Capitulo 36

 - Esta afim de comer pizza? – Stella estava com um pijama de fantasia enorme deitada parcialmente em cima de mim enquanto assistia a um filme

- Quero respirar na verdade

- Não estou gorda – ela ficou incrédula e eu ri

- É sério! – ela se mexeu contrariada

- Estou te fazendo companhia e ainda me insulta! É um absurdo

- Não estou insultando – dei a língua – e você não esta me fazendo companhia praticamente se mudou pro meu quarto!

- Preciso vigia-la de perto

- Bem que vocês podiam arrumar a porta do meu quarto né? É desconcertante não tê-la

- Já conversei com a mãe e só depois que você estiver bem vamos recoloca-la

- Estou trabalhando, criei uma rotina e tenho saído com Ash... o que mais querem?

- Que você coma normalmente e que não chore em cada canto que passe

- Hum....

- Vai não é difícil!

- Diga por si mesma

- Quer sair então, dar uma volta?

- Quero sim – ela se animou e eu já cortei a farra – vou sozinha

- Como assim?

- Preciso sair e ficar um tempo sozinha

- Vai para onde então?

- Alguma padaria ou coisa similar

- Tá bom. Qualquer coisa me ligue

Me arrumei e fui andando pelas ruas de New York. Peguei a direção no automático e quando me dei conta estava em Manhattan, mais especificamente de frente com a Le Bain. Gelei ao lembrar tudo que já havia aprontado ali dentro. Estacionei próximo a boate e planejei ir a lanchonete de esquina quando fui parada

- Simplesmente inacreditável te encontrar aqui

- Cole?

- Quanto tempo!!  - me cumprimentou com um abraço – esta linda!

- Obrigada! – respondi por educação e quis continuar o trajeto

- Por que não entra?

- Minha época de vip já foi e hoje não estou nos melhores dias!

- Todo dia é o melhor – ele sorriu e eu também lembrando que ele tinha o astral lá em cima – e uma vez vip sempre vip! – me puxou passando pelos seguranças

- Nossa eles nem me pararam - me surpreendi quando ele me puxou para a boate e ninguém interviu 

- Vanessa você era carteirinha carimbada daqui todos te conhecem! Tornou esse ponto badalado! A fila la fora que espere - ele sorriu e eu reparei o ambiente

- A decoração mudou!

- Aceita um drink?

- Agradeço o convite, mas não tenho intenção de ficar! 

- Fiquei sabendo sobre seu pai, sinto muito

- Todos sentem, mas agradeço de qualquer forma!

-  Vai lá um drink e te deixo em paz! - ponderei sobre tudo e aceitei ficar

- Feito!

O que era para ser um drink se estendeu até alguma hora da madrugada. Fiquei conversando com Cole por algum tempo e a medida que andava por lá encontrava conhecidos. Inclusive Ian. No primeiro momento foi muito estranho, mas com álcool na cabeça em pouco tempo estávamos de boa

- Posso te ajudar a esquecer ele

- Ian pode me oferecer quantos copos de bebida quiser que eu não vou transar com você nem estando bêbada!

- Você já foi mais acessível sabia?

- Cansei de ouvir isso...

- Você estava com o Trucker

- Conversando apenas...

- Você pode desabafar de outro jeito – me olhou malicioso

- Sem essa garanhão! Seu charme não me comove – ri virando mais um whisky e torcendo para que ele ao descer queimando minha garganta, queimasse também meus sentimentos

- Ainda não estou jogando charme – mordi a língua com a olhada e tratei de me afastar no banco


- Muito bem já passou da hora de ir

- Há qual é?! Estou te incomodando? – ele se aproximou

- Suas investidas estão!

- É por que seu corpo sabe que o que tenho a oferecer lhe interessa. Não é agradável a sensação de perigo no flerte?

- Não pressione Ian! Meu corpo sabe que não tolera mais ser tocado por outra pessoa além do meu ex – declarei com raiva do ex

- Ué se não tentar como vai superar?

- Não vou – assumi – nem quero na verdade – ri com afirmação – Zac teve o que não dei a nenhum outro! Sinto que o certo é mantê-lo privilegiado! Não vou ficar com outro por estar bêbada

- Já descobri porque está na merda – ele riu - quebrando a primeira regra sobre se apaixonar?

- Quer brindar a isso? – bebi mais um pouco sentindo  rodar o ambiente

- Vai com calma baby V – esse apelido?!

- Paul!! Perdido por aqui também?

- Essa é a minha casa lembra? – ele fez um toque de mão com Ian e sentou me deixando no meio deles – está com um cara de dar pena em!

- Cuide da sua vida - respondi com a intenção de ser grossa

- Gata e mal humorada!

- Qual é – exclamei – estamos em uma boate será possível irem atrás de outra?

- A partir do momento que entrou ninguém consegue olhar pra outra – Ian virou os olhos e riu completando nossos copos

- Você é brega Paul- Ian falou se aproximando do meu pescoço me deixando tensa

- Chega Ian, estou indo embora – fiz um esforço para levantar e Paul me parou

- Você não terminou o drink – engoli em seco e virei o copo de uma vez para sair e de novo ele me parou – por que não se diverte um pouco?

- Como nos velhos tempos? – Ian

- Isso! Uma última vez Baby V o que acha?

- Querem ver se morrem dessa vez? – ri com a noção alterada

- Ninguém vai saber e outra assuma que era divertido!

- Passado – briguei com a consciência

- Não seja careta – diferente de Ian que era insistente e queria dominar Paul era cativante e simpático. Com algumas frases a mais nem percebi quando estava sendo beijada. O gosto de bebida era tudo que sentia e aquelas luzes da balada me tiravam o foco fazendo tudo rodar

- Chega Paul – tentei me afastar e não tive êxito

- Você gosta – Ian sussurrou mordiscando minha orelha – só vamos para um lugar mais tranquilo

- Já falei que não quero – protestei mais uma vez sentindo a embriaguez tomar conta e a consciência se desligar por instantes. Quando aconteceu senti minhas mãos serem guiadas e não fazia ideia de qual era o caminho e de onde o quarto tinha aparecido

- Fica tranquila – Ian sussurrava enquanto beijava meu pescoço e Paul desabotoava a camisa

- Baby V esqueça tudo, tudo que estiver doendo e tiver dado errado. Agora tudo isso vai ceder ao prazer

As noites perigosas que vivi com eles veio a mente junto com a insanidade. A luxuria me dominou e a forma como me disputavam instigou diversão. Com flashes de realidade sentia os beijos de Ian pelo pescoço enquanto os lábios eram tomados por Paul. Como pecado lembrei da minha versão falha sem escrúpulos e fui cedendo as tentações. Estava vazia e  não via sentido em nada, nem em para-los. Sem noção do que estava fazendo comecei a sentir toques quentes e vi minhas próprias mãos os provocando. No momento não sabia se era Ian ou Paul a quem beijava, mas bastou um toque no meu seio para despertar

 - Isso não está certo – cambaleei para algum lado tentando enxergar

- Vanessa não seja difícil – Ian me pressionou contra parede me despertando ira

- Eu falei pra parar – num movimento brusco meu joelho subiu em defesa e ele caiu com dor

- Ficou louca?? – gemeu de dor e Paul me olhou assustado

- Que merda Ian – procurei me ajeitar vendo minha regata parcialmente rasgada e quase não ficando em pé de tão bêbada

- Se acalme, o que está acontecendo? – Paul tentou intervir

- Não se aproxime de mim

- O que está acontecendo? Te machucamos?

- Do Ian até podia esperar algo parecido, mas você Paul – o encarei séria – quando uma mulher diz não é NÃO.

- Você correspondeu – Ian se levantou aos poucos

- Vocês me carregaram pra cá. E mesmo estando bêbada minha sorte é que ainda tenho reflexos conscientes

- Desculpas – Paul

- Acabou estão ouvindo?

- Não seja moralista. Você não pode querer e depois descartar – Ian me desafiou bravo

- Posso sim – respondi firme – vocês homens simplesmente enlouquecem quando uma mulher é auto suficiente para saber o que quer. No passado o sexo foi de livre consentimento entre nós, mas quando fui embora fiz questão de terminar tudo e virar a página – me encostei na parede e avistei um litro de vodka em cima do criado. Sem nenhuma água por perto foi o que usei para jogar no rosto e tentar fazer a cabeça parar de girar

- Vanessa – Paul pareceu arrependido

-Vocês têm 4,5 mulheres por noite e está tudo bem. Agora quando uma mulher se desprende dos rótulos da sociedade e escolhe o prazer é uma vadia ou puta – explodi cansada da situação de repetir – Não vou transar com vocês – reafirmei – não quero, não os desejo - falei em alto e bom tom – por dignidade deviam ter vergonha de tentar me seduzir e me trazer para cá.

- Não foi intenção chegar a esse ponto – Ian tentou consertar a situação

- Iam abusar de mim – respondi já com controle de corpo – se aproveitaram de um desabafo. Não valem nada. Nunca valeram - me apoiei na parede e terminei - São do mesmo jeito que Austin. 

- Não seja cruel – Paul

- Me deixa passar

- Te levo para casa – Ian colocava a jaqueta e Paul se vestia depressa

- Nem ferrando. Se não saírem da frente eu quebro essa porta, faço um escândalo e de praxe ainda vou pra cima dos dois – em instantes a passagem estava livre

Sai de lá descalça com a regata rasgada mostrando parte do sutiã e com um cheiro horrível de bebida. Quando cheguei ao carro só apertei o volante com força e gritei. Não era possível passar por isso. Até onde fui?!

Inconscientemente enviei mensagem para minha mãe e dirigi durante horas a procura de uma praia. Estando de madrugada agradeci por não ter tantos carros na estrada e mesmo sendo inconsequente fui devagar tentando não causar acidentes. Encostei o carro no calçadão e corri em direção ao mar entrando de roupa e tudo. O choque térmico foi brutal. O mar estava congelando e não dava para enxergar um palmo a frente com as ondas agitadas que mostravam que não era uma boa ideia me aventurar por ali. Como se pouco me importasse nadei até não ter forças e depois me peguei observando a lua enquanto boiava. Os pensamentos cessaram e tive paz. Não tinha Zac, meu pai, Austin ou qualquer outra pessoa. Era como estar em um feitiço e delirei me enxergando em várias fases da vida. Perdi a consciência e quis que acabasse ali. Não tinha sentido continuar ou era de Zac ou era algúem vazia que procurava em casos algum sentimento que me mantesse viva.




Capitulo 35

 - Hey princesa acorda! – Ashley abriu as cortinas do quarto quase me cegando

- Ainda preciso descansar

- Já tem 2 semanas que voltou do hospital e está descansando. Hora de voltar a rotina e a vida!

- Descansando? A cada dois minutos alguém entra no quarto e sem falar que estou sem porta né!!

- Você ainda está abalada, só estamos garantindo que fique bem! – ela puxou as cobertas e me viu respirar fundo – como se sente hoje?

- Com a cabeça pesada e extremamente cansada

- Podíamos fazer uma caminhada o que acha?

- Não quero Ash! Me deixa ficar aqui vai? Estou me esforçando para ficar bem

- Sua mãe me falou que tem comido o mínimo. Desse jeito vai ter que voltar ao hospital!! Não atende ligações. Não sai do escuro e ainda tem tido febres

- Estou me permitindo sentir...

- Não, você está se entregando a uma depressão – ela disse e no mesmo instante lembrei de Zac quando conversamos sobre isso e já embacei os olhos – ei eu falei alguma coisa? – ela se aproximou me abraçando

- Não é culpa sua – limpei o rosto – sei que preciso recomeçar é que no momento é muito – me sentei na cama – ter que lidar com o luto e a falta que ele me faz está exigindo uma estrutura que não tenho

- Você precisa se distrair e ver o lado leve da vida

- Lado leve?

- Sair com os amigos, provar culinárias diferentes e experimentar novas experiências! Tudo que fazia antes – ela viu que não me mexi e continuou – começando com um banho relaxante e colocando uma roupa bonita

- O que tem a minha roupa?

- Nada, moletom é confortável só não é indicado para onde vamos

- E vamos onde?

- Numa floricultura! Sua mãe pediu algumas mudas e podemos busca-las

- O jardim está uma bagunça – sorri olhando pela varanda

- Ela tem se esforçado!

- É pelo menos ela tem conseguido

- Stella tem trabalhado dobrado e esta ajudando a quitar os gastos que ficaram pendentes no hospital

- Não acredito que deixei ela sozinha com isso – me levantei cambaleando – meus acessórios e projetos ficaram em Dallas – me sentei de novo

- Podemos buscar

- Não consigo ver o  Efron

- Não seja dura, Chris disse que do lado de lá também não esta sendo fácil. Não pode culpa-lo por querer protege-la

- Não o culpo de forma alguma Ash! A raiva que tenho é por não conseguir levar o que tínhamos a diante e ter acabado com a vida dele - declarei com a vulnerabilidade a flor da pele

- Ambos estão magoados com que foram impedidos de viver. Deixa o tempo agir amiga

- Ama-lo foi um erro – olhei seriamente nos olhos dela –  Ele merece ser feliz e sei que comigo não vai ser

- Ai Vane não fala assim - ela se abateu

- Meu pai me avisou que Austin usaria a pressão mental em Zac. Pensei que pudesse contorna-la me mostrando transparente e nos relacionando com confiança. Errei!

- Amiga o Zac te ama

- Sei disso Ashley e também o amo. Quando conversamos expus tudo e tomamos a decisão de enfrentar tudo juntos. Eu o entendo completamente por não querer que me machuque eu também não quero faze-lo sofrer. Ele teve a coragem que eu não tive

- Vocês vão se reconciliar

- Não vou entrar nessa de novo. Acho que esse negócio de casamento não é pra mim – ri triste e olhei o anel o tirando – daqui pra frente vou me focar só em me reconstruir. É o meu limite

- Sei que está doendo. Nunca vi você assim. Sei que é pelo Zac, mas sei que é por você também amiga. Vai levar tempo até que esteja pronta para encarar a vida novamente e ser a pessoa iluminada que era. Só te peço para não trilhar um caminho escuro. Dê ao tempo a oportunidade de te curar. Sempre vai haver um jeito

- E quanto a ele? Como posso aceitar que ele não esteja bem? Zac é o principe de qualquer garota Ashley. Em todo o pacote não era para ve-lo sofrer

- Ele também vai se reconstruir. Vocês se amam - ela me abraçou - No momento acredite que este tempo os fará crescer. Primeiro individualmente e depois acharão o caminho de volta um ao outro. Austin não pode contra isso e você sabe disso 

- Aceitar o fim é meu recomeço?

- Um capitulo pode ter acabado, mas a historia ainda não. Escute, estamos aqui e Chris, Monique e Corbin estao lá, vocês não vão estar sozinhos e logo tudo isso vai passar - me aconcheguei no abraço e fechei os olhos suspirando. Aceitar já era o começo

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- Caramba Zac atrasado de novo - Corbin

- Foi difícil acordar

- Bebeu novamente?

- Foi o jeito que encontrei de desligar

- Cara sai dessa – ele colocou as mãos sobre meus ombros- tem acabado com você. É triste vê-lo dessa forma.

- Um mês hoje. Ela não veio nem buscar as coisas dela

- Você pode deixar com Chris e ele entrega. Depois da mensagem não se falaram mais?

- Algumas vezes em desespero liguei de outros números. Todas ligações foram direto pra caixa

- Monique disse que ela se desligou totalmente de tudo. Conseguiu um trabalho com eventos e tem se empenhado

- Ainda estou magoado por deixa-la no momento que perdeu o pai. Não tem um dia sequer que não me arrependa de não ter estado lá.

- Não se culpe por isso. Foi forçado a se separar.

- Fui um tolo, devia ter pego Austin na porrada de novo

- E aparecer quebrado em um hospital de novo?

- Iria mais preparado dessa vez

- Já te falei diversas vezes desde que voltou. Não faça nada idiota. 

- Não vou fazer

- Zac - ele me chamou atenção - tenha paciência. Você mesmo me disse que ela jurou ser sua independente de estarem juntos ou não - sorri ao lembrar - vai dar certo amigo. Ainda terão a vida que querem - ele me abraçou e deu um sorriso singelo 

- Obrigado 

O dia passou lentamente e ao chegar em casa no final da tarde o silêncio me consumiu. Todos os dias ligava seu notebook e via a galeria com saudade dos momentos. Entrei numa pasta nova ainda sem identificação e senti o peito apertar ao ver roteiros de viagens para uma lua de mel no Hawaii. Fiquei mais surpreso ainda vendo que as passagens já estavam compradas. Ela as comprou na nossa última noite juntos e se eu  soubesse não teria dormido tão rapidamente como fiz. Desliguei sentindo uma crise de ansiedade bater e de longe vi um whiskey. Meu corpo tremia e para não enlouquecer precisei sair. Era assim toda noite, ou bebia até desmaiar ou tinha crises de ansiedade que me tiravam a lucidez.

A noite estava clara e minha moto parada do lado de fora me chamou atenção. Era ruim querer alguém para diminuir a tristeza de estar sozinho? Enviei mensagem aos meus pais dizendo que estava a caminho e me progamei para ve-la mesmo que a distância. Cheguei a conclusão de que se hoje fosse meu último dia ela era a única que queria por perto. Era tudo ou nada.



Capitulo 34

 Narrado pela Stella

- Mãe? Mexendo no jardim? – a encontrei do lado de fora da casa com as mãos sujas

- Seu pai me fez prometer que essas flores seriam bem cuidadas, quer ajudar?

- A senhora tem alguma noção do que está fazendo?

- Nenhuma – ela riu- confesso que o olhar era mais interessante – os olhos ficaram molhados

- Está tão recente – enxuguei o rosto também – parece que tudo perdeu a cor

- Querida a vida é feita de ciclos. Seu pai finalmente descansou sabendo que viveu tudo que pode. Agora é com a gente

- É difícil! Só de acordar tenho vontade de chorar

- E eu então?! Nestes dois dias o que mais tenho feito é chorar – nos abraçamos – é uma das formas de nos curarmos mais rápido

- E a Vanessa que não tem saído do quarto?

- Vou lá – ele tirou as luvas de jardinagem

- Vamos juntas

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- Filha abra a porta – batíamos e não tínhamos sinal algum

- Zac é a Stella, a convença a abrir a porta por favor – falei mais alto encostando o ouvido na porta e não escutando nada

- Tem chave reserva?

- Não mãe

- Se afaste – me assustei quando ela começou a esmurrar a porta e lá dentro nada acontecia. Preocupada a ajudei e sem alternativa ligamos para Zac que não atendia

- Liga para o Erick, vamos ter que derrubar – liguei com pressa e em menos de 10 minutos ele havia chego

- Tem certeza que ela não saiu?

- Não saiu Erick, pode derrubar – ele o fez e assim que tivemos acesso ao quarto tudo estava escuro e tinha um monte de cobertas na cama. Mamãe acendeu as luzes e se aproximou com cuidado da cama entrando em desespero ao ver Vanessa desacordada e extremamente vermelha

- Erick chama a ambulância e Stela liga o chuveiro no frio – ajudei a levanta-la da cama e me assustei

- Ela está molhada e fria

- É febre. Me ajude a chegar ao banheiro

Com muito custo ela acordou atordoada falando palavras sem nexo algum

- Quer matar a gente do coração Vanessa?

- Por estão brigando comigo? – Sua voz era quase inaudível

- Anda me ajude a te vestir, vamos para o hospital – com muita dificuldade conseguimos leva-la. Chegando lá ficamos rodando na sala de espera

- Dr Lewis alguma notícia?

- A febre não cessa. Fizemos exames para saber se é algo recorrente alguma infecção e estamos aguardando. Ela tem apresentado confusão e vez e outra alucina. Por ora ela foi medicada e estamos acompanhando de perto. Nas próximas horas teremos os resultados e no momento a falta de ar está controlada

- Estou preocupada

- Gina vocês passaram por muito nos últimos dias. Poderia ser até emocional! Vanessa vem vindo de estafes constantes. Não me surpreenda que o corpo tenha chego ao limite! O esgotamento mental é possível e até ter o diagnóstico completo não vou eliminar nenhuma hipótese

- Nos mantenha informados por favor

- As enfermeiras passarão sempre que possível para atualiza-las. Com licença – ele se retirou e nós três ficamos sentados pensando em tudo e nada

- O que será que aconteceu e por que Zac não está com ela?

- Não sei Erick. Tentamos falar com ele e só chama! Não consigo entender como passamos dois dias literalmente em uma bolha e nem notamos que ela estava doente

- Sua irmã precisava de espaço para o luto. Só vou entender quando e por que Zac saiu. Nessas horas ele era o único com quem ela poderia desabafar

- Mas e nós? – perguntei sentida

- Stella você conhece sua irmã. Sabe que ela tentaria de todas as formas fazer que fosse o menos dolorido para nós e muitas vezes para isso ela segura tudo sozinha. Com Zac ela tem trabalhado esse lado e tem dividido emoções

- Que droga – me sentei revoltada em notar que realmente as obrigações e decisões difíceis eram todas jogadas nas costas dela e muitas das vezes ao invés de ajudar eu só colocava mais peso nela

- Não fique assim, sua irmã é forte

- Não é esse o problema Erick. Sabe quantas vezes ela se expôs para me proteger? Até assumir a empresa ela o fez para que eu tivesse oportunidade de correr atrás dos meus sonhos. Em momento algum parei para perguntar como ela estava ou se precisava de ajuda. Sei que ela é forte, mas não custava dar a cara a tapa as vezes e deixa-la descansar – falei triste – sou uma péssima irmã

- Chega Stella, nós já estamos abaladas por diversas razões e você arranjar mais uma agora não vai ajudar. Vamos nos unir e passar por mais essa juntas. Vanessa vai precisar de apoio e nós estaremos lá – Escutei minha mãe ser firme e me sentei suspirando

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- Zac faz dois dias que você não come nada, não sai direito do quarto e nem está com a Vanessa. O que está acontecendo?

- Estou sem apetite

- E quanto a Vanessa? Não entendo por que não está com ela. O que esta acontecendo?

- No momento acho que ela nem gostaria de me ter por perto

- Absurdo! Ainda mais passando por um momento tão delicado filho. Em quem ela vai se apoiar?

- Não sei pai – me sentei na sala com a vontade de contar tudo. Explicar que estar distante era a única forma de garantir que ela estaria bem e ouvir seus conselhos do que fazer, mas envolver eles nisso tudo era errado. A forma como ela me olhou descrente do que estava fazendo vinha a mente a todo segundo e me impediam de dormir. Estava me sentindo um lixo por não estar ao seu lado e mais ainda por ter que feri-la ainda mais. Magoa-la e deixa-la desamparada era desumano. Ela não merecia isso

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- Como está?

- Cansada! Aliás por que não posso sair mesmo?

- Sua febre não passa e nem alta teve ainda

- Estou bem mãe

- Só vai sair daqui com diagnóstico e tratamento. Te encontrei desmaiada no quarto, tivemos que derrubar a porta! Sabe o que poderia ter acontecido???

- Não precisa ficar brava

- Preciso sim! A questão não é ficar estar brava e sim estar preocupada. Há tempos venho falando para se cuidar e até ter certeza que vai estar bem vamos ficar aqui. Seus resultados devem sair nas próximas horas

- Os exames não vão apontar nada

- Como sabe?

- O que está doendo ninguém pode curar – prendi o choro na garganta me sentindo derrotada – Zac terminou comigo

- Por Deus filha o que aconteceu? – ela se sentou na cama junto comigo

- Eu nem sei mais o que vale a pena – solucei – mãe estou perdendo tudo

- Minha pequena vem cá – chorei durante horas e ora e outra minha mãe também chorava o que seria hilário em outra circunstância

- Já faz tanto tempo desde que peguei você no colo – ela sorriu com os olhos inchados – minha garotinha forte!

- Não estou vendo nada de forte aqui – limpei os olhos esgotada

- Pois eu vejo uma fortaleza que mesmo sendo bombardeada por todos os lados continua mantendo seus queridos em segurança! Aguentar tudo que vem acontecendo sozinha não é para qualquer um – ela penteava meus cabelos com os dedos

- A senhora acredita em karma?

- Não, mas por que a pergunta?

- Tudo que fiz aos outros em questão de sofrimento estou passando agora...

- Zac é definitivamente especial! – ela riu – Vanessa Hudgens repensando e se abrindo com outros é a novidade do século

- Não caçoe de mim – respirei fundo – achei que fosse ficar bem, que daria conta e assim que ele saiu foi como se tivesse perdido o chão

- Não consigo nem imaginar o quanto esteja doendo – ela ergueu meu rosto – as vezes temos desilusões que não entendemos querida.... Tenho um conselho para isso

- Mesmo? Devo estar horrível para que me de conselhos...

- De forma alguma! Dada a situação está até bem! Quer ouvi-lo?

- Quero....

- Perder o chão nos dá a oportunidade de voar – ela abaixou os óculos e riu da minha feição interrogativa

- É isso? Mensagem de biscoito da sorte?

- Não seja irônica! É um conselho de grande valia!

- Não quero ser pessimista, mas seu conselho só me mostra que na hora de voar eu cai e me arrebentei.

- Não posso estar ouvindo isso de você! Desde quando cair é um problema? Sinal de que suas asas ainda não estão em forma!! Algum quadrante da sua vida está em desequilíbrio

- Todos eles no caso. E essa queda em específico foi bem maior que as outras tá? Com certeza me deixou lesionada

- Você com tantas faces e soluções esta com medo? – ela me olhou com atenção

- Estou – assumi sentindo minha insegurança gritar para que me fechasse. A palavra fraca ecoava fortemente. Doía guardar emoções e doía mais ainda as expressar e Zac foi o limite. Era meu equilíbrio todo desfeito. Minha mente não estava boa, meu corpo também não e o pacote ficava completo com o coração machucado

- E ele vai passar a medida que conversarmos. Vai ficar tudo bem e estou aqui com você para você. Só ponha pra fora – me aconcheguei e fiquei de olhos fechados respeitando tudo que meu corpo quisesse fazer. Me permiti chorar, ficar em silêncio e nem reparei quando Stella entrou no quarto. Em pouco tempo estávamos as três abraçadas e quanto mais soluços saiam mais aliviada ficava

- Melhor? – Stella

- Acho que sim

- O Dr. Lewis falou que clinicamente os exames estão bons

- já posso ir embora então?

- Sua febre não cessou ainda

- Mãe?

- Nós vamos! Pode se trocar meu amor. Vou pegar os papéis para que assine a alta

- Ué o que foi que perdi?

- Sua irmã esta com o coração machucado, ficar aqui sozinha não vai ajudar

- Estou ligando para Ashley! Te espero lá embaixo

- Obrigada - sorri sem ânimo e recebi ajuda para arrumar minhas coisas

Capitulo 33

 Amanhecemos em Nova York a espera de maiores informações sobre a saúde do meu pai

- Amor vou na lanchonete pegar alguma coisa pra gente. Você não comeu nada desde ontem

- Estou sem fome, pode comprar só pra você – dei um sorriso desanimado

- Vou trazer pelo menos um café – me beijou na testa e saiu. Olhei para o lado e minha mãe estava cochilando na poltrona. Suas olheiras denunciavam que a noite tinha sido difícil e mais ao lado Stela estava dormindo nos ombros de Erick. Esperei por mais 10 minutos até o doutor aparecer cabisbaixo

- Sinto muito Vanessa – ele me encarou e nada precisou ser dito.

- Como?? – estava ciente de que poderia acontecer a qualquer momento, mas mesmo assim foi difícil acreditar, o silêncio refletia o vazio. Olhei para o lado e minha mãe estava petrificada

- Greg sabia que o estado era crítico. Com menos recursos sua resistência caiu drasticamente – neste momento foi como se um tiro atravessasse meu peito. Precisei me concentrar na respiração para não desmaiar ali. Dr. Lewis percebendo a crise de pânico tentou reverter

- Vanessa fizemos o possível. Todo o possível

- Se ele tivesse os recursos – sussurrei sem equilíbrio vendo Zac correr para perto

- A dúvida não gera conforto. Não quis insinuar que teríamos um final diferente. Não dá para saber minha jovem. Como médico e amigo não quero vê-la dessa forma.

- Preciso ficar sozinha - sai como um jato com o estômago embrulhado e vista embaçada. Dentro de um sanitário foi difícil conter a ânsia, em minutos estava com o corpo fraco. Elas precisariam de mim e não poderia ser dessa forma. Lembrei de todas as vezes em que perdi o chão e tive que ser forte. Tentei parar as lágrimas e não consegui. Era justo agora que estávamos nos entendendo? O flash de uma infância rodeada de carinho e atenção passaram na mente. O apoio que tive quando adolescente e depois as desavenças de adulto me sufocavam. O tanto que fui fria e todas as vezes que o evitei pesaram. Sem condições de sentir tudo empurrei qualquer emoção, respirei fundo e saí sentindo o peito em pedaços

- Te procurei por toda parte – Zac estava afoito e com os olhos vermelhos – vem cá – ele me puxou e por mais reconfortante que fosse não iria chorar. Fomos devagar até a sala e ao chegar lá fui agarrada por Stela que estava aos prantos

- E agora Vanessa? – a vulnerabilidade me deixou atordoada.

- Vamos ter que continuar meu amor – limpei miseravelmente seu rosto prendendo o nó na garganta

- De que jeito se doí tanto?

- Do jeito que der – respirei fundo – e vai doer pra sempre Stela – fui honesta a olhando - Só espero que em algum dia menos – ela me abraçou, olhei Zac procurando forças e seus olhos estava em mim

- Por favor não nos deixe sozinha. Não consigo sem você

- Estou aqui e sempre vou estar – a consolei com a única verdade que poderia exigir de mim

Resolvi tudo com o hospital e tentei poupar minha mãe da organização para o velório. Zac foi meu porto e por mais que estivesse fechada tentando manter minhas emoções sobre controle ele sabia que uma hora eu iria desabafar

O dia seguinte ironicamente amanheceu lindo e rostos conhecidos eram vistos. Amigos íntimos, conhecidos e até homens de negócio estavam na cerimonia

- Sinto muito

- Está tudo bem – minha expressão era neutra – vê-lo sofrer era triste demais

- Seu pai foi um guerreiro do início ao fim

- Obrigada Sr. David

- Se precisar de algo me ligue – David estava abatido e por mais atritos que tivéssemos tido por Austin ele era honesto e até certo ponto sempre teve meu pai como amigo. Vi sua tristeza com verdade.

Fiz questão de manter o velório o mais privado possível e não consegui ficar muito perto da Stella ou minha mãe. Tudo já doía ao extremo e era insuportável ouvir os soluços e não desabar. Uma de nós precisava estar em condições de recepcionar a todos e garantir um adeus a altura do que meu pai havia sido. Ele gostaria que fosse assim.

Zac sumiu durante a manhã e quando voltou seu rosto era infinitamente triste. Os olhos antes brilhantes estavam apagados e não me fitavam de forma alguma. Estranhei, mas respeitei o comportamento. As horas foram passando e a cada minuto desejava sumir. A armadilha mental que estava me fazia questionar a todo segundo se eu havia falhado com ele. Isso tudo teria acontecido neste momento se o tratamento tivesse continuado? Minhas decisões nos levaram a isso?

- Precisamos ir – Stela chegou perto e despertei no susto vendo que só a gente estava no local

- Vai conosco? – Minha mãe estava com o rosto inchado e a abracei

- Não mãe, preciso assinar algumas coisas ainda, encontro vocês em casa

- Cuide dela Zac – me beijou na testa

- Vamos mãe, Erick chegou

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- O que falta preencher?

- Não falta nada – suspirei – Só preciso de um tempo a sós – perto dele a emoção fazia sentido e tinha que ser demonstrada para não me sufocar, ele me abraçou com força

- Sinto tanto – sua voz também era embargada

- Doí demais. Ele não está mais aqui. Nunca mais vai estar - me desesperei sucumbido a tudo que evitei

- Calma eu prometo que você ficará bem – ele me apertava e chorava junto.

Depois de algumas horas fomos pra casa e ao adentrar aquele silêncio horrivel beirou o ambiente. Os cômodos estavam frios e as luzes do quarto das duas estavam acessas. Não precisei nem me aproximar para ouvir o choro e abaixei a cabeça esgotada. Fui fechar a porta e notei que Zac estava parado me olhando 

- Hey, o que está te aflingindo? - me aproximei e passei a mão em seu rosto enquanto ele abaixou a cabeça - porque não entra?

- É dificil - ele tirou minhas mãos de si, fechou a porta e me levou até nosso quarto sentando na cama

- Não quer ficar aqui? - estranhei seu comportamento inqueito

- Quero -o tom foi baixo e vi que os olhos estavam marejados

- Então o  que há boo? - me aproximei de novo e ele desviou

- Consegue me prometer algo hoje?

- O que você quiser - falei preocupada o olhando

- Que vai continuar sendo minha estando comigo ou não? -lágrimas desceram 

- O que esta acontecendo? - me assustei percebendo algo grave

- Prometa Vanessa - ele insistiu me segurando pelos pulsos enquanto me fitava chorando

- Por que está assim? O que aconteceu? Por que estando com você ou não? - nem soube se era um descontrole emocional ou do que se tratou, mas ja sentia o peito acelerado e medo do comportamento dele - Por que não estaríamos juntos? - tremi com a hipótese

- Prometa 

- Não quero ser sua não estando contigo, por que não estaria??? Eu quero estar, nós queremos - disse um pouco alterada - por que esta chorando e não me fala o sentido disso? - ele ficou quieto e me soltou

- Preciso ir embora - meu corpo todo entrou em estado de alerta e fiquei em choque 

- E vamos pra onde então? - ele me olhou e caiu ali 

- Sem você

- Zac o que está dizendo - me agachei - por que sem mim?Fiz alguma coisa ou até deveria ter feito algo? - comecei a falar sem parar tentando entender e diminuir o nervosismo que a conversa estava me dando. A medida que perguntava mais quieto ele ficava e em desespero peguei seu rosto entre as mãos e disse o fitando seriamente - Não importa o que seja, podemos resolver juntos. Não tem a menor condição me perguntar se seria sua estando contigou ou não. Eu sou sua. De todas as formas - Ele soltou o ar e colocou as mãos sobre as minhas com um sorriso triste

- Obrigado - se desvencilou de mim - agora preciso que seja forte e me entenda

- Estou ouvindo - me sentei

- Butler esteve aqui mais cedo - gelei ao ouvir o nome dele - os seguranças que tínhamos ao redor da casa foram todos apagados

- O que ele fez com você? - levantei agoniada procurando algum hematoma  - como ele soube daqui?

- Aparentemente ele sabia a localização da casa á algum tempo - ele suspirou 

- Vou ligar pra policia - peguei o celular tremendo e disquei

- NÃO - ele me parou fazendo um sinal para que eu parasse de falar e suspirou - vocês estarão seguras assim que eu me for -

- Mentira, Austin está jogando, você não pode acreditar nele - joguei desesperada vendo tudo ruir

- Ele avisou que seu pai não conseguiria. Avisou que pessoas seriam afetadas se não terminássemos - ele chorava e eu perdia a cor e sentindos

- Meu pai já estava doente, seria díficil com ou sem ele avisar. Você não pode estar cogitando ir embora

- Ele tirou cada chance que ele poderia ter. Você sabe disso – o jogo mental que atormentava minha mente tinha sido usado contra Zac que estava no limite e já não suportava as ameaças

- Por favor não caia nessa– senti o peito subindo e descendo rápido em um surto – Você ir embora não vai resolver as coisas– implorei - ele está te usando

- É muito pra mim – ele abaixou aqueles olhos que aparentavam estar cinzas e não conseguiu me olhar

- Por favor não termine – segurei seu rosto tentando convence-lo – a gente pode dar um jeito. Só não faça isso – o fitei – por favor, hoje não – falei baixo entregando o tanto que estava ferida

- Me perdoa – ele abaixou o rosto e tirou minhas mãos de si. Foi um tiro que ardeu no peito

- Você pediu para que eu não o abandonasse, olha o que está fazendo – minha voz saiu alta e perdi o controle das emoções

- Estou cuidando de você

- Esta sendo covarde - os soluços eram forte em ambos e por mais que entendesse seus motivos tinha raiva por ele estar indo

- Não fala assim – ele apertou meus punhos e falou em um sussuro - é o meu limite Hudgens 

- Tem noção do que está fazendo? Perdi meu pai hoje! – gritei desesperada – perdi a empresa, trabalho, casa e tudo que tinha. Eu NÃO posso perder você

- E eu não posso continuar te causando mais sofrimento. Não dá para arriscar – ele respirava rápido tentando não entrar em pânico e essa cena me fez parar tudo. Ele estava destruído. Austin tinha acabado com o pouco de otimismo que ele tinha o encurralando hoje. Meu pai havia avisado que ele tentaria e eu não pude nem perceber o quanto Zac estava abatido. Ele não merecia isso. 

- Me desculpa - falei despertando da transe

- O que? - ele ainda tinha dificuldades em respirar e eu enxuguei meu rosto com a blusa me aproximando - você está certo - o puxei rodeando meus braços em sua cintura e encostando a cabeça em seu peito ouvindo os batimentos descompassados - se acalme amor - falei baixo sentindo ele me apertar e esconder a cabeça entre meu cabelo e pescoço

- Amo você

- E eu sei disso melhor que ninguém - sussurei fechando os olhos e deixando a emoção fluir - Não é sua culpa eu ter arruinado tudo, sempre soube que não seria a pessoa certa pra você! - ele arfou e eu continuei - te prender a mim porque não aguento o sofrimento sozinha é errado

- Nós não vivemos em sofrimento. Você foi a melhor pessoa - o interrompi

- É, mas hoje você adoraria não ter me conhecido - falei me soltando parcialmente do abraço e segurando seu queixo levantando o olhar pra mim - Anjos como você não podem voar para o inferno comigo

- Nada disso me faz querer não ter te conhecido. O inferno que diz só começou porque eu instiguei

- Não - sorri sentindo a alma morrer ali - você precisa de alguém que não tenha uma bagagem tão pesada. Alguém que seja puro como você e o mais importante que não seja eu - desabei a chorar e entre soluços terminei - só posso agradece-lo por tudo que fez e deixa-lo livre para ser feliz

- Sou feliz - ele rebateu sem brilho nos olhos - Austin vai pagar pelo que esta fazendo, ainda teremos chance de ficarmos juntos. Ele vai ser preso ou internado só precisamos aguentar

- Você tem razão - concordei para não deixa-lo pior 

-  Você prometeu que seria minha

- Até o fim da vida serei - ele me abraçou por um longo tempo e saiu só com a roupa do corpo. Aguentei ate a porta da frente ser fechada e depois caí em prantos sabendo que não aguentaria. O medo tomou conta de mim, fechei o quarto todo e me encolhi no escuro desesperada. Austin tinha conseguido. Estava destruída. Não tinha mais Zac e ainda vi o estrago que fiz na vida dele com minha história. Essa era parte que sangrava... saber que ele estava ferido acabou comigo e com peso nos olhos senti a consciência se perder. Era o vazio que me chamava e eu me entreguei.




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