Amanhecemos em Nova York a espera de maiores informações sobre a saúde do meu pai
- Amor vou na lanchonete pegar alguma coisa pra gente. Você
não comeu nada desde ontem
- Estou sem fome, pode comprar só pra você – dei um sorriso
desanimado
- Vou trazer pelo menos um café – me beijou na testa e saiu.
Olhei para o lado e minha mãe estava cochilando na poltrona. Suas olheiras
denunciavam que a noite tinha sido difícil e mais ao lado Stela estava dormindo
nos ombros de Erick. Esperei por mais 10 minutos até o doutor aparecer cabisbaixo
- Sinto muito Vanessa – ele me encarou e nada precisou ser
dito.
- Como?? – estava ciente de que poderia acontecer a qualquer
momento, mas mesmo assim foi difícil acreditar, o silêncio refletia o vazio. Olhei
para o lado e minha mãe estava petrificada
- Greg sabia que o estado era crítico. Com menos recursos
sua resistência caiu drasticamente – neste momento foi como se um tiro
atravessasse meu peito. Precisei me concentrar na respiração para não desmaiar
ali. Dr. Lewis percebendo a crise de pânico tentou reverter
- Vanessa fizemos o possível. Todo o possível
- Se ele tivesse os recursos – sussurrei sem equilíbrio
vendo Zac correr para perto
- A dúvida não gera conforto. Não quis insinuar que teríamos
um final diferente. Não dá para saber minha jovem. Como médico e amigo não
quero vê-la dessa forma.
- Preciso ficar sozinha - sai como um jato com o estômago
embrulhado e vista embaçada. Dentro de um sanitário foi difícil conter a ânsia,
em minutos estava com o corpo fraco. Elas precisariam de mim e não poderia ser
dessa forma. Lembrei de todas as vezes em que perdi o chão e tive que ser
forte. Tentei parar as lágrimas e não consegui. Era justo agora que estávamos
nos entendendo? O flash de uma infância rodeada de carinho e atenção passaram
na mente. O apoio que tive quando adolescente e depois as desavenças de adulto
me sufocavam. O tanto que fui fria e todas as vezes que o evitei pesaram. Sem
condições de sentir tudo empurrei qualquer emoção, respirei fundo e saí
sentindo o peito em pedaços
- Te procurei por toda parte – Zac estava afoito e com os
olhos vermelhos – vem cá – ele me puxou e por mais reconfortante que fosse não
iria chorar. Fomos devagar até a sala e ao chegar lá fui agarrada por Stela que
estava aos prantos
- E agora Vanessa? – a vulnerabilidade me deixou atordoada.
- Vamos ter que continuar meu amor – limpei miseravelmente
seu rosto prendendo o nó na garganta
- De que jeito se doí tanto?
- Do jeito que der – respirei fundo – e vai doer pra sempre
Stela – fui honesta a olhando - Só espero que em algum dia menos – ela me
abraçou, olhei Zac procurando forças e seus olhos estava em mim
- Por favor não nos deixe sozinha. Não consigo sem você
- Estou aqui e sempre vou estar – a consolei com a única
verdade que poderia exigir de mim
Resolvi tudo com o hospital e tentei poupar minha mãe da
organização para o velório. Zac foi meu porto e por mais que estivesse fechada
tentando manter minhas emoções sobre controle ele sabia que uma hora eu iria
desabafar
O dia seguinte ironicamente amanheceu lindo e rostos conhecidos eram
vistos. Amigos íntimos, conhecidos e até homens de negócio estavam na cerimonia
- Sinto muito
- Está tudo bem – minha expressão era neutra – vê-lo sofrer
era triste demais
- Seu pai foi um guerreiro do início ao fim
- Obrigada Sr. David
- Se precisar de algo me ligue – David estava abatido e por
mais atritos que tivéssemos tido por Austin ele era honesto e até certo ponto
sempre teve meu pai como amigo. Vi sua tristeza com verdade.
Fiz questão de manter o velório o mais privado possível e
não consegui ficar muito perto da Stella ou minha mãe. Tudo já doía ao extremo e era
insuportável ouvir os soluços e não desabar. Uma de nós precisava estar em
condições de recepcionar a todos e garantir um adeus a altura do que meu pai
havia sido. Ele gostaria que fosse assim.
Zac sumiu durante a manhã e quando voltou seu rosto era
infinitamente triste. Os olhos antes brilhantes estavam apagados e não me
fitavam de forma alguma. Estranhei, mas respeitei o comportamento. As horas
foram passando e a cada minuto desejava sumir. A armadilha mental que estava me
fazia questionar a todo segundo se eu havia falhado com ele. Isso tudo teria
acontecido neste momento se o tratamento tivesse continuado? Minhas decisões
nos levaram a isso?
- Precisamos ir – Stela chegou perto e despertei no susto
vendo que só a gente estava no local
- Vai conosco? – Minha mãe estava com o rosto inchado e a
abracei
- Não mãe, preciso assinar algumas coisas ainda, encontro
vocês em casa
- Cuide dela Zac – me beijou na testa
- Vamos mãe, Erick chegou
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- O que falta preencher?
- Não falta nada – suspirei – Só preciso de um tempo a sós –
perto dele a emoção fazia sentido e tinha que ser demonstrada para não me
sufocar, ele me abraçou com força
- Sinto tanto – sua voz também era embargada
- Doí demais. Ele não está mais aqui. Nunca mais vai estar -
me desesperei sucumbido a tudo que evitei
- Calma eu prometo que você ficará bem – ele me apertava e chorava junto.
Depois de algumas horas fomos pra casa e ao adentrar aquele silêncio horrivel beirou o ambiente. Os cômodos estavam frios e as luzes do quarto das duas estavam acessas. Não precisei nem me aproximar para ouvir o choro e abaixei a cabeça esgotada. Fui fechar a porta e notei que Zac estava parado me olhando
- Hey, o que está te aflingindo? - me aproximei e passei a mão em seu rosto enquanto ele abaixou a cabeça - porque não entra?
- É dificil - ele tirou minhas mãos de si, fechou a porta e me levou até nosso quarto sentando na cama
- Não quer ficar aqui? - estranhei seu comportamento inqueito
- Quero -o tom foi baixo e vi que os olhos estavam marejados
- Então o que há boo? - me aproximei de novo e ele desviou
- Consegue me prometer algo hoje?
- O que você quiser - falei preocupada o olhando
- Que vai continuar sendo minha estando comigo ou não? -lágrimas desceram
- O que esta acontecendo? - me assustei percebendo algo grave
- Prometa Vanessa - ele insistiu me segurando pelos pulsos enquanto me fitava chorando
- Por que está assim? O que aconteceu? Por que estando com você ou não? - nem soube se era um descontrole emocional ou do que se tratou, mas ja sentia o peito acelerado e medo do comportamento dele - Por que não estaríamos juntos? - tremi com a hipótese
- Prometa
- Não quero ser sua não estando contigo, por que não estaria??? Eu quero estar, nós queremos - disse um pouco alterada - por que esta chorando e não me fala o sentido disso? - ele ficou quieto e me soltou
- Preciso ir embora - meu corpo todo entrou em estado de alerta e fiquei em choque
- E vamos pra onde então? - ele me olhou e caiu ali
- Sem você
- Zac o que está dizendo - me agachei - por que sem mim?Fiz alguma coisa ou até deveria ter feito algo? - comecei a falar sem parar tentando entender e diminuir o nervosismo que a conversa estava me dando. A medida que perguntava mais quieto ele ficava e em desespero peguei seu rosto entre as mãos e disse o fitando seriamente - Não importa o que seja, podemos resolver juntos. Não tem a menor condição me perguntar se seria sua estando contigou ou não. Eu sou sua. De todas as formas - Ele soltou o ar e colocou as mãos sobre as minhas com um sorriso triste
- Obrigado - se desvencilou de mim - agora preciso que seja forte e me entenda
- Estou ouvindo - me sentei
- Butler esteve aqui mais cedo - gelei ao ouvir o nome dele - os seguranças que tínhamos ao redor da casa foram todos apagados
- O que ele fez com você? - levantei agoniada procurando algum hematoma - como ele soube daqui?
- Aparentemente ele sabia a localização da casa á algum tempo - ele suspirou
- Vou ligar pra policia - peguei o celular tremendo e disquei
- NÃO - ele me parou fazendo um sinal para que eu parasse de falar e suspirou - vocês estarão seguras assim que eu me for -
- Mentira, Austin está jogando, você não pode acreditar nele - joguei desesperada vendo tudo ruir
- Ele avisou que seu pai não conseguiria. Avisou que pessoas seriam afetadas se não terminássemos - ele chorava e eu perdia a cor e sentindos
- Meu pai já estava doente, seria díficil com ou sem ele avisar. Você não pode estar cogitando ir embora
- Ele tirou cada chance que ele poderia ter. Você
sabe disso – o jogo mental que atormentava minha mente tinha sido usado contra Zac que estava no limite e já não suportava as ameaças
- Por favor não caia nessa– senti o peito subindo e descendo rápido em um surto – Você ir embora não vai resolver as coisas– implorei - ele está te usando
- É muito pra mim – ele abaixou aqueles olhos que
aparentavam estar cinzas e não conseguiu me olhar
- Por favor não termine – segurei seu rosto tentando
convence-lo – a gente pode dar um jeito. Só não faça isso – o fitei – por favor,
hoje não – falei baixo entregando o tanto que estava ferida
- Me perdoa – ele abaixou o rosto e tirou minhas mãos de si.
Foi um tiro que ardeu no peito
- Você pediu para que eu não o abandonasse, olha o que está
fazendo – minha voz saiu alta e perdi o controle das emoções
- Estou cuidando de você
- Esta sendo covarde - os soluços eram forte em ambos e por mais que entendesse seus motivos tinha raiva por ele estar indo
- Não fala assim – ele apertou meus punhos e falou em um sussuro - é o meu limite Hudgens
- Tem noção do que está fazendo? Perdi meu pai hoje! –
gritei desesperada – perdi a empresa, trabalho, casa e tudo que
tinha. Eu NÃO posso perder você
- E eu não posso continuar te causando mais sofrimento. Não dá para arriscar – ele respirava rápido tentando não entrar em pânico e essa cena me fez parar tudo. Ele estava destruído. Austin tinha acabado com o pouco de otimismo que ele tinha o encurralando hoje. Meu pai havia avisado que ele tentaria e eu não pude nem perceber o quanto Zac estava abatido. Ele não merecia isso.
- Me desculpa - falei despertando da transe
- O que? - ele ainda tinha dificuldades em respirar e eu enxuguei meu rosto com a blusa me aproximando - você está certo - o puxei rodeando meus braços em sua cintura e encostando a cabeça em seu peito ouvindo os batimentos descompassados - se acalme amor - falei baixo sentindo ele me apertar e esconder a cabeça entre meu cabelo e pescoço
- Amo você
- E eu sei disso melhor que ninguém - sussurei fechando os olhos e deixando a emoção fluir - Não é sua culpa eu ter arruinado tudo, sempre soube que não seria a pessoa certa pra você! - ele arfou e eu continuei - te prender a mim porque não aguento o sofrimento sozinha é errado
- Nós não vivemos em sofrimento. Você foi a melhor pessoa - o interrompi
- É, mas hoje você adoraria não ter me conhecido - falei me soltando parcialmente do abraço e segurando seu queixo levantando o olhar pra mim - Anjos como você não podem voar para o inferno comigo
- Nada disso me faz querer não ter te conhecido. O inferno que diz só começou porque eu instiguei
- Não - sorri sentindo a alma morrer ali - você precisa de alguém que não tenha uma bagagem tão pesada. Alguém que seja puro como você e o mais importante que não seja eu - desabei a chorar e entre soluços terminei - só posso agradece-lo por tudo que fez e deixa-lo livre para ser feliz
- Sou feliz - ele rebateu sem brilho nos olhos - Austin vai pagar pelo que esta fazendo, ainda teremos chance de ficarmos juntos. Ele vai ser preso ou internado só precisamos aguentar
- Você tem razão - concordei para não deixa-lo pior
- Você prometeu que seria minha
- Até o fim da vida serei - ele me abraçou por um longo tempo e saiu só com a roupa do corpo. Aguentei ate a porta da frente ser fechada e depois caí em prantos sabendo que não aguentaria. O medo tomou conta de mim, fechei o quarto todo e me encolhi no escuro desesperada. Austin tinha conseguido. Estava destruída. Não tinha mais Zac e ainda vi o estrago que fiz na vida dele com minha história. Essa era parte que sangrava... saber que ele estava ferido acabou comigo e com peso nos olhos senti a consciência se perder. Era o vazio que me chamava e eu me entreguei.
-

Aí meu Deus, que capítulo foi esse 💔
ResponderExcluirA morte do Greg me pegou desprevenida, eu imaginava que iria acontecer, mas foi tão rápido, que triste fim 💔
Como uma pessoa só pode causar tanto dano? Espero que esteja tramando um final bem doloroso para o Austin.
Não acredito que Zanessa se separou no mesmo dia do velório, eu sabia que que o Austin afetaria diretamente o Zac, mas ele tão podre que fez isso no pior dia da vida da Vanessa.
A cabeça do Zac deve estar tão confusa, não tem nem como culpa-lo por cair no papo do Austin, ele viu o sogro morrer e a namorada perdendo tudo, tudo isso porque um maníaco quer ver a Vanessa longe dele, é ingênuo pensar que vai dar certo, mas ninguém nasce sabendo lidar com pessoas tão cruéis como o Austin.
A Vanessa então 💔, nada do que ela fez no passado justifica tanto sofrimento, agora fica a dúvida, agora que Austin conseguiu o quer, qual o próximo passo? Machuca-la fisicamente ou ir atrás do Zac?