Narrado pela Stella
- Mãe? Mexendo no jardim? – a encontrei do lado de fora da casa com
as mãos sujas
- Seu pai me fez prometer que essas flores seriam bem cuidadas, quer ajudar?
- A senhora tem alguma noção do que está fazendo?
- Nenhuma – ela riu- confesso que o olhar era mais interessante – os olhos
ficaram molhados
- Está tão recente – enxuguei o rosto também – parece que tudo perdeu a
cor
- Querida a vida é feita de ciclos. Seu pai finalmente descansou sabendo
que viveu tudo que pode. Agora é com a gente
- É difícil! Só de acordar tenho vontade de chorar
- E eu então?! Nestes dois dias o que mais tenho feito é chorar – nos
abraçamos – é uma das formas de nos curarmos mais rápido
- E a Vanessa que não tem saído do quarto?
- Vou lá – ele tirou as luvas de jardinagem
- Vamos juntas
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- Filha abra a porta – batíamos e não tínhamos sinal algum
- Zac é a Stella, a convença a abrir a porta por favor – falei mais alto
encostando o ouvido na porta e não escutando nada
- Tem chave reserva?
- Não mãe
- Se afaste – me assustei quando ela começou a esmurrar a porta e lá
dentro nada acontecia. Preocupada a ajudei e sem alternativa ligamos para Zac
que não atendia
- Liga para o Erick, vamos ter que derrubar – liguei com pressa e em menos
de 10 minutos ele havia chego
- Tem certeza que ela não saiu?
- Não saiu Erick, pode derrubar – ele o fez e assim que tivemos acesso ao
quarto tudo estava escuro e tinha um monte de cobertas na cama. Mamãe acendeu
as luzes e se aproximou com cuidado da cama entrando em desespero ao ver
Vanessa desacordada e extremamente vermelha
- Erick chama a ambulância e Stela liga o chuveiro no frio – ajudei a
levanta-la da cama e me assustei
- Ela está molhada e fria
- É febre. Me ajude a chegar ao banheiro
Com muito custo ela acordou atordoada falando palavras sem nexo algum
- Quer matar a gente do coração Vanessa?
- Por estão brigando comigo? – Sua voz era quase inaudível
- Anda me ajude a te vestir, vamos para o hospital – com muita dificuldade
conseguimos leva-la. Chegando lá ficamos rodando na sala
de espera
- Dr Lewis alguma notícia?
- A febre não cessa. Fizemos exames para saber se é algo recorrente alguma
infecção e estamos aguardando. Ela tem apresentado confusão e vez e outra
alucina. Por ora ela foi medicada e estamos acompanhando de perto. Nas próximas
horas teremos os resultados e no momento a falta de ar está controlada
- Estou preocupada
- Gina vocês passaram por muito nos últimos dias. Poderia ser até
emocional! Vanessa vem vindo de estafes constantes. Não me surpreenda que o
corpo tenha chego ao limite! O esgotamento mental é possível e até ter o
diagnóstico completo não vou eliminar nenhuma hipótese
- Nos mantenha informados por favor
- As enfermeiras passarão sempre que possível para atualiza-las. Com
licença – ele se retirou e nós três ficamos sentados pensando em tudo e nada
- O que será que aconteceu e por que Zac não está com ela?
- Não sei Erick. Tentamos falar com ele e só chama! Não consigo entender
como passamos dois dias literalmente em uma bolha e nem notamos que ela estava
doente
- Sua irmã precisava de espaço para o luto. Só vou entender quando e por
que Zac saiu. Nessas horas ele era o único com quem ela poderia desabafar
- Mas e nós? – perguntei sentida
- Stella você conhece sua irmã. Sabe que ela tentaria de todas as formas
fazer que fosse o menos dolorido para nós e muitas vezes para isso ela segura
tudo sozinha. Com Zac ela tem trabalhado esse lado e tem dividido emoções
- Que droga – me sentei revoltada em notar que realmente as obrigações e
decisões difíceis eram todas jogadas nas costas dela e muitas das vezes ao
invés de ajudar eu só colocava mais peso nela
- Não fique assim, sua irmã é forte
- Não é esse o problema Erick. Sabe quantas vezes ela se expôs para me
proteger? Até assumir a empresa ela o fez para que eu tivesse oportunidade de
correr atrás dos meus sonhos. Em momento algum parei para perguntar como ela
estava ou se precisava de ajuda. Sei que ela é forte, mas não custava dar a
cara a tapa as vezes e deixa-la descansar – falei triste – sou uma péssima irmã
- Chega Stella, nós já estamos abaladas por diversas razões e você arranjar
mais uma agora não vai ajudar. Vamos nos unir e passar por mais essa juntas.
Vanessa vai precisar de apoio e nós estaremos lá – Escutei minha mãe ser firme
e me sentei suspirando
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- Zac faz dois dias que você não come nada, não sai direito do quarto e
nem está com a Vanessa. O que está acontecendo?
- Estou sem apetite
- E quanto a Vanessa? Não entendo por que não está com ela. O que esta
acontecendo?
- No momento acho que ela nem gostaria de me ter por perto
- Absurdo! Ainda mais passando por um momento tão delicado filho. Em quem
ela vai se apoiar?
- Não sei pai – me sentei na sala com a vontade de contar tudo. Explicar
que estar distante era a única forma de garantir que ela estaria bem e ouvir
seus conselhos do que fazer, mas envolver eles nisso tudo era errado. A forma
como ela me olhou descrente do que estava fazendo vinha a mente a todo segundo
e me impediam de dormir. Estava me sentindo um lixo por não estar ao seu lado e
mais ainda por ter que feri-la ainda mais. Magoa-la e deixa-la desamparada era
desumano. Ela não merecia isso
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- Como está?
- Cansada! Aliás por que não posso sair mesmo?
- Sua febre não passa e nem alta teve ainda
- Estou bem mãe
- Só vai sair daqui com diagnóstico e tratamento. Te encontrei desmaiada
no quarto, tivemos que derrubar a porta! Sabe o que poderia ter acontecido???
- Não precisa ficar brava
- Preciso sim! A questão não é ficar estar brava e sim estar preocupada.
Há tempos venho falando para se cuidar e até ter certeza que vai estar bem
vamos ficar aqui. Seus resultados devem sair nas próximas horas
- Os exames não vão apontar nada
- Como sabe?
- O que está doendo ninguém pode curar – prendi o choro na garganta me
sentindo derrotada – Zac terminou comigo
- Por Deus filha o que aconteceu? – ela se sentou na cama junto comigo
- Eu nem sei mais o que vale a pena – solucei – mãe estou perdendo tudo
- Minha pequena vem cá – chorei durante horas e ora e outra minha mãe
também chorava o que seria hilário em outra circunstância
- Já faz tanto tempo desde que peguei você no colo – ela sorriu com os
olhos inchados – minha garotinha forte!
- Não estou vendo nada de forte aqui – limpei os olhos esgotada
- Pois eu vejo uma fortaleza que mesmo sendo bombardeada por todos os
lados continua mantendo seus queridos em segurança! Aguentar tudo que vem
acontecendo sozinha não é para qualquer um – ela penteava meus cabelos com os
dedos
- A senhora acredita em karma?
- Não, mas por que a pergunta?
- Tudo que fiz aos outros em questão de sofrimento estou passando agora...
- Zac é definitivamente especial! – ela riu – Vanessa Hudgens repensando e
se abrindo com outros é a novidade do século
- Não caçoe de mim – respirei fundo – achei que fosse ficar bem, que daria
conta e assim que ele saiu foi como se tivesse perdido o chão
- Não consigo nem imaginar o quanto esteja doendo – ela ergueu meu rosto –
as vezes temos desilusões que não entendemos querida.... Tenho um conselho para
isso
- Mesmo? Devo estar horrível para que me de conselhos...
- De forma alguma! Dada a situação está até bem! Quer ouvi-lo?
- Quero....
- Perder o chão nos dá a oportunidade de voar – ela abaixou os óculos e
riu da minha feição interrogativa
- É isso? Mensagem de biscoito da sorte?
- Não seja irônica! É um conselho de grande valia!
- Não quero ser pessimista, mas seu conselho só me mostra que na hora de
voar eu cai e me arrebentei.
- Não posso estar ouvindo isso de você! Desde quando cair é um problema?
Sinal de que suas asas ainda não estão em forma!! Algum quadrante da sua vida
está em desequilíbrio
- Todos eles no caso. E essa queda em específico foi bem maior que as
outras tá? Com certeza me deixou lesionada
- Você com tantas faces e soluções esta com medo? – ela me olhou com
atenção
- Estou – assumi sentindo minha insegurança gritar para que me fechasse. A
palavra fraca ecoava fortemente. Doía guardar emoções e doía mais ainda as
expressar e Zac foi o limite. Era meu equilíbrio todo desfeito. Minha mente não
estava boa, meu corpo também não e o pacote ficava completo com o coração
machucado
- E ele vai passar a medida que conversarmos. Vai ficar tudo bem e estou
aqui com você para você. Só ponha pra fora – me aconcheguei e fiquei de olhos
fechados respeitando tudo que meu corpo quisesse fazer. Me permiti chorar,
ficar em silêncio e nem reparei quando Stella entrou no quarto. Em pouco tempo
estávamos as três abraçadas e quanto mais soluços saiam mais aliviada ficava
- Melhor? – Stella
- Acho que sim
- O Dr. Lewis falou que clinicamente os exames estão bons
- já posso ir embora então?
- Sua febre não cessou ainda
- Mãe?
- Nós vamos! Pode se trocar meu amor. Vou pegar os papéis para que assine a
alta
- Ué o que foi que perdi?
- Sua irmã esta com o coração machucado, ficar aqui sozinha não vai ajudar
- Estou ligando para Ashley! Te espero lá embaixo
- Obrigada - sorri sem ânimo e recebi ajuda para arrumar minhas coisas
