Capitulo 36

 - Esta afim de comer pizza? – Stella estava com um pijama de fantasia enorme deitada parcialmente em cima de mim enquanto assistia a um filme

- Quero respirar na verdade

- Não estou gorda – ela ficou incrédula e eu ri

- É sério! – ela se mexeu contrariada

- Estou te fazendo companhia e ainda me insulta! É um absurdo

- Não estou insultando – dei a língua – e você não esta me fazendo companhia praticamente se mudou pro meu quarto!

- Preciso vigia-la de perto

- Bem que vocês podiam arrumar a porta do meu quarto né? É desconcertante não tê-la

- Já conversei com a mãe e só depois que você estiver bem vamos recoloca-la

- Estou trabalhando, criei uma rotina e tenho saído com Ash... o que mais querem?

- Que você coma normalmente e que não chore em cada canto que passe

- Hum....

- Vai não é difícil!

- Diga por si mesma

- Quer sair então, dar uma volta?

- Quero sim – ela se animou e eu já cortei a farra – vou sozinha

- Como assim?

- Preciso sair e ficar um tempo sozinha

- Vai para onde então?

- Alguma padaria ou coisa similar

- Tá bom. Qualquer coisa me ligue

Me arrumei e fui andando pelas ruas de New York. Peguei a direção no automático e quando me dei conta estava em Manhattan, mais especificamente de frente com a Le Bain. Gelei ao lembrar tudo que já havia aprontado ali dentro. Estacionei próximo a boate e planejei ir a lanchonete de esquina quando fui parada

- Simplesmente inacreditável te encontrar aqui

- Cole?

- Quanto tempo!!  - me cumprimentou com um abraço – esta linda!

- Obrigada! – respondi por educação e quis continuar o trajeto

- Por que não entra?

- Minha época de vip já foi e hoje não estou nos melhores dias!

- Todo dia é o melhor – ele sorriu e eu também lembrando que ele tinha o astral lá em cima – e uma vez vip sempre vip! – me puxou passando pelos seguranças

- Nossa eles nem me pararam - me surpreendi quando ele me puxou para a boate e ninguém interviu 

- Vanessa você era carteirinha carimbada daqui todos te conhecem! Tornou esse ponto badalado! A fila la fora que espere - ele sorriu e eu reparei o ambiente

- A decoração mudou!

- Aceita um drink?

- Agradeço o convite, mas não tenho intenção de ficar! 

- Fiquei sabendo sobre seu pai, sinto muito

- Todos sentem, mas agradeço de qualquer forma!

-  Vai lá um drink e te deixo em paz! - ponderei sobre tudo e aceitei ficar

- Feito!

O que era para ser um drink se estendeu até alguma hora da madrugada. Fiquei conversando com Cole por algum tempo e a medida que andava por lá encontrava conhecidos. Inclusive Ian. No primeiro momento foi muito estranho, mas com álcool na cabeça em pouco tempo estávamos de boa

- Posso te ajudar a esquecer ele

- Ian pode me oferecer quantos copos de bebida quiser que eu não vou transar com você nem estando bêbada!

- Você já foi mais acessível sabia?

- Cansei de ouvir isso...

- Você estava com o Trucker

- Conversando apenas...

- Você pode desabafar de outro jeito – me olhou malicioso

- Sem essa garanhão! Seu charme não me comove – ri virando mais um whisky e torcendo para que ele ao descer queimando minha garganta, queimasse também meus sentimentos

- Ainda não estou jogando charme – mordi a língua com a olhada e tratei de me afastar no banco


- Muito bem já passou da hora de ir

- Há qual é?! Estou te incomodando? – ele se aproximou

- Suas investidas estão!

- É por que seu corpo sabe que o que tenho a oferecer lhe interessa. Não é agradável a sensação de perigo no flerte?

- Não pressione Ian! Meu corpo sabe que não tolera mais ser tocado por outra pessoa além do meu ex – declarei com raiva do ex

- Ué se não tentar como vai superar?

- Não vou – assumi – nem quero na verdade – ri com afirmação – Zac teve o que não dei a nenhum outro! Sinto que o certo é mantê-lo privilegiado! Não vou ficar com outro por estar bêbada

- Já descobri porque está na merda – ele riu - quebrando a primeira regra sobre se apaixonar?

- Quer brindar a isso? – bebi mais um pouco sentindo  rodar o ambiente

- Vai com calma baby V – esse apelido?!

- Paul!! Perdido por aqui também?

- Essa é a minha casa lembra? – ele fez um toque de mão com Ian e sentou me deixando no meio deles – está com um cara de dar pena em!

- Cuide da sua vida - respondi com a intenção de ser grossa

- Gata e mal humorada!

- Qual é – exclamei – estamos em uma boate será possível irem atrás de outra?

- A partir do momento que entrou ninguém consegue olhar pra outra – Ian virou os olhos e riu completando nossos copos

- Você é brega Paul- Ian falou se aproximando do meu pescoço me deixando tensa

- Chega Ian, estou indo embora – fiz um esforço para levantar e Paul me parou

- Você não terminou o drink – engoli em seco e virei o copo de uma vez para sair e de novo ele me parou – por que não se diverte um pouco?

- Como nos velhos tempos? – Ian

- Isso! Uma última vez Baby V o que acha?

- Querem ver se morrem dessa vez? – ri com a noção alterada

- Ninguém vai saber e outra assuma que era divertido!

- Passado – briguei com a consciência

- Não seja careta – diferente de Ian que era insistente e queria dominar Paul era cativante e simpático. Com algumas frases a mais nem percebi quando estava sendo beijada. O gosto de bebida era tudo que sentia e aquelas luzes da balada me tiravam o foco fazendo tudo rodar

- Chega Paul – tentei me afastar e não tive êxito

- Você gosta – Ian sussurrou mordiscando minha orelha – só vamos para um lugar mais tranquilo

- Já falei que não quero – protestei mais uma vez sentindo a embriaguez tomar conta e a consciência se desligar por instantes. Quando aconteceu senti minhas mãos serem guiadas e não fazia ideia de qual era o caminho e de onde o quarto tinha aparecido

- Fica tranquila – Ian sussurrava enquanto beijava meu pescoço e Paul desabotoava a camisa

- Baby V esqueça tudo, tudo que estiver doendo e tiver dado errado. Agora tudo isso vai ceder ao prazer

As noites perigosas que vivi com eles veio a mente junto com a insanidade. A luxuria me dominou e a forma como me disputavam instigou diversão. Com flashes de realidade sentia os beijos de Ian pelo pescoço enquanto os lábios eram tomados por Paul. Como pecado lembrei da minha versão falha sem escrúpulos e fui cedendo as tentações. Estava vazia e  não via sentido em nada, nem em para-los. Sem noção do que estava fazendo comecei a sentir toques quentes e vi minhas próprias mãos os provocando. No momento não sabia se era Ian ou Paul a quem beijava, mas bastou um toque no meu seio para despertar

 - Isso não está certo – cambaleei para algum lado tentando enxergar

- Vanessa não seja difícil – Ian me pressionou contra parede me despertando ira

- Eu falei pra parar – num movimento brusco meu joelho subiu em defesa e ele caiu com dor

- Ficou louca?? – gemeu de dor e Paul me olhou assustado

- Que merda Ian – procurei me ajeitar vendo minha regata parcialmente rasgada e quase não ficando em pé de tão bêbada

- Se acalme, o que está acontecendo? – Paul tentou intervir

- Não se aproxime de mim

- O que está acontecendo? Te machucamos?

- Do Ian até podia esperar algo parecido, mas você Paul – o encarei séria – quando uma mulher diz não é NÃO.

- Você correspondeu – Ian se levantou aos poucos

- Vocês me carregaram pra cá. E mesmo estando bêbada minha sorte é que ainda tenho reflexos conscientes

- Desculpas – Paul

- Acabou estão ouvindo?

- Não seja moralista. Você não pode querer e depois descartar – Ian me desafiou bravo

- Posso sim – respondi firme – vocês homens simplesmente enlouquecem quando uma mulher é auto suficiente para saber o que quer. No passado o sexo foi de livre consentimento entre nós, mas quando fui embora fiz questão de terminar tudo e virar a página – me encostei na parede e avistei um litro de vodka em cima do criado. Sem nenhuma água por perto foi o que usei para jogar no rosto e tentar fazer a cabeça parar de girar

- Vanessa – Paul pareceu arrependido

-Vocês têm 4,5 mulheres por noite e está tudo bem. Agora quando uma mulher se desprende dos rótulos da sociedade e escolhe o prazer é uma vadia ou puta – explodi cansada da situação de repetir – Não vou transar com vocês – reafirmei – não quero, não os desejo - falei em alto e bom tom – por dignidade deviam ter vergonha de tentar me seduzir e me trazer para cá.

- Não foi intenção chegar a esse ponto – Ian tentou consertar a situação

- Iam abusar de mim – respondi já com controle de corpo – se aproveitaram de um desabafo. Não valem nada. Nunca valeram - me apoiei na parede e terminei - São do mesmo jeito que Austin. 

- Não seja cruel – Paul

- Me deixa passar

- Te levo para casa – Ian colocava a jaqueta e Paul se vestia depressa

- Nem ferrando. Se não saírem da frente eu quebro essa porta, faço um escândalo e de praxe ainda vou pra cima dos dois – em instantes a passagem estava livre

Sai de lá descalça com a regata rasgada mostrando parte do sutiã e com um cheiro horrível de bebida. Quando cheguei ao carro só apertei o volante com força e gritei. Não era possível passar por isso. Até onde fui?!

Inconscientemente enviei mensagem para minha mãe e dirigi durante horas a procura de uma praia. Estando de madrugada agradeci por não ter tantos carros na estrada e mesmo sendo inconsequente fui devagar tentando não causar acidentes. Encostei o carro no calçadão e corri em direção ao mar entrando de roupa e tudo. O choque térmico foi brutal. O mar estava congelando e não dava para enxergar um palmo a frente com as ondas agitadas que mostravam que não era uma boa ideia me aventurar por ali. Como se pouco me importasse nadei até não ter forças e depois me peguei observando a lua enquanto boiava. Os pensamentos cessaram e tive paz. Não tinha Zac, meu pai, Austin ou qualquer outra pessoa. Era como estar em um feitiço e delirei me enxergando em várias fases da vida. Perdi a consciência e quis que acabasse ali. Não tinha sentido continuar ou era de Zac ou era algúem vazia que procurava em casos algum sentimento que me mantesse viva.




Um comentário:

  1. Ai Vanessa...

    Colecionou um monte de amizades nojentas, tenho nem palavras sobre o que rolou.

    O Zac estava vindo atrás dela no último capítulo, torço para que ele a encontre rapidamente. Também não consigo nem imaginar a reação dele se souber o que rolou.

    Tudo isso por causa do Austin aaaaa. Esse foi o capítulo mais pesado, espero que tenha uma luz do fim do túnel

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