Capitulo 34

 Narrado pela Stella

- Mãe? Mexendo no jardim? – a encontrei do lado de fora da casa com as mãos sujas

- Seu pai me fez prometer que essas flores seriam bem cuidadas, quer ajudar?

- A senhora tem alguma noção do que está fazendo?

- Nenhuma – ela riu- confesso que o olhar era mais interessante – os olhos ficaram molhados

- Está tão recente – enxuguei o rosto também – parece que tudo perdeu a cor

- Querida a vida é feita de ciclos. Seu pai finalmente descansou sabendo que viveu tudo que pode. Agora é com a gente

- É difícil! Só de acordar tenho vontade de chorar

- E eu então?! Nestes dois dias o que mais tenho feito é chorar – nos abraçamos – é uma das formas de nos curarmos mais rápido

- E a Vanessa que não tem saído do quarto?

- Vou lá – ele tirou as luvas de jardinagem

- Vamos juntas

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

- Filha abra a porta – batíamos e não tínhamos sinal algum

- Zac é a Stella, a convença a abrir a porta por favor – falei mais alto encostando o ouvido na porta e não escutando nada

- Tem chave reserva?

- Não mãe

- Se afaste – me assustei quando ela começou a esmurrar a porta e lá dentro nada acontecia. Preocupada a ajudei e sem alternativa ligamos para Zac que não atendia

- Liga para o Erick, vamos ter que derrubar – liguei com pressa e em menos de 10 minutos ele havia chego

- Tem certeza que ela não saiu?

- Não saiu Erick, pode derrubar – ele o fez e assim que tivemos acesso ao quarto tudo estava escuro e tinha um monte de cobertas na cama. Mamãe acendeu as luzes e se aproximou com cuidado da cama entrando em desespero ao ver Vanessa desacordada e extremamente vermelha

- Erick chama a ambulância e Stela liga o chuveiro no frio – ajudei a levanta-la da cama e me assustei

- Ela está molhada e fria

- É febre. Me ajude a chegar ao banheiro

Com muito custo ela acordou atordoada falando palavras sem nexo algum

- Quer matar a gente do coração Vanessa?

- Por estão brigando comigo? – Sua voz era quase inaudível

- Anda me ajude a te vestir, vamos para o hospital – com muita dificuldade conseguimos leva-la. Chegando lá ficamos rodando na sala de espera

- Dr Lewis alguma notícia?

- A febre não cessa. Fizemos exames para saber se é algo recorrente alguma infecção e estamos aguardando. Ela tem apresentado confusão e vez e outra alucina. Por ora ela foi medicada e estamos acompanhando de perto. Nas próximas horas teremos os resultados e no momento a falta de ar está controlada

- Estou preocupada

- Gina vocês passaram por muito nos últimos dias. Poderia ser até emocional! Vanessa vem vindo de estafes constantes. Não me surpreenda que o corpo tenha chego ao limite! O esgotamento mental é possível e até ter o diagnóstico completo não vou eliminar nenhuma hipótese

- Nos mantenha informados por favor

- As enfermeiras passarão sempre que possível para atualiza-las. Com licença – ele se retirou e nós três ficamos sentados pensando em tudo e nada

- O que será que aconteceu e por que Zac não está com ela?

- Não sei Erick. Tentamos falar com ele e só chama! Não consigo entender como passamos dois dias literalmente em uma bolha e nem notamos que ela estava doente

- Sua irmã precisava de espaço para o luto. Só vou entender quando e por que Zac saiu. Nessas horas ele era o único com quem ela poderia desabafar

- Mas e nós? – perguntei sentida

- Stella você conhece sua irmã. Sabe que ela tentaria de todas as formas fazer que fosse o menos dolorido para nós e muitas vezes para isso ela segura tudo sozinha. Com Zac ela tem trabalhado esse lado e tem dividido emoções

- Que droga – me sentei revoltada em notar que realmente as obrigações e decisões difíceis eram todas jogadas nas costas dela e muitas das vezes ao invés de ajudar eu só colocava mais peso nela

- Não fique assim, sua irmã é forte

- Não é esse o problema Erick. Sabe quantas vezes ela se expôs para me proteger? Até assumir a empresa ela o fez para que eu tivesse oportunidade de correr atrás dos meus sonhos. Em momento algum parei para perguntar como ela estava ou se precisava de ajuda. Sei que ela é forte, mas não custava dar a cara a tapa as vezes e deixa-la descansar – falei triste – sou uma péssima irmã

- Chega Stella, nós já estamos abaladas por diversas razões e você arranjar mais uma agora não vai ajudar. Vamos nos unir e passar por mais essa juntas. Vanessa vai precisar de apoio e nós estaremos lá – Escutei minha mãe ser firme e me sentei suspirando

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

- Zac faz dois dias que você não come nada, não sai direito do quarto e nem está com a Vanessa. O que está acontecendo?

- Estou sem apetite

- E quanto a Vanessa? Não entendo por que não está com ela. O que esta acontecendo?

- No momento acho que ela nem gostaria de me ter por perto

- Absurdo! Ainda mais passando por um momento tão delicado filho. Em quem ela vai se apoiar?

- Não sei pai – me sentei na sala com a vontade de contar tudo. Explicar que estar distante era a única forma de garantir que ela estaria bem e ouvir seus conselhos do que fazer, mas envolver eles nisso tudo era errado. A forma como ela me olhou descrente do que estava fazendo vinha a mente a todo segundo e me impediam de dormir. Estava me sentindo um lixo por não estar ao seu lado e mais ainda por ter que feri-la ainda mais. Magoa-la e deixa-la desamparada era desumano. Ela não merecia isso

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

- Como está?

- Cansada! Aliás por que não posso sair mesmo?

- Sua febre não passa e nem alta teve ainda

- Estou bem mãe

- Só vai sair daqui com diagnóstico e tratamento. Te encontrei desmaiada no quarto, tivemos que derrubar a porta! Sabe o que poderia ter acontecido???

- Não precisa ficar brava

- Preciso sim! A questão não é ficar estar brava e sim estar preocupada. Há tempos venho falando para se cuidar e até ter certeza que vai estar bem vamos ficar aqui. Seus resultados devem sair nas próximas horas

- Os exames não vão apontar nada

- Como sabe?

- O que está doendo ninguém pode curar – prendi o choro na garganta me sentindo derrotada – Zac terminou comigo

- Por Deus filha o que aconteceu? – ela se sentou na cama junto comigo

- Eu nem sei mais o que vale a pena – solucei – mãe estou perdendo tudo

- Minha pequena vem cá – chorei durante horas e ora e outra minha mãe também chorava o que seria hilário em outra circunstância

- Já faz tanto tempo desde que peguei você no colo – ela sorriu com os olhos inchados – minha garotinha forte!

- Não estou vendo nada de forte aqui – limpei os olhos esgotada

- Pois eu vejo uma fortaleza que mesmo sendo bombardeada por todos os lados continua mantendo seus queridos em segurança! Aguentar tudo que vem acontecendo sozinha não é para qualquer um – ela penteava meus cabelos com os dedos

- A senhora acredita em karma?

- Não, mas por que a pergunta?

- Tudo que fiz aos outros em questão de sofrimento estou passando agora...

- Zac é definitivamente especial! – ela riu – Vanessa Hudgens repensando e se abrindo com outros é a novidade do século

- Não caçoe de mim – respirei fundo – achei que fosse ficar bem, que daria conta e assim que ele saiu foi como se tivesse perdido o chão

- Não consigo nem imaginar o quanto esteja doendo – ela ergueu meu rosto – as vezes temos desilusões que não entendemos querida.... Tenho um conselho para isso

- Mesmo? Devo estar horrível para que me de conselhos...

- De forma alguma! Dada a situação está até bem! Quer ouvi-lo?

- Quero....

- Perder o chão nos dá a oportunidade de voar – ela abaixou os óculos e riu da minha feição interrogativa

- É isso? Mensagem de biscoito da sorte?

- Não seja irônica! É um conselho de grande valia!

- Não quero ser pessimista, mas seu conselho só me mostra que na hora de voar eu cai e me arrebentei.

- Não posso estar ouvindo isso de você! Desde quando cair é um problema? Sinal de que suas asas ainda não estão em forma!! Algum quadrante da sua vida está em desequilíbrio

- Todos eles no caso. E essa queda em específico foi bem maior que as outras tá? Com certeza me deixou lesionada

- Você com tantas faces e soluções esta com medo? – ela me olhou com atenção

- Estou – assumi sentindo minha insegurança gritar para que me fechasse. A palavra fraca ecoava fortemente. Doía guardar emoções e doía mais ainda as expressar e Zac foi o limite. Era meu equilíbrio todo desfeito. Minha mente não estava boa, meu corpo também não e o pacote ficava completo com o coração machucado

- E ele vai passar a medida que conversarmos. Vai ficar tudo bem e estou aqui com você para você. Só ponha pra fora – me aconcheguei e fiquei de olhos fechados respeitando tudo que meu corpo quisesse fazer. Me permiti chorar, ficar em silêncio e nem reparei quando Stella entrou no quarto. Em pouco tempo estávamos as três abraçadas e quanto mais soluços saiam mais aliviada ficava

- Melhor? – Stella

- Acho que sim

- O Dr. Lewis falou que clinicamente os exames estão bons

- já posso ir embora então?

- Sua febre não cessou ainda

- Mãe?

- Nós vamos! Pode se trocar meu amor. Vou pegar os papéis para que assine a alta

- Ué o que foi que perdi?

- Sua irmã esta com o coração machucado, ficar aqui sozinha não vai ajudar

- Estou ligando para Ashley! Te espero lá embaixo

- Obrigada - sorri sem ânimo e recebi ajuda para arrumar minhas coisas

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sugestões, críticas e elogios serão bem vindos!! Apoie o escritor!