sentindo dor- é uma lista grande de arrependimentos – brinquei me acalmando
-Vou chamar o Dylan – o segurei antes que fosse
-Não terminamos ainda
-E nem vamos você está com dor
-Vão me pôr para dormir e gostaria muito de nos acertamos antes disso – implorei com os olhos e ele ficou indeciso – por favor?
-Não quero que se esforce
-Vou ficar imóvel
-Continue... - ele se sentou e segurou minha mão
-Não posso mudar o que foi feito e nem curar todas as feridas que causei aos outros e a mim – ele me fitou com intensidade - só quero que saiba que com essa segunda chance vou dar importância a tudo e na minha lista de prioridades está você. Vou respeitar seu tempo e esperar que fique inteiro para que possamos seguir em frente com o relacionamento
-Ficar inteiro?
-Sim amor – sorri com o brilho que seus olhos refletiram ao me ouvir - ninguém pode ficar em um relacionamento onde o medo e a insegurança interferem. E me analisando também existem hábitos que quero melhorar para estar com você.
-Não esta sendo como pensei – soube o que ele quis dizer
-Sim – rimos – queria ter te agarrado assim que entrou no quarto. Dizer o quanto te amo e retomar nossa vida como mágica, só que – parei propositalmente fazendo suspense – cabe á nos respeitarmos nossos limites
-Não vou sair desse quarto sem te beijar. Também não vou embora sem deixar claro que te amo e óbvio que nosso tempo será somente relacionado a contato físico amoroso pois vou estar aqui TODOS os dias – rimos – vou ficar inteiro, mas não vou perde-la de vista
-Você é excepcional Efron!
-Posso te beijar agora ou os lábios estão machucados?
- Quero esse beijo de qualquer jeito e trate de caprichar tá? Não quero acelerar as coisas, mas não sabemos quando o faremos novamente – sorrimos e nos aproximamos – preciso de você
-Amo você - minha boca foi preenchida por seus lábios carinhosos e calmos. A aceleração cardíaca demonstrava a emoção que senti ao prova-lo mais um vez e quando o ar faltava a separação era mínima para recomeçarmos. O beijo era intenso mas não deixava vestígios de despedida. Era um tempo para me recuperar, colocar as ideias em ordem e nos ajeitarmos
-Não vou demarcar nossa viagem para o Hawaii de acordo? - ele perguntou com a boca colada na minha
-De acordo – sorri sentindo ele aprofundar o beijo
-Também não vou embora agora, de acordo? - nos separamos rapidamente já com os lábios vermelhos
-De acordo Efron – ri quando ele subiu na cama do hospital e deitou-se sobre mim sem colocar peso
-E por último de acordo em ser beijada até ficar sem fôlego? - ele sorriu de lado e me perdi com seu jeito meigo e malicioso. Ele sabia que acabava comigo – prometo que faço pausas curtas
-Aceito até sem pausas!
-Não é uma recaída tudo bem? É só para matar a saudades – nem me preocupei em responder e só paramos quando o pessoal entrou novamente na sala. Ouvimos piadas de tudo quanto é jeito e quando apaguei soube que foi com um sorriso gigantesco no rosto
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Espero que gostem do capitulo acima que pra mim é especial e um dos que mais gostei de escrever. Claro ainda não é um desfecho Zanessa, mas demonstra uma parte que acredito ser bem real quanto a relacionamentos. O lance de estar inteiro e se preocupar com o limite um do outro. Na historia vai ser o crescimento dos personagens para todos os climax vividos!
Volto com o próximo rápido e obrigada por acompanharem! :)