- Esta afim de comer pizza? – Stella estava com um pijama de fantasia enorme deitada parcialmente em cima de mim enquanto assistia a um filme
- Quero
respirar na verdade
- Não estou
gorda – ela ficou incrédula e eu ri
- É sério! –
ela se mexeu contrariada
- Estou te
fazendo companhia e ainda me insulta! É um absurdo
- Não estou
insultando – dei a língua – e você não esta me fazendo companhia praticamente
se mudou pro meu quarto!
- Preciso
vigia-la de perto
- Bem que
vocês podiam arrumar a porta do meu quarto né? É desconcertante não tê-la
- Já
conversei com a mãe e só depois que você estiver bem vamos recoloca-la
- Estou
trabalhando, criei uma rotina e tenho saído com Ash... o que mais querem?
- Que você
coma normalmente e que não chore em cada canto que passe
- Hum....
- Vai não é
difícil!
- Diga por si
mesma
- Quer sair
então, dar uma volta?
- Quero sim –
ela se animou e eu já cortei a farra – vou sozinha
- Como assim?
- Preciso
sair e ficar um tempo sozinha
- Vai para
onde então?
- Alguma
padaria ou coisa similar
- Tá bom.
Qualquer coisa me ligue
Me arrumei e
fui andando pelas ruas de New York. Peguei a direção no automático e quando me
dei conta estava em Manhattan, mais especificamente de frente com a Le Bain.
Gelei ao lembrar tudo que já havia aprontado ali dentro. Estacionei próximo a
boate e planejei ir a lanchonete de esquina quando fui parada
-
Simplesmente inacreditável te encontrar aqui
- Cole?
- Quanto
tempo!! - me cumprimentou com um abraço
– esta linda!
- Obrigada! –
respondi por educação e quis continuar o trajeto
- Por que não
entra?
- Minha época
de vip já foi e hoje não estou nos melhores dias!
- Todo dia é
o melhor – ele sorriu e eu também lembrando que ele tinha o astral lá em cima –
e uma vez vip sempre vip! – me puxou passando pelos seguranças
- Nossa eles
nem me pararam - me surpreendi quando ele me puxou para a boate e ninguém interviu
- Vanessa
você era carteirinha carimbada daqui todos te conhecem! Tornou esse ponto
badalado! A fila la fora que espere - ele sorriu e eu reparei o ambiente
- A decoração
mudou!
- Aceita um
drink?
- Agradeço o convite, mas não tenho intenção de ficar!
- Fiquei
sabendo sobre seu pai, sinto muito
- Todos
sentem, mas agradeço de qualquer forma!
- Vai lá um drink e te deixo em paz! - ponderei sobre tudo e aceitei ficar
- Feito!
O que era
para ser um drink se estendeu até alguma hora da madrugada. Fiquei conversando
com Cole por algum tempo e a medida que andava por lá encontrava conhecidos.
Inclusive Ian. No primeiro momento foi muito estranho, mas com álcool na cabeça
em pouco tempo estávamos de boa
- Posso te ajudar a esquecer ele
- Ian pode me
oferecer quantos copos de bebida quiser que eu não vou transar com você nem
estando bêbada!
- Você já foi
mais acessível sabia?
- Cansei de
ouvir isso...
- Você estava
com o Trucker
- Conversando
apenas...
- Você pode
desabafar de outro jeito – me olhou malicioso
- Sem essa
garanhão! Seu charme não me comove – ri virando mais um whisky e torcendo para que ele ao descer queimando minha garganta, queimasse também meus sentimentos
- Ainda não
estou jogando charme – mordi a língua com a olhada e tratei de me afastar no
banco
- Muito bem já passou da hora de ir
- Há qual é?!
Estou te incomodando? – ele se aproximou
- Suas
investidas estão!
- É por que
seu corpo sabe que o que tenho a oferecer lhe interessa. Não é agradável a
sensação de perigo no flerte?
- Não
pressione Ian! Meu corpo sabe que não tolera mais ser tocado por outra pessoa
além do meu ex – declarei com raiva do ex
- Ué se não
tentar como vai superar?
- Não vou –
assumi – nem quero na verdade – ri com afirmação – Zac teve o que não dei a
nenhum outro! Sinto que o certo é mantê-lo privilegiado! Não vou ficar com
outro por estar bêbada
- Já descobri
porque está na merda – ele riu - quebrando a primeira regra sobre se
apaixonar?
- Quer
brindar a isso? – bebi mais um pouco sentindo rodar o ambiente
- Vai com
calma baby V – esse apelido?!
- Paul!!
Perdido por aqui também?
- Essa é a
minha casa lembra? – ele fez um toque de mão com Ian e sentou me deixando no
meio deles – está com um cara de dar pena em!
- Cuide da
sua vida - respondi com a intenção de ser grossa
- Gata e mal
humorada!
- Qual é –
exclamei – estamos em uma boate será possível irem atrás de outra?
- A partir do
momento que entrou ninguém consegue olhar pra outra – Ian virou os olhos e riu
completando nossos copos
- Você é
brega Paul- Ian falou se aproximando do meu pescoço me deixando tensa
- Chega Ian,
estou indo embora – fiz um esforço para levantar e Paul me parou
- Você não
terminou o drink – engoli em seco e virei o copo de uma vez para sair e de novo
ele me parou – por que não se diverte um pouco?
- Como nos
velhos tempos? – Ian
- Isso! Uma
última vez Baby V o que acha?
- Querem ver
se morrem dessa vez? – ri com a noção alterada
- Ninguém vai
saber e outra assuma que era divertido!
- Passado –
briguei com a consciência
- Não seja
careta – diferente de Ian que era insistente e queria dominar Paul era
cativante e simpático. Com algumas frases a mais nem percebi quando estava sendo
beijada. O gosto de bebida era tudo que sentia e aquelas luzes da balada me
tiravam o foco fazendo tudo rodar
- Chega Paul
– tentei me afastar e não tive êxito
- Você gosta
– Ian sussurrou mordiscando minha orelha – só vamos para um lugar mais
tranquilo
- Já falei
que não quero – protestei mais uma vez sentindo a embriaguez tomar conta e a
consciência se desligar por instantes. Quando aconteceu senti minhas mãos serem
guiadas e não fazia ideia de qual era o caminho e de onde o quarto tinha
aparecido
- Fica
tranquila – Ian sussurrava enquanto beijava meu pescoço e Paul desabotoava a
camisa
- Baby V
esqueça tudo, tudo que estiver doendo e tiver dado errado. Agora tudo isso vai
ceder ao prazer
As noites
perigosas que vivi com eles veio a mente junto com a insanidade. A luxuria me
dominou e a forma como me disputavam instigou diversão. Com flashes de
realidade sentia os beijos de Ian pelo pescoço enquanto os lábios eram tomados
por Paul. Como pecado lembrei da minha versão falha sem escrúpulos e fui cedendo as tentações. Estava vazia e não via sentido em nada, nem em para-los. Sem noção do que estava fazendo comecei a sentir toques quentes e vi minhas
próprias mãos os provocando. No momento não sabia se era Ian ou Paul a quem beijava,
mas bastou um toque no meu seio para despertar
- Isso não está certo – cambaleei para algum
lado tentando enxergar
- Vanessa não
seja difícil – Ian me pressionou contra parede me despertando ira
- Eu falei
pra parar – num movimento brusco meu joelho subiu em defesa e ele caiu com dor
- Ficou
louca?? – gemeu de dor e Paul me olhou assustado
- Que merda
Ian – procurei me ajeitar vendo minha regata parcialmente rasgada e quase não ficando em pé de tão bêbada
- Se acalme,
o que está acontecendo? – Paul tentou intervir
- Não se
aproxime de mim
- O que está
acontecendo? Te machucamos?
- Do Ian até
podia esperar algo parecido, mas você Paul – o encarei séria – quando uma
mulher diz não é NÃO.
- Você
correspondeu – Ian se levantou aos poucos
- Vocês me
carregaram pra cá. E mesmo estando bêbada minha sorte é que ainda tenho
reflexos conscientes
- Desculpas –
Paul
- Acabou
estão ouvindo?
- Não seja
moralista. Você não pode querer e depois descartar – Ian me desafiou bravo
- Posso sim –
respondi firme – vocês homens simplesmente enlouquecem quando uma mulher é auto
suficiente para saber o que quer. No passado o sexo foi de livre consentimento
entre nós, mas quando fui embora fiz questão de terminar tudo e virar a página
– me encostei na parede e avistei um litro de vodka em cima do criado. Sem nenhuma
água por perto foi o que usei para jogar no rosto e tentar fazer a cabeça parar
de girar
- Vanessa –
Paul pareceu arrependido
-Vocês têm
4,5 mulheres por noite e está tudo bem. Agora quando uma mulher se desprende
dos rótulos da sociedade e escolhe o prazer é uma vadia ou puta – explodi
cansada da situação de repetir – Não vou transar com vocês – reafirmei – não
quero, não os desejo - falei em alto e bom tom – por dignidade deviam ter
vergonha de tentar me seduzir e me trazer para cá.
- Não foi
intenção chegar a esse ponto – Ian tentou consertar a situação
- Iam abusar
de mim – respondi já com controle de corpo – se aproveitaram de um desabafo.
Não valem nada. Nunca valeram - me apoiei na parede e terminei - São do mesmo jeito que Austin.
- Não seja
cruel – Paul
- Me deixa
passar
- Te levo
para casa – Ian colocava a jaqueta e Paul se vestia depressa
- Nem
ferrando. Se não saírem da frente eu quebro essa porta, faço um escândalo e de
praxe ainda vou pra cima dos dois – em instantes a passagem estava livre
Sai de lá
descalça com a regata rasgada mostrando parte do sutiã e com um cheiro horrível
de bebida. Quando cheguei ao carro só apertei o volante com força e gritei. Não
era possível passar por isso. Até onde fui?!
Inconscientemente
enviei mensagem para minha mãe e dirigi durante horas a procura de uma praia.
Estando de madrugada agradeci por não ter tantos carros na estrada e mesmo
sendo inconsequente fui devagar tentando não causar acidentes. Encostei o carro
no calçadão e corri em direção ao mar entrando de roupa e tudo. O choque
térmico foi brutal. O mar estava congelando e não dava para enxergar um palmo a
frente com as ondas agitadas que mostravam que não era uma boa ideia me
aventurar por ali. Como se pouco me importasse nadei até não ter forças e
depois me peguei observando a lua enquanto boiava. Os pensamentos cessaram e
tive paz. Não tinha Zac, meu pai, Austin ou qualquer outra pessoa. Era como
estar em um feitiço e delirei me enxergando em várias fases da vida. Perdi a
consciência e quis que acabasse ali. Não tinha sentido continuar ou era de Zac ou era algúem vazia que procurava em casos algum sentimento que me mantesse viva.



