Capitulo 35

 - Hey princesa acorda! – Ashley abriu as cortinas do quarto quase me cegando

- Ainda preciso descansar

- Já tem 2 semanas que voltou do hospital e está descansando. Hora de voltar a rotina e a vida!

- Descansando? A cada dois minutos alguém entra no quarto e sem falar que estou sem porta né!!

- Você ainda está abalada, só estamos garantindo que fique bem! – ela puxou as cobertas e me viu respirar fundo – como se sente hoje?

- Com a cabeça pesada e extremamente cansada

- Podíamos fazer uma caminhada o que acha?

- Não quero Ash! Me deixa ficar aqui vai? Estou me esforçando para ficar bem

- Sua mãe me falou que tem comido o mínimo. Desse jeito vai ter que voltar ao hospital!! Não atende ligações. Não sai do escuro e ainda tem tido febres

- Estou me permitindo sentir...

- Não, você está se entregando a uma depressão – ela disse e no mesmo instante lembrei de Zac quando conversamos sobre isso e já embacei os olhos – ei eu falei alguma coisa? – ela se aproximou me abraçando

- Não é culpa sua – limpei o rosto – sei que preciso recomeçar é que no momento é muito – me sentei na cama – ter que lidar com o luto e a falta que ele me faz está exigindo uma estrutura que não tenho

- Você precisa se distrair e ver o lado leve da vida

- Lado leve?

- Sair com os amigos, provar culinárias diferentes e experimentar novas experiências! Tudo que fazia antes – ela viu que não me mexi e continuou – começando com um banho relaxante e colocando uma roupa bonita

- O que tem a minha roupa?

- Nada, moletom é confortável só não é indicado para onde vamos

- E vamos onde?

- Numa floricultura! Sua mãe pediu algumas mudas e podemos busca-las

- O jardim está uma bagunça – sorri olhando pela varanda

- Ela tem se esforçado!

- É pelo menos ela tem conseguido

- Stella tem trabalhado dobrado e esta ajudando a quitar os gastos que ficaram pendentes no hospital

- Não acredito que deixei ela sozinha com isso – me levantei cambaleando – meus acessórios e projetos ficaram em Dallas – me sentei de novo

- Podemos buscar

- Não consigo ver o  Efron

- Não seja dura, Chris disse que do lado de lá também não esta sendo fácil. Não pode culpa-lo por querer protege-la

- Não o culpo de forma alguma Ash! A raiva que tenho é por não conseguir levar o que tínhamos a diante e ter acabado com a vida dele - declarei com a vulnerabilidade a flor da pele

- Ambos estão magoados com que foram impedidos de viver. Deixa o tempo agir amiga

- Ama-lo foi um erro – olhei seriamente nos olhos dela –  Ele merece ser feliz e sei que comigo não vai ser

- Ai Vane não fala assim - ela se abateu

- Meu pai me avisou que Austin usaria a pressão mental em Zac. Pensei que pudesse contorna-la me mostrando transparente e nos relacionando com confiança. Errei!

- Amiga o Zac te ama

- Sei disso Ashley e também o amo. Quando conversamos expus tudo e tomamos a decisão de enfrentar tudo juntos. Eu o entendo completamente por não querer que me machuque eu também não quero faze-lo sofrer. Ele teve a coragem que eu não tive

- Vocês vão se reconciliar

- Não vou entrar nessa de novo. Acho que esse negócio de casamento não é pra mim – ri triste e olhei o anel o tirando – daqui pra frente vou me focar só em me reconstruir. É o meu limite

- Sei que está doendo. Nunca vi você assim. Sei que é pelo Zac, mas sei que é por você também amiga. Vai levar tempo até que esteja pronta para encarar a vida novamente e ser a pessoa iluminada que era. Só te peço para não trilhar um caminho escuro. Dê ao tempo a oportunidade de te curar. Sempre vai haver um jeito

- E quanto a ele? Como posso aceitar que ele não esteja bem? Zac é o principe de qualquer garota Ashley. Em todo o pacote não era para ve-lo sofrer

- Ele também vai se reconstruir. Vocês se amam - ela me abraçou - No momento acredite que este tempo os fará crescer. Primeiro individualmente e depois acharão o caminho de volta um ao outro. Austin não pode contra isso e você sabe disso 

- Aceitar o fim é meu recomeço?

- Um capitulo pode ter acabado, mas a historia ainda não. Escute, estamos aqui e Chris, Monique e Corbin estao lá, vocês não vão estar sozinhos e logo tudo isso vai passar - me aconcheguei no abraço e fechei os olhos suspirando. Aceitar já era o começo

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- Caramba Zac atrasado de novo - Corbin

- Foi difícil acordar

- Bebeu novamente?

- Foi o jeito que encontrei de desligar

- Cara sai dessa – ele colocou as mãos sobre meus ombros- tem acabado com você. É triste vê-lo dessa forma.

- Um mês hoje. Ela não veio nem buscar as coisas dela

- Você pode deixar com Chris e ele entrega. Depois da mensagem não se falaram mais?

- Algumas vezes em desespero liguei de outros números. Todas ligações foram direto pra caixa

- Monique disse que ela se desligou totalmente de tudo. Conseguiu um trabalho com eventos e tem se empenhado

- Ainda estou magoado por deixa-la no momento que perdeu o pai. Não tem um dia sequer que não me arrependa de não ter estado lá.

- Não se culpe por isso. Foi forçado a se separar.

- Fui um tolo, devia ter pego Austin na porrada de novo

- E aparecer quebrado em um hospital de novo?

- Iria mais preparado dessa vez

- Já te falei diversas vezes desde que voltou. Não faça nada idiota. 

- Não vou fazer

- Zac - ele me chamou atenção - tenha paciência. Você mesmo me disse que ela jurou ser sua independente de estarem juntos ou não - sorri ao lembrar - vai dar certo amigo. Ainda terão a vida que querem - ele me abraçou e deu um sorriso singelo 

- Obrigado 

O dia passou lentamente e ao chegar em casa no final da tarde o silêncio me consumiu. Todos os dias ligava seu notebook e via a galeria com saudade dos momentos. Entrei numa pasta nova ainda sem identificação e senti o peito apertar ao ver roteiros de viagens para uma lua de mel no Hawaii. Fiquei mais surpreso ainda vendo que as passagens já estavam compradas. Ela as comprou na nossa última noite juntos e se eu  soubesse não teria dormido tão rapidamente como fiz. Desliguei sentindo uma crise de ansiedade bater e de longe vi um whiskey. Meu corpo tremia e para não enlouquecer precisei sair. Era assim toda noite, ou bebia até desmaiar ou tinha crises de ansiedade que me tiravam a lucidez.

A noite estava clara e minha moto parada do lado de fora me chamou atenção. Era ruim querer alguém para diminuir a tristeza de estar sozinho? Enviei mensagem aos meus pais dizendo que estava a caminho e me progamei para ve-la mesmo que a distância. Cheguei a conclusão de que se hoje fosse meu último dia ela era a única que queria por perto. Era tudo ou nada.



Capitulo 34

 Narrado pela Stella

- Mãe? Mexendo no jardim? – a encontrei do lado de fora da casa com as mãos sujas

- Seu pai me fez prometer que essas flores seriam bem cuidadas, quer ajudar?

- A senhora tem alguma noção do que está fazendo?

- Nenhuma – ela riu- confesso que o olhar era mais interessante – os olhos ficaram molhados

- Está tão recente – enxuguei o rosto também – parece que tudo perdeu a cor

- Querida a vida é feita de ciclos. Seu pai finalmente descansou sabendo que viveu tudo que pode. Agora é com a gente

- É difícil! Só de acordar tenho vontade de chorar

- E eu então?! Nestes dois dias o que mais tenho feito é chorar – nos abraçamos – é uma das formas de nos curarmos mais rápido

- E a Vanessa que não tem saído do quarto?

- Vou lá – ele tirou as luvas de jardinagem

- Vamos juntas

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- Filha abra a porta – batíamos e não tínhamos sinal algum

- Zac é a Stella, a convença a abrir a porta por favor – falei mais alto encostando o ouvido na porta e não escutando nada

- Tem chave reserva?

- Não mãe

- Se afaste – me assustei quando ela começou a esmurrar a porta e lá dentro nada acontecia. Preocupada a ajudei e sem alternativa ligamos para Zac que não atendia

- Liga para o Erick, vamos ter que derrubar – liguei com pressa e em menos de 10 minutos ele havia chego

- Tem certeza que ela não saiu?

- Não saiu Erick, pode derrubar – ele o fez e assim que tivemos acesso ao quarto tudo estava escuro e tinha um monte de cobertas na cama. Mamãe acendeu as luzes e se aproximou com cuidado da cama entrando em desespero ao ver Vanessa desacordada e extremamente vermelha

- Erick chama a ambulância e Stela liga o chuveiro no frio – ajudei a levanta-la da cama e me assustei

- Ela está molhada e fria

- É febre. Me ajude a chegar ao banheiro

Com muito custo ela acordou atordoada falando palavras sem nexo algum

- Quer matar a gente do coração Vanessa?

- Por estão brigando comigo? – Sua voz era quase inaudível

- Anda me ajude a te vestir, vamos para o hospital – com muita dificuldade conseguimos leva-la. Chegando lá ficamos rodando na sala de espera

- Dr Lewis alguma notícia?

- A febre não cessa. Fizemos exames para saber se é algo recorrente alguma infecção e estamos aguardando. Ela tem apresentado confusão e vez e outra alucina. Por ora ela foi medicada e estamos acompanhando de perto. Nas próximas horas teremos os resultados e no momento a falta de ar está controlada

- Estou preocupada

- Gina vocês passaram por muito nos últimos dias. Poderia ser até emocional! Vanessa vem vindo de estafes constantes. Não me surpreenda que o corpo tenha chego ao limite! O esgotamento mental é possível e até ter o diagnóstico completo não vou eliminar nenhuma hipótese

- Nos mantenha informados por favor

- As enfermeiras passarão sempre que possível para atualiza-las. Com licença – ele se retirou e nós três ficamos sentados pensando em tudo e nada

- O que será que aconteceu e por que Zac não está com ela?

- Não sei Erick. Tentamos falar com ele e só chama! Não consigo entender como passamos dois dias literalmente em uma bolha e nem notamos que ela estava doente

- Sua irmã precisava de espaço para o luto. Só vou entender quando e por que Zac saiu. Nessas horas ele era o único com quem ela poderia desabafar

- Mas e nós? – perguntei sentida

- Stella você conhece sua irmã. Sabe que ela tentaria de todas as formas fazer que fosse o menos dolorido para nós e muitas vezes para isso ela segura tudo sozinha. Com Zac ela tem trabalhado esse lado e tem dividido emoções

- Que droga – me sentei revoltada em notar que realmente as obrigações e decisões difíceis eram todas jogadas nas costas dela e muitas das vezes ao invés de ajudar eu só colocava mais peso nela

- Não fique assim, sua irmã é forte

- Não é esse o problema Erick. Sabe quantas vezes ela se expôs para me proteger? Até assumir a empresa ela o fez para que eu tivesse oportunidade de correr atrás dos meus sonhos. Em momento algum parei para perguntar como ela estava ou se precisava de ajuda. Sei que ela é forte, mas não custava dar a cara a tapa as vezes e deixa-la descansar – falei triste – sou uma péssima irmã

- Chega Stella, nós já estamos abaladas por diversas razões e você arranjar mais uma agora não vai ajudar. Vamos nos unir e passar por mais essa juntas. Vanessa vai precisar de apoio e nós estaremos lá – Escutei minha mãe ser firme e me sentei suspirando

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- Zac faz dois dias que você não come nada, não sai direito do quarto e nem está com a Vanessa. O que está acontecendo?

- Estou sem apetite

- E quanto a Vanessa? Não entendo por que não está com ela. O que esta acontecendo?

- No momento acho que ela nem gostaria de me ter por perto

- Absurdo! Ainda mais passando por um momento tão delicado filho. Em quem ela vai se apoiar?

- Não sei pai – me sentei na sala com a vontade de contar tudo. Explicar que estar distante era a única forma de garantir que ela estaria bem e ouvir seus conselhos do que fazer, mas envolver eles nisso tudo era errado. A forma como ela me olhou descrente do que estava fazendo vinha a mente a todo segundo e me impediam de dormir. Estava me sentindo um lixo por não estar ao seu lado e mais ainda por ter que feri-la ainda mais. Magoa-la e deixa-la desamparada era desumano. Ela não merecia isso

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- Como está?

- Cansada! Aliás por que não posso sair mesmo?

- Sua febre não passa e nem alta teve ainda

- Estou bem mãe

- Só vai sair daqui com diagnóstico e tratamento. Te encontrei desmaiada no quarto, tivemos que derrubar a porta! Sabe o que poderia ter acontecido???

- Não precisa ficar brava

- Preciso sim! A questão não é ficar estar brava e sim estar preocupada. Há tempos venho falando para se cuidar e até ter certeza que vai estar bem vamos ficar aqui. Seus resultados devem sair nas próximas horas

- Os exames não vão apontar nada

- Como sabe?

- O que está doendo ninguém pode curar – prendi o choro na garganta me sentindo derrotada – Zac terminou comigo

- Por Deus filha o que aconteceu? – ela se sentou na cama junto comigo

- Eu nem sei mais o que vale a pena – solucei – mãe estou perdendo tudo

- Minha pequena vem cá – chorei durante horas e ora e outra minha mãe também chorava o que seria hilário em outra circunstância

- Já faz tanto tempo desde que peguei você no colo – ela sorriu com os olhos inchados – minha garotinha forte!

- Não estou vendo nada de forte aqui – limpei os olhos esgotada

- Pois eu vejo uma fortaleza que mesmo sendo bombardeada por todos os lados continua mantendo seus queridos em segurança! Aguentar tudo que vem acontecendo sozinha não é para qualquer um – ela penteava meus cabelos com os dedos

- A senhora acredita em karma?

- Não, mas por que a pergunta?

- Tudo que fiz aos outros em questão de sofrimento estou passando agora...

- Zac é definitivamente especial! – ela riu – Vanessa Hudgens repensando e se abrindo com outros é a novidade do século

- Não caçoe de mim – respirei fundo – achei que fosse ficar bem, que daria conta e assim que ele saiu foi como se tivesse perdido o chão

- Não consigo nem imaginar o quanto esteja doendo – ela ergueu meu rosto – as vezes temos desilusões que não entendemos querida.... Tenho um conselho para isso

- Mesmo? Devo estar horrível para que me de conselhos...

- De forma alguma! Dada a situação está até bem! Quer ouvi-lo?

- Quero....

- Perder o chão nos dá a oportunidade de voar – ela abaixou os óculos e riu da minha feição interrogativa

- É isso? Mensagem de biscoito da sorte?

- Não seja irônica! É um conselho de grande valia!

- Não quero ser pessimista, mas seu conselho só me mostra que na hora de voar eu cai e me arrebentei.

- Não posso estar ouvindo isso de você! Desde quando cair é um problema? Sinal de que suas asas ainda não estão em forma!! Algum quadrante da sua vida está em desequilíbrio

- Todos eles no caso. E essa queda em específico foi bem maior que as outras tá? Com certeza me deixou lesionada

- Você com tantas faces e soluções esta com medo? – ela me olhou com atenção

- Estou – assumi sentindo minha insegurança gritar para que me fechasse. A palavra fraca ecoava fortemente. Doía guardar emoções e doía mais ainda as expressar e Zac foi o limite. Era meu equilíbrio todo desfeito. Minha mente não estava boa, meu corpo também não e o pacote ficava completo com o coração machucado

- E ele vai passar a medida que conversarmos. Vai ficar tudo bem e estou aqui com você para você. Só ponha pra fora – me aconcheguei e fiquei de olhos fechados respeitando tudo que meu corpo quisesse fazer. Me permiti chorar, ficar em silêncio e nem reparei quando Stella entrou no quarto. Em pouco tempo estávamos as três abraçadas e quanto mais soluços saiam mais aliviada ficava

- Melhor? – Stella

- Acho que sim

- O Dr. Lewis falou que clinicamente os exames estão bons

- já posso ir embora então?

- Sua febre não cessou ainda

- Mãe?

- Nós vamos! Pode se trocar meu amor. Vou pegar os papéis para que assine a alta

- Ué o que foi que perdi?

- Sua irmã esta com o coração machucado, ficar aqui sozinha não vai ajudar

- Estou ligando para Ashley! Te espero lá embaixo

- Obrigada - sorri sem ânimo e recebi ajuda para arrumar minhas coisas

Capitulo 33

 Amanhecemos em Nova York a espera de maiores informações sobre a saúde do meu pai

- Amor vou na lanchonete pegar alguma coisa pra gente. Você não comeu nada desde ontem

- Estou sem fome, pode comprar só pra você – dei um sorriso desanimado

- Vou trazer pelo menos um café – me beijou na testa e saiu. Olhei para o lado e minha mãe estava cochilando na poltrona. Suas olheiras denunciavam que a noite tinha sido difícil e mais ao lado Stela estava dormindo nos ombros de Erick. Esperei por mais 10 minutos até o doutor aparecer cabisbaixo

- Sinto muito Vanessa – ele me encarou e nada precisou ser dito.

- Como?? – estava ciente de que poderia acontecer a qualquer momento, mas mesmo assim foi difícil acreditar, o silêncio refletia o vazio. Olhei para o lado e minha mãe estava petrificada

- Greg sabia que o estado era crítico. Com menos recursos sua resistência caiu drasticamente – neste momento foi como se um tiro atravessasse meu peito. Precisei me concentrar na respiração para não desmaiar ali. Dr. Lewis percebendo a crise de pânico tentou reverter

- Vanessa fizemos o possível. Todo o possível

- Se ele tivesse os recursos – sussurrei sem equilíbrio vendo Zac correr para perto

- A dúvida não gera conforto. Não quis insinuar que teríamos um final diferente. Não dá para saber minha jovem. Como médico e amigo não quero vê-la dessa forma.

- Preciso ficar sozinha - sai como um jato com o estômago embrulhado e vista embaçada. Dentro de um sanitário foi difícil conter a ânsia, em minutos estava com o corpo fraco. Elas precisariam de mim e não poderia ser dessa forma. Lembrei de todas as vezes em que perdi o chão e tive que ser forte. Tentei parar as lágrimas e não consegui. Era justo agora que estávamos nos entendendo? O flash de uma infância rodeada de carinho e atenção passaram na mente. O apoio que tive quando adolescente e depois as desavenças de adulto me sufocavam. O tanto que fui fria e todas as vezes que o evitei pesaram. Sem condições de sentir tudo empurrei qualquer emoção, respirei fundo e saí sentindo o peito em pedaços

- Te procurei por toda parte – Zac estava afoito e com os olhos vermelhos – vem cá – ele me puxou e por mais reconfortante que fosse não iria chorar. Fomos devagar até a sala e ao chegar lá fui agarrada por Stela que estava aos prantos

- E agora Vanessa? – a vulnerabilidade me deixou atordoada.

- Vamos ter que continuar meu amor – limpei miseravelmente seu rosto prendendo o nó na garganta

- De que jeito se doí tanto?

- Do jeito que der – respirei fundo – e vai doer pra sempre Stela – fui honesta a olhando - Só espero que em algum dia menos – ela me abraçou, olhei Zac procurando forças e seus olhos estava em mim

- Por favor não nos deixe sozinha. Não consigo sem você

- Estou aqui e sempre vou estar – a consolei com a única verdade que poderia exigir de mim

Resolvi tudo com o hospital e tentei poupar minha mãe da organização para o velório. Zac foi meu porto e por mais que estivesse fechada tentando manter minhas emoções sobre controle ele sabia que uma hora eu iria desabafar

O dia seguinte ironicamente amanheceu lindo e rostos conhecidos eram vistos. Amigos íntimos, conhecidos e até homens de negócio estavam na cerimonia

- Sinto muito

- Está tudo bem – minha expressão era neutra – vê-lo sofrer era triste demais

- Seu pai foi um guerreiro do início ao fim

- Obrigada Sr. David

- Se precisar de algo me ligue – David estava abatido e por mais atritos que tivéssemos tido por Austin ele era honesto e até certo ponto sempre teve meu pai como amigo. Vi sua tristeza com verdade.

Fiz questão de manter o velório o mais privado possível e não consegui ficar muito perto da Stella ou minha mãe. Tudo já doía ao extremo e era insuportável ouvir os soluços e não desabar. Uma de nós precisava estar em condições de recepcionar a todos e garantir um adeus a altura do que meu pai havia sido. Ele gostaria que fosse assim.

Zac sumiu durante a manhã e quando voltou seu rosto era infinitamente triste. Os olhos antes brilhantes estavam apagados e não me fitavam de forma alguma. Estranhei, mas respeitei o comportamento. As horas foram passando e a cada minuto desejava sumir. A armadilha mental que estava me fazia questionar a todo segundo se eu havia falhado com ele. Isso tudo teria acontecido neste momento se o tratamento tivesse continuado? Minhas decisões nos levaram a isso?

- Precisamos ir – Stela chegou perto e despertei no susto vendo que só a gente estava no local

- Vai conosco? – Minha mãe estava com o rosto inchado e a abracei

- Não mãe, preciso assinar algumas coisas ainda, encontro vocês em casa

- Cuide dela Zac – me beijou na testa

- Vamos mãe, Erick chegou

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- O que falta preencher?

- Não falta nada – suspirei – Só preciso de um tempo a sós – perto dele a emoção fazia sentido e tinha que ser demonstrada para não me sufocar, ele me abraçou com força

- Sinto tanto – sua voz também era embargada

- Doí demais. Ele não está mais aqui. Nunca mais vai estar - me desesperei sucumbido a tudo que evitei

- Calma eu prometo que você ficará bem – ele me apertava e chorava junto.

Depois de algumas horas fomos pra casa e ao adentrar aquele silêncio horrivel beirou o ambiente. Os cômodos estavam frios e as luzes do quarto das duas estavam acessas. Não precisei nem me aproximar para ouvir o choro e abaixei a cabeça esgotada. Fui fechar a porta e notei que Zac estava parado me olhando 

- Hey, o que está te aflingindo? - me aproximei e passei a mão em seu rosto enquanto ele abaixou a cabeça - porque não entra?

- É dificil - ele tirou minhas mãos de si, fechou a porta e me levou até nosso quarto sentando na cama

- Não quer ficar aqui? - estranhei seu comportamento inqueito

- Quero -o tom foi baixo e vi que os olhos estavam marejados

- Então o  que há boo? - me aproximei de novo e ele desviou

- Consegue me prometer algo hoje?

- O que você quiser - falei preocupada o olhando

- Que vai continuar sendo minha estando comigo ou não? -lágrimas desceram 

- O que esta acontecendo? - me assustei percebendo algo grave

- Prometa Vanessa - ele insistiu me segurando pelos pulsos enquanto me fitava chorando

- Por que está assim? O que aconteceu? Por que estando com você ou não? - nem soube se era um descontrole emocional ou do que se tratou, mas ja sentia o peito acelerado e medo do comportamento dele - Por que não estaríamos juntos? - tremi com a hipótese

- Prometa 

- Não quero ser sua não estando contigo, por que não estaria??? Eu quero estar, nós queremos - disse um pouco alterada - por que esta chorando e não me fala o sentido disso? - ele ficou quieto e me soltou

- Preciso ir embora - meu corpo todo entrou em estado de alerta e fiquei em choque 

- E vamos pra onde então? - ele me olhou e caiu ali 

- Sem você

- Zac o que está dizendo - me agachei - por que sem mim?Fiz alguma coisa ou até deveria ter feito algo? - comecei a falar sem parar tentando entender e diminuir o nervosismo que a conversa estava me dando. A medida que perguntava mais quieto ele ficava e em desespero peguei seu rosto entre as mãos e disse o fitando seriamente - Não importa o que seja, podemos resolver juntos. Não tem a menor condição me perguntar se seria sua estando contigou ou não. Eu sou sua. De todas as formas - Ele soltou o ar e colocou as mãos sobre as minhas com um sorriso triste

- Obrigado - se desvencilou de mim - agora preciso que seja forte e me entenda

- Estou ouvindo - me sentei

- Butler esteve aqui mais cedo - gelei ao ouvir o nome dele - os seguranças que tínhamos ao redor da casa foram todos apagados

- O que ele fez com você? - levantei agoniada procurando algum hematoma  - como ele soube daqui?

- Aparentemente ele sabia a localização da casa á algum tempo - ele suspirou 

- Vou ligar pra policia - peguei o celular tremendo e disquei

- NÃO - ele me parou fazendo um sinal para que eu parasse de falar e suspirou - vocês estarão seguras assim que eu me for -

- Mentira, Austin está jogando, você não pode acreditar nele - joguei desesperada vendo tudo ruir

- Ele avisou que seu pai não conseguiria. Avisou que pessoas seriam afetadas se não terminássemos - ele chorava e eu perdia a cor e sentindos

- Meu pai já estava doente, seria díficil com ou sem ele avisar. Você não pode estar cogitando ir embora

- Ele tirou cada chance que ele poderia ter. Você sabe disso – o jogo mental que atormentava minha mente tinha sido usado contra Zac que estava no limite e já não suportava as ameaças

- Por favor não caia nessa– senti o peito subindo e descendo rápido em um surto – Você ir embora não vai resolver as coisas– implorei - ele está te usando

- É muito pra mim – ele abaixou aqueles olhos que aparentavam estar cinzas e não conseguiu me olhar

- Por favor não termine – segurei seu rosto tentando convence-lo – a gente pode dar um jeito. Só não faça isso – o fitei – por favor, hoje não – falei baixo entregando o tanto que estava ferida

- Me perdoa – ele abaixou o rosto e tirou minhas mãos de si. Foi um tiro que ardeu no peito

- Você pediu para que eu não o abandonasse, olha o que está fazendo – minha voz saiu alta e perdi o controle das emoções

- Estou cuidando de você

- Esta sendo covarde - os soluços eram forte em ambos e por mais que entendesse seus motivos tinha raiva por ele estar indo

- Não fala assim – ele apertou meus punhos e falou em um sussuro - é o meu limite Hudgens 

- Tem noção do que está fazendo? Perdi meu pai hoje! – gritei desesperada – perdi a empresa, trabalho, casa e tudo que tinha. Eu NÃO posso perder você

- E eu não posso continuar te causando mais sofrimento. Não dá para arriscar – ele respirava rápido tentando não entrar em pânico e essa cena me fez parar tudo. Ele estava destruído. Austin tinha acabado com o pouco de otimismo que ele tinha o encurralando hoje. Meu pai havia avisado que ele tentaria e eu não pude nem perceber o quanto Zac estava abatido. Ele não merecia isso. 

- Me desculpa - falei despertando da transe

- O que? - ele ainda tinha dificuldades em respirar e eu enxuguei meu rosto com a blusa me aproximando - você está certo - o puxei rodeando meus braços em sua cintura e encostando a cabeça em seu peito ouvindo os batimentos descompassados - se acalme amor - falei baixo sentindo ele me apertar e esconder a cabeça entre meu cabelo e pescoço

- Amo você

- E eu sei disso melhor que ninguém - sussurei fechando os olhos e deixando a emoção fluir - Não é sua culpa eu ter arruinado tudo, sempre soube que não seria a pessoa certa pra você! - ele arfou e eu continuei - te prender a mim porque não aguento o sofrimento sozinha é errado

- Nós não vivemos em sofrimento. Você foi a melhor pessoa - o interrompi

- É, mas hoje você adoraria não ter me conhecido - falei me soltando parcialmente do abraço e segurando seu queixo levantando o olhar pra mim - Anjos como você não podem voar para o inferno comigo

- Nada disso me faz querer não ter te conhecido. O inferno que diz só começou porque eu instiguei

- Não - sorri sentindo a alma morrer ali - você precisa de alguém que não tenha uma bagagem tão pesada. Alguém que seja puro como você e o mais importante que não seja eu - desabei a chorar e entre soluços terminei - só posso agradece-lo por tudo que fez e deixa-lo livre para ser feliz

- Sou feliz - ele rebateu sem brilho nos olhos - Austin vai pagar pelo que esta fazendo, ainda teremos chance de ficarmos juntos. Ele vai ser preso ou internado só precisamos aguentar

- Você tem razão - concordei para não deixa-lo pior 

-  Você prometeu que seria minha

- Até o fim da vida serei - ele me abraçou por um longo tempo e saiu só com a roupa do corpo. Aguentei ate a porta da frente ser fechada e depois caí em prantos sabendo que não aguentaria. O medo tomou conta de mim, fechei o quarto todo e me encolhi no escuro desesperada. Austin tinha conseguido. Estava destruída. Não tinha mais Zac e ainda vi o estrago que fiz na vida dele com minha história. Essa era parte que sangrava... saber que ele estava ferido acabou comigo e com peso nos olhos senti a consciência se perder. Era o vazio que me chamava e eu me entreguei.




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Capítulo 32

Semanas trabalhosas se passaram. Quando voltei para Dallas Zac me recepcionou da melhor forma possível e aos poucos estávamos entrando no eixo novamente. Seguranças passaram a ser figuras constantes em nossas vidas e qualquer movimento novo era pensado. Estava respondendo ao processo absurdo de Austin enquanto trabalhava nos bastidores com Ashley para não afundar a Archeo. Mesmo com acusações falsas os relacionamentos empresariais eram difíceis. Em todo este tempo Ashley sugeriu a venda da empresa, não recusei. Precisava de algum recurso urgente. O tratamento do meu pai não era feito em plenitude por conta dos custos, mas sempre que necessário Dr. Lewis o avaliava e o internava chegando inclusive a pagar a diária. Dentre todas as guerras essa era a que mais me deixava sensível. Vê-lo piorar dia após dia sem ter o que fazer era uma tortura

- David encontrou alguns interessados na Archeo – estava com Ashley na linha

- Como você está com isso?

- Tá brincando Vanessa? Se houver a possibilidade de poder fazer algo por você. Mesmo que seja pequeno perto do que precisa irei fazer

- A empresa é sua Ashley

- Nunca consegui fazer o que você fez para Archeo. Eu só tentei não ferrar com tudo que você criou

- Nós criamos!!

- Não, você criou – ela frizou – para mim era o emprego dos sonhos, mas porque você estava lá. Está na hora de me mexer e ser útil – fiquei muda contendo a emoção.

- Obrigada viu

- Gata não me agradeça.  Fiquei incrivelmente feliz em saber que o pai do Austin não é nada parecido com ele e tenha nos ajudado tanto

- Sim David é o oposto e agora que está sozinho e divorciado tem estado até feliz, inclusive em firmar nossa parceria. Ligou o dane-se para tudo

- Gosto de pessoas assim! E mudando de assunto como vai com Zac?

- Hum bem?

- Desconheço esse tom Vanessa. Que insegurança é essa?

- Sei lá desde que me abri ele tem ficado mais distante 

- Ele ou você?

- Ele – revirei os olhos – estou respeitando seu espaço

- Não deixa um espaço muito grande garota. Vocês são esquisitos quando não estão se pegando ou demonstrando afeto

- Vou ignorar sua fala ta?

- Chegou o pessoal interessado na Archeo. Te ligo assim que tiver novidades

- Beijos!

Depois do bate papo me foquei no desenvolvimento do novo projeto. Não tinha grana, nem influência, entretanto a ideia já era um começo e vinha me mantendo entretida com todos os acontecimentos. A hora passava e nem via

Narração do Zac

- Oi! Muito ocupada?

- Um pouco – ela respondeu sem me olhar enquanto digitava 

- Vai conseguir jantar?

- Mais tarde talvez – me irritei com a concentração e insisti

- Já faz algumas semanas que não temos um tempo a sós

- Aconteceu alguma coisa?

- Estou com saudades – ela finalmente me olhou e tirou os óculos se aproximando

- Saudades?

- Estou carente – segurei sua cintura

- Vou terminar esse protótipo e jantamos tudo bem? Vou ouvir suas novidades e ficamos um tempo juntos, o que acha?

- Acho bom – sorri um pouco sentindo um carinho na nuca e cabelo

- Já desço – nos olhamos e tomei iniciativa de um beijo calmo que foi correspondido. Terminamos com alguns selinhos e sorrisos – me espera

- Vou fazer macarronada pode ser?

- Com certeza! Te amo – aqueles olhos chocolates me fitavam de forma tão doce e sentimental que era triste ter que me separar até para uma simples janta

- Eu também, não demora tá?

Com o jantar pronto comecei a ler alguns rótulos de vinhos para ver se algum servia para o momento

- Hey! Um tinto suave seria a opção para hoje

- Oie! Finalmente moça- sorri – ainda bem que chegou, estava em dúvida!

- O cheiro está ótimo

- Espero que o gosto também – tirei o avental

- Pode se sentar, vou te servir – ela montou a mesa e ao colocar meu prato ganhei um beijo estalado na bochecha. Com o vinho em taça foi sugerido um brinde – A nós?

- A você linda! – durante o jantar ela mais ouviu do que falou e sempre que se pronunciava a voz era macia e calma. Quando terminei de desabafar sobre o stress do trabalho ela se levantou e me abraçou por trás

- Isso tudo são sintomas de alguém que precisa de férias!

- Iríamos para o rancho?

- Não amor – sorri com a forma natural que ela disse. Nos últimos dias estávamos meio sem jeito um com outro – férias mesmo!! Lá no rancho mais trabalharíamos do que descansaríamos

- A situação está meio caótica para parar agora – ela suspirou

- Tem algum lugar que queira conhecer?

- Para descansar?

- Uhum – ganhei um beijo no pescoço que causou cócegas

- Viajei com Dylan algumas vezes para Arroyo Grande e aprendemos a surfar lá. Queria conhecer o Hawaii agora

- Quer ir em um fim de semana?

- Amor é longe para uma ida tão curta e fora que o preço é exorbitante dona Hudgens!

- Não é tão caro assim – ela massageou – existem chalés bem em conta e a passagem poderíamos ir com as milhas do meu cartão. Nunca mais usei! Sairiam na faixa

- Podemos pensar – me levantei a pegando no colo e nos colocando no sofá agarradinhos – vai ter que trabalhar ainda?

- Por algumas horas, preciso colocar as ideias enquanto ainda estão frescas no projeto

- Hum...

- O que quer fazer?

- Quero que você vá para cama. Quero decretar oficialmente nossa reconciliação!

- Estávamos brigados??

- Não, mas também não estamos normais um com outro. Já conversamos e encerramos o assunto, porém ainda sinto você desconfortável

- Só estou te dando espaço e respeitando seu tempo

- Não quero espaço – ri com sua surpresa – quero que fiquemos juntos novamente. E estou falando sério! Já faz quanto tempo que não dormimos juntos? Ou você se deita e eu nem sinto ou se levanta antes de amanhecer. Em todos os casos estou dormindo sozinho

- Desculpe boo – sorri com o apelido, sabia que ela estava rendida quando me chamava assim – pensei que quisesse assim

- De forma alguma!

- Vamos fazer o seguinte, subimos agora e espero você dormir. Volto para os protótipos e depois me deito lá de novo pode ser?

- É a melhor oferta? – forcei mais um pouco

- Te mimo a noite toda – ela sorriu e a beijei

- Feito! Vamos ter que arrumar a cozinha antes de subir?!

- Não estou nem um pouco afim de lavar louça – rimos – deixemos para amanhã – ela me estendeu a mão e subimos. Enquanto ela estava no banho liguei o aquecedor e me sentei esperando

- De baby doll?

- Uhum – ela engatinhou e me beijou enquanto passava devagar as unhas por meu abdômen e peitoral – não está com frio?

- Agora na verdade até com calor – ri com as carícias

- Hoje ficaremos só nos amassos! Assim que mais essa semana louca passar prometo dar-lhe a devida atenção

- Já escutei isso antes em? Tem me deixado de escanteio – aumentava o drama para tê-la por mais tempo e fechei os olhos com sua boca por meu corpo

- Por que tão gostoso Efron? – ela passou os lábios por meu pescoço e assoprou em seguida

- Não provoca se não vai poder continuar – alertei relaxado

- Provoco sim – ela riu e em seguida me abraçou sossegando – sorte sua que dessa vez realmente tenha que parar

- Sorte nenhuma! Parece que nem me quer mais..

- Calado Efron – ela se ajeitou em cima de mim com uma perna de cada lado e sorri discretamente sabendo que havia conseguido o que queria

- Só falo verdades – dramatizei colocando as mãos em suas coxas

- Sabe quanto auto controle é necessário para não te agarrar? – ela me fitou com a sobrancelha 

- Aparentemente nenhum! Estou com receio até que você nem ligue mais pra mim – meus batimentos já estavam acelerados esperando seu toque e ela aproximou seu rosto

- O que quer de mim?

- O que puder oferecer!

Em pouco tempo estava travando a garganta para não gritar seu nome. Pedi e estava sendo torturado. Sem limites e extremamente sexy ela não tinha nenhuma pressa em nos unir. Além do toque pensado ela parecia saber cada movimento meu, pois o antecipava me tirando o ar.

- Até hoje não aprendeu como funciona né? – a voz era baixa

- Ok quer que eu implore? – questionei tentando me segurar

- Não, só quero entender por que se segura – ela me beijou e quebrou minha guarda. Seu nome foi pronunciado no pico e seu sorriso de satisfação era gigantesco

- Muito bem boo – ela tinha os lábios vermelhos e ria do meu estado

- Nem pude te tocar – tentava recuperar o ar

- Nunca mais duvide do quanto te desejo Efron – ela me olhou séria e deu um riso malicioso enquanto se arruma para sair da cama

- Onde vai?

- Trabalhar? – ela sorriu e me dei por vencido afinal, era difícil manter os olhos abertos

- Só cumpriu metade da promessa

- Não senhor! Disse que ficaria até que dormisse – ela se aproximou e puxou a coberta me tampando e me dando um beijo rápido- boa noite vida – como mágica apaguei sem conseguir responder.

Em todo esse tempo com ela sempre questionava seus poderes e hoje não seria exceção. Ela era realmente uma feiticeira e de praxe extremamente sexy!

Quando acordei ela estava dormindo ao lado com o notebook entre as pernas. Tirei com cuidado a arrumando

- Disse que estaria aqui não foi? – ela sorriu cansada

- Você é incrível amor 

- Acho que tomei um jeito no pescoço 

- Fica deitada e descansa. Se quiser posso te fazer massagem

- Está tudo bem! Inclusive deixei nosso café pronto

- Então nem chegou a dormir

- Cochilei por 10 minutos acho

- Vai ficar em casa hoje?

- Não, vou ter mais um depoimento e depois consegui uma reunião com um estabelecimento da região

- O que está tramando senhorita?

- Buscando novas oportunidades para meu novo produto! Não é nada no ramo executivo fique tranquilo

- Ainda querendo manter segredo?

- Não é segredo, é surpresa! No fim das contas acho que encontrei a luz no fim do túnel

- Quero ver que projeto é esse que tem te deixado menos disponível pra mim 

- Vai ser o primeiro!

- Vai precisar do carro então 

- Vou... posso te deixar na oficina e depois busca-lo

- Vou de moto linda! Sem problemas – sorri 

- Ela não está ruim?

- Exatamente por isso! Já levo e a arrumo 

- Tudo bem então, pego o jantar!

- Ok qualquer coisa te ligo – a puxei para um beijo cinematográfico e nos despedimos sorrindo 

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- Atrasada!

- Vim o mais rápido que pude Dra Reiner, além do que já não aguento mais vir prestar o mesmo depoimento

-  Falta pouco agora querida

- Mentira - desabafei

- Falta menos do que ontem. Pense assim

- Se a Sra. sabe que sou inocente qual o sentido de continuar com tudo isso?

- O senhor Butler esta movendo um departamento jurídico inteiro para que a senhora fique presa a burocracias e por mais que as provas estejam concretas até o fim do processo vamos nos ver bastante ainda – suspirei me sentando

O depoimento foi maçante e o que era para ser resolvido em 2 horas foi esticado para 4. Me atrasou o restante dos compromissos e a noite quando conseguir buscar Zac que precisou deixar a moto na oficina para terminar no dia seguinte já era tarde. Chegando lá ele estava sentado sozinho na calçada

- Oiê! – Abaixei o vidro do carro sorrindo sem graça

- Atrasada Hudgens!!

- Tenho a impressão que já ouvi essa frase hoje – brinquei

- Estaciona o carro aqui, vamos na praça rapidinho – fiz o que ele pediu e o alcancei

- Além de estar atrasada ainda não consegui passar e pegar o jantar

- Poxa vida, não tem problema – ele riu pegando minha mão e nos levando ao banquinho da praça que estava vazia – a Lua não está linda?

- Belíssima – olhei para o céu cheio de estrelas que realmente estava bonito

- Céu estrelado, clima agradável e você do meu lado, poderia pedir mais?

- Um cachorro quente talvez? – sugeri e ele riu – é sério nem consegui almoçar hoje

- Quer passar no Corbin e jantar lá?

 - Seria perfeito – encostei a cabeça no ombro dele e entrelacei nossas mãos

- Lembra do dia que me deixou plantado aqui com a rosa?

- Lembro! Foi difícil...

- Foi naquele dia que descobri que estava apaixonado – ele colocou minhas mechas atrás da orelha – vim todo feliz achando que nosso primeiro beijo seria dado aqui

- Você é muito romântico! Desculpe desaponta-lo

- O primeiro não foi...– não foi necessário ele terminar a fala e meus lábios já estavam nos dele

- Exatamente como imaginei – ele sorriu e me derreti. O momento foi interrompido pelo celular e ao atender a tristeza foi nítida


Capítulo 31

 - Zac não sei se faria o mesmo se a situação fosse com a Ashley – Chris chegou pouco tempo depois que Vanessa pegou a estrada e nesse momento estávamos tomando uma cerveja com alguns aperitivos na mesa

- Vanessa é quase uma força da natureza não tem como impedir que ela faça algo! E durante nossa conversa vi que era realmente necessário que ela fizesse isso sozinha entende?

- Há não sei não. Acho perigoso

- Chris ajuda vai? Já estou com o peito apertado me deixar angustiado não vai ajudar

- Você tomou a decisão certa é que agora ela pode pensar que você só se apaixonou por uma metade do que ela é

- Espera acha que ela pode pensar isso? Claro que acha. – concluí depois que revisei nossa conversa e vi a decepção nos olhos dela. – Eu falei que precisava conhecer todas as faces do que ela era para que déssemos certo, que merda cara – bati na testa apavorado

- É nesse caso foi ruim a colocação. Ela pode ter ficado chateada com isso

- Ficou e agora entendi que com motivos – suspirei – tem como concertar?

- Não consigo dizer. A Vanessa é uma amiga com o comportamento contrário da Ashley. Se fosse com ela, na briga mesmo ela soltaria uns berros e nos resolveríamos, já Vanessa é tão neutra que não sei o que ela pensa para te ajudar

- Ela não é neutra

- Tá não é, mas não demonstra!! Quer dizer foi treinada para não demonstrar emoções. Seu caso é bem mais intenso eu não sei lidar com uma mulher tão independente como ela!

- Estou aprendendo também. Acredita que ela fez o celeiro sozinha?

- Não??? Como? – ri com o espanto sincero

- Não tenho a menor ideia, só cheguei e já estava pronto!

- Fora de série e absolutamente incrível!

- Ela é – sorri

- Ela é do tipo de mulher que te quer, mas não precisa de você! Aproveita cara! Se torne tão poderoso quanto ela

- O que quer dizer?

- Poderosamente gentil, compreensivo e o mais importante poderosamente aberto a aprender a amar todas suas fases para aprender a somar com elas

- Fácil né? – ironizei

- Você é especial cara! Ela já te escolheu – meu peito aqueceu e o sorriso foi espontâneo

- é ela já escolheu – tranquilizei a mente e me sentei tranquilo para uma noite de amigos agora sem conselhos

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- Confesso que não esperava você

- Esperava sim!

- Tem razão – ele riu e senti raiva – o Efron não gostou de saber sobre Ian e Paul?

- Austin viajei a noite inteira e não vim aqui falar do Zac.

- Hum.. pelo jeito não né?! – ele estava sendo sarcástico

- Se te interessa tanto até ficou ok – fui estudada minuciosamente por seus olhos

- Se estivesse tudo bem ele estaria junto contigo

- Podemos conversar sem colocar outras pessoas entre mim e você? Meu relacionamento está bem e saudável, sinto em dizer que sua jogada não funcionou

- Impossível! Você não contou tudo então

- Não, não contei – ele sorriu – tire esse sorriso do rosto – me irritei

- Cada vez que procuro algo sobre você me encanta saber que sua armadura se quebra! A grande Vanessa está sendo atingida por todos os lados

- O que mais quer de mim? Ou melhor o que posso fazer por você? Já está insustentável Austin. Não tem como continuarmos assim. Foi sorte Ian e Paul terem saídos vivos do acidente que descobri que você causou

- Me agradeça por isso inclusive. Já pensou se tivesse deixado sua loucura ir adiante? Te protegi e dei novas perspectivas de vida!

- Me protegeu? Vazou as fotos para que fosse julgada por tudo quanto é gente! Fez uma família se destruir – fui interrompida

- Eu não, você! – me calei

- Não sabia

- Mas depois que soube continuou

- De comum acordo entre eles

- Já terminou? Não quero perder minha manhã com este assunto. Inclusive palhaçada né. Foder com irmãos é doença

- Meio irmãos e poxa você é tão baixo não? Precisa utilizar essa linguagem? Se nem eles sabiam como eu saberia?

- Tem razão neste ponto. Ainda assim mereço um agradecimento

- Muito bem obrigada! Satisfeito?

- Sim!! Não doeu viu? – fiquei quieta olhando uma pilha de pastas desorganizadas em cima da mesa – sobre isso já viu como trabalhar é desgastante?

- Sei como é

- Se não fosse tão orgulhosa e claro se não tivesse me traído lhe daria um cargo excelente aqui dentro!

- Por favor Austin fica difícil não querer te ofender dessa forma. Como faço para ter trégua? Chega de ameaças e acidentes.

- Fique comigo

- Você não pode estar falando sério – suspirei desacreditada – Sabe que não dá, é se auto destruir querer ficar comigo e me forçar a isso. Não há nada entre nós. No estágio de desgaste que estamos eu mal consigo olha-lo. Por que insistir nisso???

- Porque eu quero. E eu tenho tudo que quero

- Com objetos, não pessoas

- Você já dormiu com tantos por que não comigo? – meu maxilar travou e respirei fundo me arrependendo de tudo que já tinha feito

- Não consigo.

- Então quando encontrar Zac debaixo de um carro vai saber que foi culpada – minha pupila dilatou e a cor faltou ao rosto. Como não respondi ele se aproximou e segurou meu rosto – não seja ingênua não sou feio Vanessa e você sabe disso – ele mexeu nos botões da frente da minha blusa – uma noite fazendo o que quero e te deixo livre

- Para – fui para trás

- Se não faz por mim, faça por ele! – fiquei quieta – No dia em que nos casaríamos ele fez questão de destacar o quão boa você é de cama. Eu quero provar – ele se aproximou abrindo minha camisa e eu o afastei com calma

- Não Austin – falei convicta o olhando – me humilhe da forma que preferir, me tire tudo que quiser e me afaste de todas as pessoas que estará tudo bem. Agora não me peça para dormimos juntos. Não dá.

- Já esperava que não fosse fácil. Pensa bem, eu te ligo mais tarde. O que é uma noite de sexo para manter quem amamos vivo? – ele beijou o canto da minha boca e saiu

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- Vanessa isso é desumano – Ashley estava furiosa e os quatros cantos da sala na Archeo sabiam disso. Enquanto ela ofendia Austin de tudo quanto é nome estava aérea- EIII – Dei um pulo acordando

- Quer matar de susto?

- Criatura você me deixou falando sozinha. Não venha dizer que está pensando na oferta de Austin

- Claro que não – fui rápida – estou pensando em como não ferrar com Zac caramba

- Ai amiga é deprimente. Me fala suas opções

- Me mudar né?! Ir para outro país tentar a sorte, me afastar mais de vocês e ver se Zac quer assumir isso – falei morta – por mais que o certo seja deixa-lo não posso tomar a decisão por ele

- Acha que fugir vai resolver o problema?

- Não é fugir Ashley, só que no momento atual não tenho mais como medir forças. Ele já está com tudo. A vida de quem amo não é negociável

- Policia Vanessa. Independentemente do que acontecer

- Antes de vir para cá já abri a ocorrência. É meu tudo ou nada

- Estamos juntas e já que a situação esta assim o cuidado tem que ser redobrado – meu telefone tocou – é o Zac?

- Austin

- Põe no viva voz – atendi e coloquei

### Ligação ###

- Você realmente não sabe ser grata! – ele suspirou na linha

- Do que está falando?

- Te dou a oportunidade de ficarmos em paz e você me denuncia a polícia? Vanessa, perdeu a noção do perigo foi? – o tom era ácido e me embrulhou o estômago tamanho nervosismo - Pensou mesmo que não tivesse pessoas de confiança na delegacia? Foi você entrar lá para ser notificado

- Que ótimo assim me poupou o trabalho de te contar! Seu espião informou tudo? Sobre as medidas protetivas?

- Não vai funcionar

- Suas ameaças também não.

- Foi a última vez! De agora para frente não nos falaremos mais. Não venha implorar depois

- Não vou – falei de olhos fechados tentando fazer o tremor passar

- Para começar te dou a notícia que o convênio que atendia 50 % dos gastos do tratamento com seu pai foi encerrado. O conselho me deu trabalho nessa, mas como sabe qualquer grana na mão daqueles velhos resolve o assunto. Estimando seu patrimônio você deve ter o que? Um mês garantido?

- Muito digno da sua parte – preferi ironizar do que desmontar ali

- Também consegui o mandato para bloquear os bens da Archeo por suposto desvio de dinheiro

- Sabe que não ocorreu

- Sei mesmo! Meu interesse é manter você sem saída. Com os bens bloqueados Ashley e ninguém vai conseguir te ajudar. Mesmo que não tenha nada ilegal garanto que as contas ficaram congeladas por no mínimo seis meses!

- Sabe que estou gravando tudo isso né?

- Não estou falando nada de mais, aliás estou garantindo a transparência da minha empresa! Não posso ficar com a dúvida de que a ex - Ceo esteja envolvida em operações ilícitas

- Vá se ferrar!!

- Nós só começamos linda! Vamos ver qual lado cede primeiro

### fim da ligação ###

- Okay agora estou preocupada, como em 5 minutos ele virou tudo de ponta cabeça?

- Não foi em 5 minutos. Já estava premeditado e ele faria de qualquer forma. Colocou as reservas da Archeo fora da linha de busca?

- Conforme me instruiu. Vamos aguentar bem até o fim de ano

- Ótimo! Oliver já está com o processo em andamento e todos os extratos que comprovam que não houve fraude. Vou tentar resolver agora o hospital do meu pai. Se ele cancelou o convênio é questão de tempo até me ligarem

- O Dr. Lewis não faria isso

- Não depende dele. Os custos são altíssimos e por mais boa vontade que ele tenha uma hora vai precisar receber

- Vou ajudar no que for necessário

- Obrigada – fui abraçada

- Vai fazer o que agora?

- Vou voltar para Dallas contigo. Preciso ver meus pais antes. Consegue me pegar lá?

- Claro! Vou dispensar o pessoal aqui e vou direto pra lá

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- O jardim ficou lindo pai

- Tenho me dedicado imenso – ele sorriu cansando e me sentei ao seu lado

- Emagreceu bastante

- Os remédios tem acabado com meu apetite

- Sabe que tem que se cuidar

- E estou! Só tem sido mais difícil, não estou conseguindo nem subir escadas

- Era esperado não? Uma batalha árdua

- Minha pequena, não sei se o guerreiro aqui vai conseguir ir tão longe

- Não se entregue – minha voz estava travada

- Sua mãe pegou a carta do convênio. Esta entregue de qualquer forma

- Claro que não, não vou deixar o senhor sem tratamento

- Filha esta na hora de pensar em você e no seu futuro. Na medida do possível sua mãe e irmã terão a casa e condições de seguir em frente

- É difícil pai, não posso deixa-lo é tudo culpa minha

- Nunca mais diga isso – ele foi autoritário e meu rosto se segurava para não desmanchar – nada disso é sua culpa. A vida tem dessas e seria egoísmo nosso achar que podemos cuidar de tudo

- Não quero tudo

- Vivi uma boa vida Vanessa. A melhor delas com certeza! Tivemos desde o luxo as coisas simples. Que homem pode dizer o mesmo?

- Só não faça parecer que é a última vez que conversamos

- O que tiver de ser será. Não se endivide por minha causa. Pense em você e Zac. E sobre os netos vocês precisam se apressar viu?

- Sinto muito. Acho que nem consigo pensar em filhos no momento

- Problemas?

- Ele é diferente pai. Tem uma sensibilidade que não sei lidar. E agora com Austin em cima querendo mostrar que meu passado condena não é fácil.

- Condena a quem querida? Quem é Austin para defina-la pelo passado?

- Tem me definido

- Você é mais do que isso – ele se aproximou – até em sua fase mais trabalhosa nunca vi ninguém ser tão honesto quanto você. Os erros nos fazem maduros e não tenho dúvida que você tenha evoluído muito desde as ultimas aventuras. Antes mesmo de conhecer Zac você já era outra versão. Nem você e nem ele se definem pelo que foram. É perda de tempo ficar com isso em mente

- O Zac me pergunta

- E você responde ué! É assim que funciona a relação

- Pai!

- Não se culpe por uma decisão tomada a três! Ian e Paul sabiam o que estavam fazendo e não ficam se martirizando por isso. Vida que segue Vanessa

- Foi Austin que causou o acidente que quase tirou a vida deles. É só isso que tira minha paz. Ele vai fazer o mesmo com Zac e pode ser que ele não tenha a ‘’sorte’’ de sair ileso – suspirei

- Pode ser que não faça também

- É isso então? Viver com dúvidas e ameaças?

- No amor filha a única certeza que temos é que não podemos decidir pelo outro. Conte tudo a Zac e definam juntos o que vai ser feito. O fato de isolar toda pressão em você é o que acaba dando sucesso a Austin.

- Ele tem sustentado a casa e trabalhado sozinho. Não consigo ser um fardo ainda maior. Estou esgotando

- Olha pra mim – o encarei – fique calma e lembre-se que isso não é nada comparado ao que já fizeram um pelo outro. Você me afrontou Vanessa. Sabe que não faria isso por outro. E ele meio doido quis estar no meio de tudo isso com você. Divida as emoções. Você não é um fardo.

- Parece certo

- E outra as ameaças físicas não me assustam. Claro que exigem cuidado e nós os tomaremos, mas pense no lado mental. Você tem um suporte emocional gigantesco já Zac é mais sensível. Austin já notou isso e pode usar contra você.

- Acha que Zac cederia a chantagens?

- Acho.

- Vou voltar – essa hipótese me desnorteou, deixa-lo sozinho foi um erro

- EII – Ele me segurou – sem pressa. Ele sabe se cuidar

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Esse capítulo ficou quase um testamento gente  😅 desculpem! 

Capítulo 30

 Manhã de Terça chuvosa e fria. Acordei com um cheiro maravilhoso de café pela casa. Coloquei um roupão no corpo e desci encontrando uma mesa farta que continha de donuts a panquecas com mel.

- Nossa o cheiro esta divino!!

- Bom dia meu amor – ela sorriu com duas xicaras de café na mão e me deu um beijo – acordei inspirada!

- Precisa de ajuda?

- Não, já podemos comer! – tomamos café na maior paz e depois arrumei a cozinha

- Quer fazer algo lá fora ou ficaremos o dia na preguiça?

- Lá fora claro – ela sorriu – colocamos uma capa de chuva as galochas e está tudo certo!

- Entusiasmante!

- Tenho que aproveitar sua companhia! Um luxo você em casa em dia de semana!

- Lembrando que um dos motivos de ter ficado é que precisamos conversar em?!

- Teremos tempo – ela me olhou e subiu para se arrumar

O dia foi produtivo e divertido mesmo com o clima ruim. Instalei todas as lâmpadas no estábulo, Vanessa tinha terminado as divisórias das cocheiras com as madeiras. Quando finalizamos as tarefas internas fomos arar a terra para semear sementes para uma horta maior.

- Tudo pronto!! – Me estiquei tentando estralar as costas

- Isso ai! Somos uma bela dupla!

- Merecemos um banho agora – ri quando olhamos um para o outro e vimos lama até a canela

- Verdade! Com a chuva não vou fazer nada no jardim

No fim da tarde já estávamos de pijama com a lareira ligada e ela toda linda concentrada em um livro qualquer

- Você não tem ideia do quão sexy fica lendo – ela riu e me fitou

- Sexy? O livro é de meditação, estou tentando parecer concentrada

- Toda vez que te vejo com um livro lembro da nossa primeira vez! Naquele dia estava lendo Jane Austen

- Incrível!! Se lembra até da autora – ela ficou boquiaberta e eu ri

- De todos os detalhes – me aproximei deitando sobre ela – tão cheirosa – beijei seu pescoço e senti seu arrepio – podemos conversar agora? – a olhei com atenção vendo seus olhos fixos em mim

- hum... podemos namorar primeiro?

- Hoje não – sorri com o espanto – sinto que está evitando o assunto – permaneci quieto na mesma posição a esperando

- É estou mesmo

- Vamos lá não é difícil – incentivei

- Fácil falar quando parece que saiu de um filme de princesas

- O que quer dizer?

- Que você não tem um conflito com as escolhas que fez no passado e as frustações

- Claro que tenho – sorri me arrumando no sofá – todo mundo tem frustações e mesmo sendo quieto também tive minhas experiencias

- Acho que não em – ela suspirou – pelo menos não na mesma intensidade

- Amor, se te magoa significa que não está curado. Não tenha medo de me contar

- Você respeitaria se eu não quisesse?

- Com toda certeza – garanti sincero – só que antes de decidir sufocar esse assunto pense se o seu medo é para não me magoar ou para não te lembrar que a cicatriz ainda está aberta. Essa chave ou o que ela possa significar não foram enviados para mim.

- Profundo – ela me olhou triste – já se sentiu como se fosse seu próprio inimigo?

- Várias vezes!

- Não quero que nosso relacionamento seja embasado por resoluções de conflitos. Cansei de ser a problemática da história

- Nossa com um argumento desses você me preocupa. Já considerou que os motivos que a levaram a guardar essa chave por tanto tempo ainda existam? e se caso existirem quais os efeitos que eles ainda têm sobre você?

- Não é segredo o que tem lá ... quer dizer o que teve lá... só não me sinto confortável falando

- Então tudo bem – aceitei que não era hoje que ela desabafaria e com um suspiro ela chegou perto

- Só te prometo que não vou deixar acontecer o mesmo conosco

- O mesmo?

- Naquela sala abri mão de tudo que queria para me moldar conforme a necessidade do conselho. Encerrei ciclos e envolvimentos problemáticos. Naquela altura pensei ter sido madura para arcar com toda a mudança, mas vi que já estava sendo manipulada a tempos

- Butler – ela acenou que sim

- Preciso vê-lo Zac

- O que? – me senti tonto com a informação inesperada

- Se existe algo em aberto descobri ontem. Foi ele e quero tirar a história a limpo

- Amor – fiquei sem saber o que dizer

- Vou hoje e volto com Ashley na Quinta – ela sugeriu

- Não quer que eu vá?

- Não. Chega de te jogar em cima dos meus problemas por não saber resolve-los. Não vou dividir o que não é nosso e nos transformar em um casal estilo terapeuta. Meu relacionamento contigo é saudável e quando conversamos que ele tem que funcionar a dois é sobre isso. Preciso resolver o antes de você.

- Existe algo que possa fazer para te fazer mudar de ideia?

- Não

- Então pelo menos se abra comigo – falei atordoado

- Ninguém se envolve com alguém que tenha interesses fora do comum. Errei muito com meus envolvimentos casuais e por não ser fiel a nada me vi em uma situação delicada. Para que você tenha noção da proporção envolve um trisal, um acidente e um ex- amigo do meu pai magnata do petróleo

- Trisal – tremi em saber das experiencias que ela mencionou

- Não quero te contar por que é sujo. Foi um envolvimento sem honra e a pessoa que está com você hoje não é nada parecida com quem já fui. Por favor não me faça conversar de uma versão minha que desprezo – ela pediu triste e me senti estranho

- Sinto que tenho que te conhecer de todas as formas para que sejamos plenos no nosso compromisso

- Quando foi para New York e viu Austin com todas as mulheres, o que sentiu?

- Nojo

- Não era melhor que ele quando tinha essa chave – gelei e perdi a postura incomodado e assim que ela percebeu se agachou e me olhou – passado é passado.

- É diferente Vanessa – falei abatido – estou sentindo que realmente não te conheço – ela abaixou o rosto – é errado me sentir inseguro?

- É errado sim – os olhos dela estavam molhados – sou honesta e transparente com tudo. Estou falando de um momento delicado com você porque honro o que nós temos e você sugere uma insegurança?

- Espera – me apressei para arrumar vendo que a machuquei – são só as brechas que o Butler tem usado para me deixar confuso

- Não é o Butler que te deixa confuso. São suas dúvidas sobre mim que geram essa situação toda. O medo e essa imagem que você tem de pessoas melhores. O problema sou eu – ela concluiu e o desespero bateu. Quando tudo mudou?

- Amo você – foi o que consegui dizer– amo com tudo que sou Hudgens – a encarei tentando demostrar a mesma transparência que via em suas expressões

- Eu sei e também te amo por inteiro Zac. Só não – a interrompi

- Não fala nada. Está tudo bem! Não preciso saber e você estava certa, não deveria ter forçado você a contar. O que viveu antes não pode nos afetar – ela ficou quieta e pela primeira vez o silêncio entre nós incomodou

- Já afetou – ela me olhou e me lançou um sorriso triste – desculpe

- Por que?

- Por não conseguir convence-lo com a minha personalidade. Por deixa-lo em perigo e pelos estragos que aconteceram na sua vida depois que me conheceu. Não posso pedir que confie em mim, mas juro que fiz tudo para mostrar que é o único que tenho e amo.

- Me convenceu. Não tenho dúvidas – falei desesperado – Só não desista

- Eu prometi lembra? És a minha pessoa e sinto muito mesmo por coloca-lo no meio dessa guerra com Austin. Pode me perdoar?

- Nada disso é culpa sua. Não se desculpe por isso

- É sim – os olhos que pela manhã brilhavam estavam tristes e sem vidas

- Como pode ser? – a puxei pra mim tentando quebrar o muro que senti entre nós

- Minhas decisões Zac. Magoei muitas pessoas com meus envolvimentos e por mais raiva que tenha de Austin ele só é alguém que está ferido. Quer dizer que foi ferido por mim – ela chorou e eu só puder aperta-la

- Não fala assim - sussurrei em seu ouvido – não é dessa forma.

- Meu pai quando anunciou a fusão de empresas estava certo. Não conseguiria sozinha e era só ter me mantido quieta que nada disso teria acontecido

- Amor pare por favor – ela enchia minha camisa com lágrimas e soluços e eu só conseguia me lembrar no dia do mirante. A agonia era igual. Por mais amor que tivéssemos nesse momento era como se fosse perde-la – Seu pai errou, assim como todos erram. Veja ele hoje. Austin é doente e você não pode culpar-se por isso. É como você me disse, amar é liberdade e por mais que tenha doido perder uma pessoa como você a vida segue minha princesa. Ele não quer que você seja feliz. Não é mágoa é orgulho – subi seu rosto através do queixo e com seus olhos chocolates em mim terminei – Você pode ir até ele, eu mesmo posso leva-la

- O que?

- Se é a forma de colocar um ponto final nisso tudo e você ficar bem vamos fazer. E me desculpe pelo medo. Você é meu sonho Vanessa. E sou tão grato que vivo negando que sou merecedor. No fundo percebi agora que também sou culpado por suas mágoas. Suas e do Butler. Você estava noiva quando nos envolvemos e o errado fui eu – ela ficou em silêncio e o coração começou a ficar tranquilo sentindo que a tinha ali sem barreiras de novo – na sala quando conversei com ele foi a primeira coisa que ele disse. Se ela fez comigo por que acredita que contigo seja diferente? Quem trai um trai dois....

- Preciso me defender disso? – me olhou cansada

- Não – frisei com toda certeza do mundo – eu te seduzi, provoquei Butler com tudo que tinha e tomei decisões erradas para tê-la. Viu só como também agi sem honra? – sorri – de príncipe eu só tenho os olhos tá? – vi um sorriso meigo e continuei – o problema não é você

- Tem certeza?

- Tenho sim – a beijei devagar e com muito carinho – entendidos?

- Estamos sim! Posso ir com seu carro?

- Pode sim – coloquei suas mechas atras da orelha – a viagem é longa não quer dividir a direção? Posso pedir para Monique ir com você

- Não. Quero ir só – ela coçou os olhos

- Tudo bem. Então nos vemos na Quinta?

- Na Quinta – ganhei um beijo na bochecha, ela subiu para arrumar uma mala simples e aproveitei para pedir para que Chris viesse para cá depois que fechasse a oficina.

- O carro está com tanque cheio. Me liga hora que chegar?

- Com certeza! Chris está chegando?

- Deve estar – sorri

- Não deixei nada pronto para jantar

- Vá em paz princesa! Posso cozinhar ou pedir comida – fechei o porta malas e abri a porta do motorista para que ela se senta-se – vai devagar, se sentir sono pare

- Fique tranquilo – ela me beijou e entrou

- Eu – me interrompeu

- Te amo! – sorrimos e ela se foi. Suspirei preocupado.

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Boa tarde!! Capítulo postado e neste fim de semana estou me programando para postar outro. Falta pouco para finalizarmos espero que estejam gostando 🙏


Capitulo 29

 Dias depois do noivado a cidade toda estava empolgada. Era engraçado ser cumprimentada em cada rua que passava e receber presentes sem ao menos conhecer todo mundo. Meus pais estavam eufóricos e marcaram de nos visitar no fim de semana, junto com a família do Zac. Ashley chegaria na Quinta e ficaria durante o dia comigo e com Chris a noite.

As correspondências de Austin passaram a ser frequentes e era notório que começavam a me afetar também. O nível descia a cada carta e já tinha como certo que o mesmo tinha algum transtorno ou obsessão.

- Oliver? Quanto tempo mais? A situação já está fora de controle

- Eu sei Vanessa. O problema é que ele tem sido cuidadoso. Tem alguns ganchos soltos, mas nada que o comprometa

- Impossível – declarei irritada na linha – nem sobre o incêndio?

- Ele pode pagar a fiança e ser solto no mesmo dia ou semana pelo incêndio. Na verdade, sendo réu primário é até difícil que seja preso... vai responder a tudo em liberdade

- As empresas falsas? Desvios de dinheiro??

- Estamos avançando! Algumas empresas fantasmas já foram identificadas. As transações são pequenas então, é melhor aguardamos até termos as grandes em mãos. Alguns laranjas estão sendo investigados e em breve teremos informação em peso para afasta-lo

- Oliver, corro sérios riscos de não ter tempo. Ele é louco!

- Conversamos sobre isso Vanessa. Saia daí, se distancie um pouco de Zac. Só assim posso deixá-los seguros

- De forma alguma – contrariei com tristeza – não vou deixa-lo

- Não é o momento de ser egoísta

- Estamos cientes das ameaças e não vou deixa-lo de jeito nenhum. É a nossa decisão. Austin não pode interferir nisso e se você não está sendo capaz de para-lo vou atrás de quem possa.

- Vanessa calma.

- Não, já estive sendo calma durante todo este tempo. Já chega! Vou prestar queixa e pedir segurança. Se não encontro o que é oculto pelo menos as cartas tenho para provar

- Pode não dar certo e ainda irritá-lo

- Ele também me irritou – desliguei irritada sem notar que Monique havia chego – que susto!!

- Desculpa amiga, bati tantas vezes que entrei preocupada

- Sem problemas como esta? – forcei um sorriso

- Ouvi a conversa – apertou minha mão

- Tenho medo que ele tente algo com Zac e eu não tenha como impedi-lo – suspirei passando a mão no cabelo

- Qual foi a última?

- Não se assuste em encontra-lo em um acidente ou algo assim – suspirei tentando segurar o nó na garganta.

- Já passou da hora da polícia intervir

- Conheço Austin, seu jogo não cola comigo e sei que as ameaças são para acabar com o emocional de Zac

- Tem funcionado – ela confirmou – ele chega desesperado as vezes para falar com Corbin

- Sim e outra por mais que o conheça não posso garantir até onde vão seus surtos. É obscuro o que um homem pode fazer com o ego ferido.

- Corre o risco de piorar ao ir na delegacia?

- Corre sim! Ele vai entender que as ameaças estão surtindo efeito e pode mudar a tática – tentei pensar em silêncio

- Não vai deixa-lo né? – se apavorou – Zac não aguentaria

- Não – sorri – nem se passou pela minha cabeça

- O que faremos então?

- Vou conversar com ele mais uma vez

- DE JEITO NENHUM!! Sabe-se lá do que ele é capaz.... pode te sequestrar, fazer algum ruim, é loucura

- A única forma de me atingir é através das pessoas que gosto e ele sabe disso. Comigo ele não fará nada

- Vanessa nem que eu te tranque até o Zac chegar. Daqui você não sai

- Fica tranquila Mo! Eu não vou sair sem avisa-lo – ri da sua postura – não escondo nada do meu futuro marido!

- Acho bom e já vou atrás de correntes para ele não a deixar ir também

- Conhecendo-o bem ele vai utiliza-la para outras coisas então é melhor você não trazer! – rimos juntas e durante a tarde nos entretermos com os afazeres do rancho

- Ele vai amar o jeito que você deixou o estábulo

- Ficou legal né?

- Incrível! E me surpreendeu suas habilidades com o martelo! Ficou no nível profissional

- Nem me fala, na primeira semana martelei todos os meus dedos – ri derrotada – depois assisti alguns vídeos para apreender e meu sogro me deu algumas dicas! Zac quer que tenhamos cavalos e vacas, agora temos espaço! – sorri orgulhosa do estábulo

- Só falta colocar as lâmpadas

- Esse é um assunto delicado – ri – morro de medo de choque! Sou uma negação em elétrica e acredite nem assistindo a vídeos eu entendo. Precisa passar a fiação toda

- Também não me arrisco!

- Vem, os meninos daqui a pouco chegam. Vou fazer o jantar

- Faço a sobremesa

- Fechado!

Por volta das 19 hrs Zac e Corbin vieram. Servi um bom prato á parmegiana e Monique fez uma deliciosa torta de Nutella. Ficamos juntos até as 22. Depois que foram embora Zac foi organizar a cozinha e eu fui para o quintal regar as plantas

- Cozinha limpa amor!

- Obrigada!

- Que isso! O jantar estava maravilhoso – me abraçou

- Lembro  quando meu avô fazia a janta em casa! Cozinha todos os dias e sempre melhor! Acho que praticando bastante assim logo estarei aos pés dele!

- Era seu avô que cozinhava?

- Diferente né?! E minha vó arrasava nos doces – rimos e nos sentamos no banco de jardim

- Preciso comprar algumas lâmpadas para colocar aqui fora! Está um breu – ele brincava com a minha mão

- Verdade! Se não fosse por isso até te mostraria o celeiro

- O que?  você mexeu lá? – me olhou chocado

- Reformado! – sorri

- Vou ter que ir ver! A lanterna do celular vai servir – ele me puxou todo empolgado e foi o máximo vê-lo surpreso e até emocionado – ficou incrível amor. Coisa de cinema!

-Deixa de ser mentiroso, quase não dá para ver – brinquei

- Como não? Já consigo ver nossas criações aqui!! Logo estaremos em uma fazenda – me encantei com o jeito de criança sonhadora que ele falou – não conseguiria fazer sozinho. Na verdade, é surpreendente que tenha o feito sem ajuda. Você é incrível!!

- Obrigada! – fiquei quieta

- Qual o problema?

- Nada – dei de ombros

- Para vai... entre nós não há segredo – me segurou pelo rosto

- Estou feliz só isso!

- Feliz?! – ergueu as sobrancelhas

- É, seu momento agora foi bonito de ver – o abracei – pareceu uma criança ganhando o brinquedo favorito

- Antes de você o rancho estava largado e eu pouco parava por aqui. Agora não vejo a hora de chegar e ver tudo de novo que você tem feito

- Arte né?! Incrível que não tenha ficado bravo no início. Acabei com seu jardim, fiz a cerca ficar um caos e quase fundi o motor do trator – ele gargalhou me fazendo rir também

- Tem razão sou um cara incrível! Quem diria que uma patricinha de New York causaria tantos prejuízos? - brincou

- Convencido – dei a língua – e pra sua informação nunca tive nada de patricinha ta?

- A tem sim e eu amo seu jeitinho mimado! – ele mordeu de leve meu queixo - Olha agora ... o jardim nunca esteve tão lindo, a cerca está nova e reta e eu nunca comi tão bem todos os dias! – ele riu

- É só o trator que não dei jeito -ri – coitado, de todos foi o azarado - lamentei

- Ele já era velho amor – me puxou para perto – no fim de semana posso concerta-lo!

- Seria bom – nos beijamos

- Hum... tem uma coisa – ele se separou

- O que?

- Chegou na oficina hoje – ele tirou um envelope pequeno do bolso e me entregou

- O que?

- Uma chave quebrada... dessa vez não veio nada escrito – abri e fiquei em silêncio

- É problema? Reconhece?

- Era do meu primeiro escritório

- Ela já estava quebrada?

- Não

- Acha que tem alguma mensagem subliminar?

- Só passado! – embalei de novo

- Quer conversar sobre?

- Eer.. não?!

- Então posso jogar fora?

- Pode sim, vamos entrar?

- Uhum!

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- Onde Zac está? – Ashley me perguntou na linha

- No banho

- Ai Vanessa eu não sei o que Austin quis dizer com essa chave, mas já contaria ao Zac que foi com ela que surgiu toda essa historia de casamento arranjado e seu pai ficou fulo

- Isso é tão frustrante sabe? Caramba eu não quero que ele fique com mais trauma do meu passado

- A relação de vocês está de pé até hoje pela confiança não quebre isso...

- Você vem mesmo na Quinta né?

- Com toda certeza! Vai esperar que eu chegue para contar?

- Não... vou precisar de você aqui caso o clima fique estranho... – ficamos em silêncio – Ele está saindo preciso desligar

- Oi linda – ele sorriu com aquele cabelo e corpo molhado – estava falando com quem?

- Ashley!

- Há sim! Ela chega logo não é?

- Uhum, na Quinta!

- Que bom! – ele se secou e me abraçou – amanhã não irei para oficina

- Por que?

- Quero passar o dia contigo! Dar atenção as suas necessidades e por um acaso também reparei durante o jantar que estava apreensiva.

- Caramba, de qual página de Cinderela você saiu? – rimos – não mereço um ser destes

- Claro que merece deixa de ser boba! Agora me conta o que te atormenta

- Reclama do meu jeito mimado, mas vive me deixando mais mimada ainda

- É meu proposito na terra – ele deu de ombros e se deitou – aconteceu algo com seu pai?

- Não! Está tudo bem

- Então o que o Butler mandou dessa vez? Sei que a única coisa que te tira o sossego é ele

- Podemos falar disso amanhã? – suspirei

- Podemos sim, vem cá

- Vou tomar um banho primeiro

- Me evitando Hudgens? – sorri com a carência

- Achas?  Logo volto e te encho de beijos

- Estarei esperando!

Procurei deixar as preocupações de lado e me concentrar só em Zac e pelo menos por hoje a noite seria leve. Amanhã conversaríamos e mais uma vez veria seus limites postos a prova.